Neguinho da Beija-Flor leva roda de samba a Lisboa e conquista público em noite de clássicos
Cantor esteve com Vando Oliveira e Moacyr Luz no palco do LAV, em Lisboa
- Lisboa
Março 8, 2026
Foi com o sorriso aberto — o mesmo que estampa a capa da revista EntreRios deste mês — que Neguinho da Beija-Flor iniciou sua roda de samba em Lisboa neste sábado, 7 de março. A primeira música não poderia ser outra: “Sorriso Negro”, clássico eternizado por Dona Ivone Lara.
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Dando um pequeno spoiler da nossa reportagem, disponível nas bancas e para assinantes, o sorriso de Neguinho mede exatos 13 centímetros. E foi com toda essa amplitude, que traduz perfeitamente a expressão sorriso “de orelha a orelha”, que Neguinho abriu e conduziu a noite.

O espetáculo aconteceu no LAV – Lisboa ao Vivo e marcou a estreia da Roda de Samba do Neguinho da Beija-Flor em Portugal, um projeto pensado para criar encontros mais próximos com o público. A proposta, que pretende ser mensal, valoriza a troca direta com a plateia, a memória afetiva do samba e o repertório construído ao longo de décadas de carreira.
Entre brasileiros com saudade de casa e portugueses curiosos para conhecer o ritmo, a noite foi conduzida pela voz que há décadas ecoa nos carnavais da Beija-Flor de Nilópolis.
O repertório passeou por clássicos que atravessam gerações. Vieram sucessos do samba e do pagode, além de hinos do próprio Neguinho, como A deusa da passarela, e o samba Explode coração. Em vários momentos, o público tomou conta da roda e cantou à capela.
Em um dos momentos mais emocionantes da noite, o cantor perguntou ao público: “Quem aqui está com saudade do Brasil?”. As mãos levantadas e o coro espontâneo deram a resposta. Lisboa, por alguns minutos, parecia avenida de carnaval.

Projeto reúne nomes do samba
A estreia da roda contou ainda com convidados ligados à cena do samba carioca. No palco, Neguinho dividiu a roda com o compositor Moacyr Luz, criador do tradicional Samba do Trabalhador, um dos encontros semanais de samba mais conhecidos do Rio de Janeiro.
Também participou o cantor e compositor Vando Oliveira, sobrinho de Neguinho atualmente radicado na Alemanha.
Participação inesperada
A noite teve ainda um momento especial com a participação da cantora Helena Palma. Ela contou que tudo aconteceu de forma improvável.
“Foi uma loucura, um tanto quanto inesperado. Vim a passeio, estava no Porto, quando surgiu o convite. Estou imensamente feliz com essa oportunidade de estar aqui fazendo parte desse projeto lindo de samba, dessa conexão”, disse à EntreRios.
Na plateia, o clima era de celebração compartilhada. A analista de sistemas Patrícia Souza, de 52 anos, que vive em Portugal há sete anos, reuniu amigos para ver o ídolo de perto.
“Eu sou apaixonada pelo Neguinho da Beija-Flor. Sou Beija-Flor de coração. Quando me falaram que ele ia estar aqui, fiquei doida. Tinha que vir”, contou ela, que já morou em Anchieta, bairro do Rio de Janeiro que fica ao lado de Nilópolis e da quadra da Beija-Flor.
Entre os presentes estava também o português Sérgio Guimarães, de 40 anos, que veio acompanhado de um grupo de sete amigos, quatro portugueses e três brasileiros.
“Eu não conhecia o Neguinho, vim por recomendação dos meus amigos e adorei. Realmente é um espetáculo”, disse.
Nos bastidores, Neguinho celebrou também outro momento especial: a capa da edição deste mês da revista EntreRios. Ao receber o exemplar impresso, o artista brincou.
“Eu já tinha visto online, mas no papel ainda é melhor.”
O cantor falou ainda sobre a relação cada vez mais próxima com Portugal. Agora com residência fixa no país, ele vê o momento como um novo capítulo pessoal e artístico.
“Tenho até o sonho de que minha filha faça faculdade aqui. Estou cada vez mais estreitando os laços com Portugal”, disse ele, que tem casa em Vila Nova de Gaia.
Segundo o artista, projetos como a roda de samba ajudam a fortalecer essa ponte cultural entre Brasil e Portugal — e a intenção é que o encontro se torne uma tradição mensal em Lisboa.
Entre clássicos, saudade e encontros inesperados, Lisboa terminou a noite cantando samba — guiada pelo sorriso largo de quem fez da própria voz um pedaço da história do carnaval brasileiro.
fernanda@revistaentrerios.pt