Nova plataforma oferece orientações para imigrantes em Portugal
Lançamento da plataforma “Fica, Imigrante” e hub para o desenvolvimento de soluções aconteceu nessa segunda-feira (12) em Lisboa
- Lisboa
Janeiro 15, 2026
A Fábrica Braço de Prata, espaço cultural de Lisboa, recebeu, segunda-feira (12), o lançamento da plataforma “Fica, Imigrante”, uma plataforma digital que visa oferecer informações e orientações práticas além de oferecer redes de apoio para os imigrantes em Portugal.
A ferramenta é uma das soluções do LAB Imigrante, um espaço colaborativo para o desenvolvimento de encontros de apoio, cocriação e desenvolvimento de tecnologias e inovações voltadas para a melhoria da situação migratória.
A iniciativa faz parte do Instituto UM, um Think Tank, definido como um laboratório para o desenvolvimento de soluções e inovações práticas para problemas do dia a dia, criado pelos amigos Arielle Asensi e Heitor Cavalcanti. A ideia é iniciar com as soluções de imigração e expandir para outras áreas.
“Não estamos falando de fazer melhorias e inovações pontuais, queremos ajudar a promover soluções para mudanças estruturais de forma descentralizada, contando com a participação de diferentes pessoas”, ressalta Arielle, que já trabalhou na Segurança Social e identificou as diversas falhas presentes nos sistemas do governo português e as necessidades de melhorias.
A ideia do Lab Imigrante surgiu após a realização de debates e conversas entre imigrantes que aconteciam todas as segundas-feiras na Fábrica Braço de Prata. Nas reuniões foram discutidos temas como eleições, política, trâmites burocráticos, acesso à informação, como lidar com os preconceitos, questões de saúde e educação.
“Logo nos primeiros encontros a gente percebeu que tinha uma necessidade muito grande de tentar traduzir e compreender o que vinha acontecendo com os imigrantes e compreender suas situações em Portugal”, apontou ela.
Por meio da plataforma “Fica, Imigrante”, o usuário poderá responder a um breve questionário e indicar que documentos possui e qual a sua situação migratória no país. Com base nisso, recebe as orientações necessárias sobre quais artigos observar, que ações e documentos são necessários e quais profissionais pode ser necessário consultar. A ideia não é vender produtos ou prestar serviços jurídicos.
LEIA TAMBÉM: Imigrantes crescem no mercado formal enquanto portugueses recuam
Essa será a primeira de outras tecnologias cívicas que farão parte de um ecossistema de tecnologias a fim de atender as demandas mais procuradas pela comunidade imigrante. “Queremos reunir essa mão de obra em diferentes áreas para desenvolver estratégias, soluções, estudos, pesquisas, observatórios com dados compilados sobre a presença dos estrangeiros em Portugal, entre outras informações para trazer mais transparência política e orçamentária”, destaca.
A ideia também é realizar parcerias com associações, institutos, empresas e o poder público. O instituto já realizou projetos com a Escola de Educação de Harvard e com a Bernard Van Leer Foundation voltados para a educação e desenvolvimento socioemocional de crianças, além de outra iniciativa com a Assembleia da República de Portugal.
A ideia é colaborar também para a formação de novas lideranças para a causa imigrante que possam também produzir novos projetos, unir forças e fazer com que sejam ouvidas as reivindicações dos imigrantes em um momento em que as legislações têm aumentado as restrições a estrangeiros no país.
“Queremos trazer uma frente única para lidar com essas mudanças legislativas em um cenário em que as coisas estão mudando para pior. Existe uma necessidade de novas infraestruturas e de avanços tecnológicos, mas também de reorganização e planejamento das ações. O objetivo é atuar nessa intersecção entre o estado, a iniciativa privada e a academia”, finaliza.
LEIA TAMBÉM: Dúvidas, incoerências e avisos da Aima: confira as novidades para imigrantes em 2026