Novas Vozes do Fado: Mariana Arroja mistura instrumentos inusitados e moderniza o gênero musical
Em entrevista à EntreRios, cantora portuguesa fala sobre novo álbum e a paixão pelo fado: "Ninguém fica indiferente quando ouve"
- Lisboa
Novembro 25, 2025
De Lisboa para o mundo, o som mais emblemático de Portugal ganhou nova batida e uma geração de artistas que não tem medo de reinventá-lo. Misturado com eletrônico, rap ou até sertanejo, o fado de hoje é livre, moderno e cheio de atitude.
Em homenagem ao Dia Mundial do Fado, celebrado em 27 de novembro, a EntreRios publica a série Novas Vozes do Fado, que mostra três cantoras que têm levado o estilo musical aos jovens e ampliado seu alcance pelos quatro cantos do planeta. Nesta matéria, você conhece a história de Mariana Arroja.
A portuguesa de 35 anos, que divide a vida entre Portugal e Estados Unidos, curiosamente, reencontrou com suas origens longe de casa.
“Comecei a cantar fado quando vivia na Escócia, em 2018. Quando tu vives fora do teu país durante muito tempo, tens uma certa necessidade de te reconectar com a tua identidade. Sempre explorei vários estilos de música, mas descobri que a minha maior conexão era quando cantava fado”.

Para Mariana, o fado é mais do que um gênero musical — é um estado de espírito. “É um momento em que estou muito comigo mesma. É uma saudade intensa que acende dentro de mim e que também partilho com a audiência. Eu não diria que escolhi este estilo de música; acho que o fado me escolheu”.
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Fado multicultural
A artista tem criado um fado multicultural, misturando instrumentos como taças tibetanas, sansulas e harpas. “Crio um fado que abraça todos, um fado que cria pontes nas mais variadas sonoridades e países”, explica. “O fado é um estilo de música que ninguém fica indiferente quando ouve, e as pessoas conseguem sentir a emoção”.
O trabalho “Meu Nome é Ninguém”, divulgado nos Estados Unidos, foi um marco pessoal e artístico.
“Acho que fui a primeira portuguesa a lançar um álbum de fado primeiro nos Estados Unidos. Quando canto lá, as pessoas ficam emocionadas, sentem que as levo a um lugar transcendente”.

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Recentemente, Mariana passou pelo Brasil, onde se apresentou no Rio de Janeiro, Minas Gerais, Brasília e São Paulo. Na capital paulista, ela cantou na icônica Casa de Portugal. “É bonito poder aproximar culturas e pessoas através da música e da poesia.”
Essa matéria foi publicada originalmente na revista EntreRios.
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