Cultura

“O Agente Secreto” leva 15 mil espectadores aos cinemas em Portugal

Ator destacou no LEFFEST a importância da autoestima cultural do Brasil e o valor da língua portuguesa. O longa segue em alta nas bilheteiras portuguesas

Novembro 13, 2025

Wagner Moura e Kleber Mendonça Filho celebram o cinema brasileiro no LEFFEST e conquistam Portugal com "O Agente Secreto". Crédito: Lizzie Nasser.

Há algo de bonito em ver o cinema brasileiro ocupando as telas estrangeiras. É como se, por um instante, o mar que separa Brasil e Portugal se transformasse numa imensa tela de cinema e nela passasse “O Agente Secreto”, o novo filme de Kleber Mendonça Filho, que atravessou o Atlântico para se exibir nos cinemas lusófonos.

Wagner Moura, o protagonista, não precisou de rede social para fazer barulho. Basta abrir a boca — e o baiano formado em jornalismo parece escolher as palavras como quem escolhe o melhor enquadramento de uma cena.

Durante o LEFFEST, o festival de cinema de Lisboa, Moura falou de liberdade, de língua e de identidade com a verdade de quem acredita que se expressar no próprio idioma é um ato de resistência.

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“O maior presente que recebemos foi falar português”, disse ele, com aquele timbre que mistura doçura e firmeza. “Isso nos torna originais”.

Portugal respondeu com aplausos e com bilhetes vendidos. O longa já soma cerca de 15 mil espectadores em sua primeira semana de exibição e segue em alta nas bilheteiras.

Kleber Mendonça Filho, o diretor, aproveitou para agradecer ao público português, lembrando que cada espectador é parte viva da experiência cinematográfica e que há uma cumplicidade antiga entre Brasil e Portugal, feita de língua, memória e um certo gosto pelo drama.

Durante o festival, Moura fez o que sempre faz: falou de país, falou de gente.

“O Brasil precisa se ver, precisa se olhar, precisa exportar sua produção cultural”, afirmou, com a convicção de quem acredita que cultura é espelho e também ferida.

“Vocês vão entender a importância da cultura e da desigualdade no país. Isso é muito para nós.”

E entre uma fala e outra, ele também cutucou o império cinematográfico do Norte global: “A indústria norte-americana é muito forte e não vai querer mexer com isso, mas temos uma nova geração de filmes com mensagens potentes. O cinema brasileiro está fazendo coisas grandes e importantes — é foda”.

Na plateia, risos e concordância. O público português parece ter entendido o recado: o cinema brasileiro não é apenas entretenimento — é uma forma de existir no mundo, de lembrar que a língua portuguesa, essa que nos une, também é um território.

E enquanto “O Agente Secreto” segue projetando luz e sombra nas salas de Lisboa, dá vontade de acreditar que o Brasil, aos poucos, vai se olhando no espelho das suas próprias histórias. E talvez seja essa a verdadeira missão de um filme: fazer a gente se ver e se reconhecer.

Colaborou Lizzie Nassar

jordan@revistaentrerios.pt

Lisboa