Axé no prato

O baiano tem o molho! Listamos 5 restaurantes baianos em Portugal

Do acarajé à moqueca com uma pitada de dendê, separamos casas comandadas por brasileiros que mostram o autêntico sabor da Bahia

Abril 15, 2026

Foto à esquerda do Acarajé da Carol, Reprodução/Instagram @acarajedacarol. Foto à direita do Tempero de Mainha, Reprodução/Instagram @temperodemainha.pt.

A culinária baiana atravessou o Atlântico e encontrou terreno fértil em Portugal. Impulsionados pelo crescimento da comunidade brasileira e pela força do empreendedorismo feminino, restaurantes especializados em pratos típicos da Bahia vêm conquistando espaço em diferentes cidades do país.

E os números confirmam a força desse movimento: em 2020, 65% dos novos negócios criados em Portugal foram abertos por brasileiros, e três em cada quatro eram liderados por mulheres, conforme dados do Comissariado para as Migrações (ACM).

Entre acarajés fritos no dendê, moquecas fumegantes e quitutes carregados de memória afetiva, esses espaços revelam histórias de vida que começam no Nordeste brasileiro e se reinventam na Europa. De Carol, que abriu o Acarajé da Carol em Salvador depois de 22 anos em Lisboa, a Dona Ana, que trocou São Paulo pela segurança de Cascais, cada restaurante carrega uma história de superação, ancestralidade e muito sabor. A seguir, listamos cinco restaurantes que se destacam por ter o molho que só a Bahia tem.

Acarajé da Carol (Lisboa)

 

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Se há um nome que sintetiza a força da cozinha baiana em Portugal, esse nome é Carolina Brito. Natural de Salvador, ela chegou a Lisboa há 22 anos, após ser convidada por um casal de portugueses para trabalhar em um restaurante no Porto. O que começou como uma oportunidade se transformou em um negócio consolidado. Hoje, Carol comanda duas casas na capital portuguesa, uma no Bairro Alto, inaugurada em 2018, e outra no Marquês de Pombal, aberta em 2023. Mais recentemente, deu um passo simbólico ao abrir uma unidade em Salvador, fazendo o caminho inverso.

“Quando eu disse que abriria um Acarajé da Carol em Salvador, muita gente achou que eu estava doida. Na Bahia, eu seria apenas mais uma. Mas minha motivação sempre foi espiritual e ancestral, não financeira”, afirmou em entrevista à EntreRios. A empresária manteve no Brasil o mesmo cardápio de Lisboa, incluindo a moqueca feita com bacalhau, exemplo da troca cultural entre os dois países.

Antes de abrir o próprio restaurante, Carol já preparava acarajés em eventos da comunidade brasileira, com participações em iniciativas ligadas à Casa do Brasil de Lisboa e à Embaixada do Brasil. O reconhecimento veio com o tempo, impulsionado pela autenticidade do preparo.

O carro-chefe é o acarajé, feito com massa de feijão-fradinho e frito no azeite de dendê. O processo é artesanal e pode levar até dez horas entre preparo da massa, dos recheios e dos acompanhamentos. O bolinho é servido com vatapá, vinagrete e camarão seco. O cardápio inclui ainda moqueca, bobó de camarão, abará, vatapá, caruru e feijoada aos domingos. Os interessados podem consultar o site do restaurante para saber mais sobre preços, menu completo e outras informações.

LEIA MAIS: Empreendedoras brasileiras fazem o caminho inverso e levam negócios de Portugal para o país em que nasceram

Endereços:
Bairro Alto: Rua da Rosa, 63, 1200-248, Lisboa
Marquês de Pombal: Rua de Santa Marta, 78, 1150-298, Lisboa

Horários:
Bairro Alto: terça a sexta, das 17h às 22h30; sábado, das 12h às 14h30 e das 18h às 22h30; domingo, das 13h às 17h30
Marquês de Pombal: terça a sábado, das 12h às 15h e das 18h às 22h30; domingo, das 12h às 15h

Telefones:
Bairro Alto: (+351) 21 342 10 73
Marquês de Pombal: (+351) 21 357 09 46

Tempero de Mainha (Matosinhos)

 

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Perto do Porto, em Matosinhos, o Tempero de Mainha nasceu de uma história marcada pela cozinha afetiva. Maria Lúcia Silva, de 64 anos, trabalhava como merendeira em uma escola pública de Lauro de Freitas, na região metropolitana de Salvador, onde conquistou alunos e professores com seus pratos. O sucesso do acarajé a incentivou a levar seus sabores para além do Brasil.

Ao chegar a Portugal, transformou a experiência em negócio. O restaurante carrega não apenas receitas, mas uma proposta: oferecer comida com memória, afeto e identidade. “Mainha”, como é conhecida, criou um espaço que se define como um pedaço do Brasil em território português.

O cardápio reúne clássicos da culinária baiana, como acarajé, abará, moqueca e bobó de camarão. O acarajé segue a tradição, com massa de feijão-fradinho, dendê, vatapá e vinagrete. As moquecas são servidas com arroz e pirão, enquanto acompanhamentos como farofa de dendê e caruru completam a experiência. O ambiente é simples e acolhedor, com atendimento próximo, o que atrai tanto brasileiros em busca de referências afetivas quanto portugueses interessados em conhecer novos sabores. Os interessados podem consultar o site do restaurante para saber mais sobre preços, menu completo e outras informações.

Endereço: Rua Monserrate, 50, 4450-031, Matosinhos
Telefone: (+351) 934 680 384
Horário: terça a quinta, das 12h às 15h e das 18h às 22h; sexta e sábado, das 12h às 22h; domingo, das 12h às 18h

Dona Ana Baiana (Estoril)

 

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No coração das Galerias do Estoril, o Dona Ana Baiana é o mais recente da lista. Inaugurado em 17 de janeiro de 2026, o restaurante é comandado por Ana Coelho, que teve seu primeiro contato com a cozinha ainda na infância, observando a avó e a mãe prepararem receitas tradicionais.

Antes de chegar a Portugal, Ana montou uma banca de acarajé em São Paulo. A mudança para a Europa, motivada pelo trabalho do marido, não interrompeu o sonho. Pelo contrário, consolidou a ideia de abrir um espaço dedicado à culinária baiana em Cascais.

O restaurante é pequeno, com cerca de 16 lugares, e aposta em um atendimento flexível, sem horários rígidos para os pratos. É possível encontrar desde café da manhã até refeições completas ao longo do dia. O acarajé, principal destaque, é servido aos sábados, acompanhado de vatapá, caruru e salada.

O cardápio inclui ainda moqueca de banana, quiabada, cuscuz, queijo coalho com melaço de cana e salgados como coxinha e quibe. Nas sobremesas, brigadeiro, bolo de milho, bolo de tapioca, doce de banana e pudim. A casa também investe em música ao vivo aos sábados, fortalecendo a proposta de experiência cultural.

Endereço: Rua de Lisboa, 5, loja 40, Galerias do Estoril, 2765-278, Estoril
Telefone: (+351) 937 912 524
Horário: terça a sexta, das 9h às 18h; sábado e domingo, das 10h às 18h

Gostinho da Bahia (Braga)

Em Braga, ao norte de Portugal, o Gostinho da Bahia aposta em uma proposta simples e direta, com foco na comida caseira e nos sabores tradicionais do Nordeste brasileiro. O restaurante funciona em um ambiente familiar e sem formalidades, ideal para quem busca uma refeição descomplicada.

O cardápio inclui pratos como acarajé, moqueca de peixe e carne de sol, preparados com temperos marcantes e porções generosas. A casa atende tanto brasileiros quanto portugueses interessados em experimentar a culinária baiana.

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Endereço: Rua de Barros, 45, 4710-058, Braga
Telefone: (+351) 924 874 062
Horário: quarta e quinta, das 12h às 15h30 e das 19h30 às 22h; sexta e sábado, das 12h às 15h30 e das 19h30 às 23h; domingo, das 12h às 15h30 e das 18h30 às 22h

Boteco da Baiana (Almada)

 

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Localizado em Almada, na região metropolitana de Lisboa, o Boteco da Baiana combina restaurante e bar em um ambiente descontraído. A proposta é oferecer pratos típicos da Bahia tanto para refeições completas quanto para petiscos.

Entre as opções estão acarajé, arrumadinho, feijoada, moqueca e caldo de sururu, prato tradicional feito com marisco. O espaço é voltado para encontros informais, especialmente nos fins de semana.

Endereço: Av. Dom Afonso Henriques, 15B, 2800-011, Almada
Horário: segunda a sexta, das 12h às 22h; sábado, das 12h às 20h

fernanda@revistaentrerios.pt

Fernanda Baldioti
fernanda@revistaentrerios.pt