O empreendedorismo feminino deixou de ser exceção para se tornar força econômica e social
- Brasil
Março 19, 2026
Com as redes sociais, algo que antes não tinha tanto peso passou a ser amplamente exposto: empreender nunca foi apenas abrir um negócio. Para mulheres, então, envolve muito mais. É reinventar caminhos, desafiar expectativas e, muitas vezes, ter coragem de transformar experiências pessoais em projetos de vida. Como se diz popularmente, ‘abrir caminhos com os cotovelos’, e seguir.
Mas, graças à luta de todas, o empreendedorismo feminino deixou de ser exceção para se tornar força econômica e social — no Brasil, em Portugal e em outros países. Elas lideram milhões de grandes e pequenos negócios, muitas vezes conciliando a gestão empresarial com responsabilidades familiares e enfrentando desigualdades históricas de acesso a crédito, formação e oportunidades.
Hoje, me chama a atenção um fenômeno específico: o empreendedorismo migrante. Para citar o universo da EntreRios, destaco brasileiras que chegam a Portugal trazendo na bagagem não apenas sonhos, mas competências, referências culturais e uma notável capacidade de adaptação. Muitas começam do zero — criando restaurantes, marcas de moda, projetos culturais, empresas de serviços e muitos etecéteras. Para quem está tentando incluir-se em outro país, o negócio torna-se, frequentemente, mais do que fonte de rendimento: é também pertencimento.
Da mesma forma, portuguesas encontram no Brasil um mercado fértil para expandir ideias, testar conceitos e dialogar com uma cultura empresarial dinâmica e aberta à inovação. Essa troca cria um ecossistema onde identidade, criatividade e visão estratégica caminham lado a lado. Mas, apesar dos avanços, persistem desafios comuns. O acesso a financiamento continua mais difícil, a liderança feminina ainda enfrenta estereótipos e o equilíbrio entre vida profissional e pessoal permanece uma equação complexa, para dizer o mínimo. Principalmente entre as mulheres de baixa renda com filhos para criar. Essa experiência eu vivi de perto com minha querida mãe. Sou, com muito orgulho, cria desse ambiente. Aprendi que empreendedorismo feminino pode ser, antes de tudo, a capacidade de criar negócios humanizados.
Empreender no feminino, hoje, não é só ocupar espaço no mercado — significa redefinir o próprio conceito de sucesso. Um exemplo? A artesã fluminense dona Benedita, que transformou taboa em arte e, assim, conquistou independência financeira. Hoje, ela ajuda outras mulheres a fazerem o mesmo. Estamos redesenhando o trabalho, lideramos e sonhamos.
E viva o mês internacional das mulheres!
Essa coluna foi publicada originalmente na revista EntreRios.
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