Saúde Mental

O estresse pós-traumático decorrente dos conflitos

Ainda não há um consenso científico para explicar por que algumas pessoas são mais propensas ao TEPT do que outras, mas genética e sensibilidade de cada um ajudam a entender.

Maio 29, 2026

O impacto que os conflitos podem ter nas pessoas. Crédito: Arifur Rahman para Pixabay

Os efeitos da guerra ultrapassam fronteiras e, mesmo longe, podem impactar a nossa saúde mental. Muitas pessoas relatam que estão estressadas, assustadas ou tristes com tanta violência no mundo.
No caso das guerras, com tanta informação que nos chega ao vivo, é possível desenvolver traumas.

Podemos, e devemos, seguir as nossas rotinas, mas não dá para ignorar que as consequências dos conflitos nos atingem, direta ou indiretamente. E, quanto maiores são as incertezas, mais difícil fica gerir o medo.

As marcas deixadas pelo trauma podem levar ao que chamamos de Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT). Pessoas com TEPT revivem constantemente sentimentos e sensações associados ao trauma (medo, insónias, irritabilidade, ansiedade, pensamentos negativos e facilidade em ficar sobressaltado ou nervoso), apesar de os eventos terem ocorrido no passado ou nem terem acontecido com elas pessoalmente.

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Ainda não há um consenso científico para explicar por que algumas pessoas são mais propensas ao estresse pós-traumático do que outras, mas algumas hipóteses incluem fatores genéticos, questões hormonais e a habilidade de cada um em lidar com situações adversas.

Porém, quando o problema se torna crônico, deve ser acompanhado com terapia e apoio social. Quando tentamos dissolver o trauma em um ambiente seguro, como na terapia, é possível uma pendulação entre o lado mais saudável e o lado adoecido de cada um, e assim se vai restabelecendo o equilíbrio.

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O psicanalista Alexander Lowen (1910-2008) defendeu uma integração entre o corpo e a mente, proporcionando maior contacto com a realidade e incentivando as pessoas a lidarem com as suas emoções. Isso permite a descarga das tensões psicológicas através do corpo e o restabelecimento de um fluxo energético saudável no organismo.

A frase “o trauma não está no evento, mas no que posteriormente pensamos dele”, do biofísico e psicólogo Peter Levine, explica essa ideia de que devemos cuidar dos nossos pensamentos.

Criar novas memórias pode ajudar no processo de recuperação, mas, primeiro, é necessário desbloquear os sentimentos, porque resistir ao que nos causa dor atrapalha o processo de cura. Dar um novo sentido à vida é a receita para se libertar das angústias e seguir em frente.

susana@revistaentrerios.pt

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