Cultura

O melhor do cinema de Hong Kong em destaque na “Making Waves”

Seis filmes, entre ficção e documentário, revelam o novo olhar da cinematografia de Hong Kong

Setembro 19, 2025

Papa, de Philip Yung, abre a mostra em Lisboa. Crédito: Divulgação

O cinema de Hong Kong atravessa continentes e chega ao coração de Lisboa, com a segunda edição da mostra Making Waves – Navigators of Hong Kong Cinema, que acontece de hoje até domingo (22) no Cinema Ideal, em Lisboa.

A curadoria é assinada por Vanessa Pimental, portuguesa com ligação profunda ao território chinês, por ter vivido em Macau, e que hoje atua como ponte entre culturas por meio do cinema.

Vanessa Pimentel, que é responsável pela curadoria do festival, acredita na aproximação entre as culturas. Crédito: Jordan Alves

A mostra traz seis longas-metragem, quatro de ficção e dois documentários, que revelam o vigor e a diversidade da produção cinematográfica hongconguesa contemporânea, sem esquecer as suas raízes: 

“Esta é uma mostra que quer dar a conhecer um cinema que é muito mais do que ação e artes marciais”, explica Vanessa. “É uma seleção que inclui obras recentes, de jovens realizadores, e também um clássico restaurado dos anos 80”. 

Entre os destaques da programação está o filme Ah Ying (1983), de Alan Fong, um nome da primeira nova vaga do cinema de Hong Kong.

A obra, restaurada, mistura ficção e documentário, inspirando-se na vida real da atriz Hui So Ying,  que marcará presença na sessão em Lisboa.

O clássico “Ah Ying”, de 1983, de Alan Fong. Crédito: Divulgação

A mostra abre com PaPa, filme multipremiado que aborda de forma sensível e acessível temas familiares. Já All Shall Be Well mergulha em discussões legais e sociais em torno das relações homossexuais, levantando questões universais.

Outro destaque é Montage of Modern Motherhood, da realizadora Oliver Chan, que explora os desafios da maternidade moderna e as desigualdades enfrentadas pelas mulheres. Chan já foi premiada com o seu primeiro filme e promete manter o alto nível neste novo trabalho. 

“Montage of Modern Motherhood”, da realizadora Oliver Chan. Crédito: Divulgação

Na vertente documental, os dois filmes selecionados oferecem olhares muito distintos sobre a vida em Hong Kong. Um deles apresenta o cotidiano de personagens urbanos em relação com a natureza exuberante que cerca a cidade  um lado pouco conhecido do território.

O outro, Four Trails, acompanha uma corrida extenuante de 298 quilômetros em quatro dias, com participantes amadores testando os limites do corpo e da mente.

O filme, sucesso em Hong Kong e recém-lançado no Reino Unido, impressiona também pelas paisagens naturais que retrata: “Hong Kong tem uma paisagem natural mais extensa do que a cidade em si, e isso é algo que muitas vezes passa despercebido”, diz Vanessa.

Jeans Pum, que integra a equipe do festival, afirma que Hong Kong é a “Hollywood” da Ásia. Crédito: Jordan Alves

Mais do que uma mostra de cinema, “Making Waves” propõe uma ponte cultural entre Lisboa e Hong Kong. Para Vanessa Pimental, o objetivo é também provocar o olhar do público português:

“É muito interessante conhecermos como se faz cinema do outro lado do mundo. Que pontos de vista têm eles sobre temas que também nos são comuns”. 

Durante esses quatro dias, o Cinema Ideal que fica na Rua do Loreto 15, 1200-241 Lisboa, transforma-se num espaço de encontro entre culturas, histórias e sensibilidades.

Os bilhetes normais custam 5 euros. Estudantes e maiores de 65 anos pagam 4 euros. Os filmes têm legendas em portugês, inglês e chinês.

jordan@revistaentrerios.pt