MARLUCI MARTINS

A atrocidade de corintianos contra fã de Neymar de 8 anos é imperdoável

Como aceitar que esses monstros sigam frequentando os estádios?

Setembro 2, 2026

Neymar. Crédito: Reprodução Instagram
Neymar. Crédito: Reprodução Instagram

Era, certamente, um menino como outro qualquer da sua idade, oito anos, capaz de ler com autonomia, ainda em busca do controle das emoções e de respostas para as curiosidades. De comportamento oscilante entre a independência e a insegurança. Já capaz de compreender causa e efeito, de ter senso de justiça, de respeitar as regras. E lá foi ele para o estádio, ver o Corinthians jogar, vestido de esperança nas cores do seu time, o preto e o branco. Aquele domingo, 30 de agosto de 2026, tinha tudo para ficar marcado definitivamente por toda a vida.

Ficou mesmo. O ídolo Neymar, do time adversário, o Santos, foi na sua direção e lhe entregou a camisa ainda suada, usada no jogo. O menino desabou em lágrimas, incrédulo por ter sido o felizardo escolhido no estádio lotado, e, talvez, já se dando conta da onda que poderia tirar na escola no dia seguinte. Apesar da derrota por 1 a 0, era um dos melhores dias em oito anos de existência. Durou pouco. Como num sonho, o menino acordou no meio de marmanjos xingando-o de palavrões que ele nem conhecia e de outros mais fáceis que já ouvira na rua, mas que os pais jamais permitiram que falasse em casa. Saiu do estádio escoltado pela polícia com a família, entre objetos arremessados e olhares de ódio daqueles torcedores corintianos. Era um dos piores dias em oito anos de existência.

O fato é real, por isso, o final infeliz, sem heróis e alegria. A monstruosidade dos torcedores do Corinthians não tem defesa, não tem cabimento, não tem nenhum respaldo na histórica rivalidade do futebol. A atrocidade contra um menino que tem ídolos, chora e sorri por eles, independentemente da sua bandeira, é exemplo de covardia e, também, cegueira. Quem hostilizou a criança não viu, em 1993, o maior ídolo da história do Flamengo, Zico, vestir a camisa do rival Vasco da Gama, do amigo Roberto Dinamite, que se despedia do futebol. Eram adversários. Eram amigos. Eram homens de carne e osso, craques que honravam seus clubes.

O futebol, hoje seguindo um modelo tão profissional, não pode ser representado por uma bandidagem camuflada com pele de torcedor, que não tem educação nem bons exemplos a dar ao mundo. É responsabilidade de cada clube banir de suas dependências quem não presta, é urgente salvar as crianças e as demais pessoas de boa índole das ameaças desse bando maldito. Revirem as imagens das câmeras, façam reconhecimento facial dos vagabundos, fechem as portas, expulsem, denunciem. Condenem os selvagens a uma vida à margem do futebol. Não farão falta.

Marluci Martins. Crédito: Divulgação