O que pensam os brasileiros que votarão nas eleições presidenciais de Portugal nesse domingo
Eleições possuem número recorde de candidatos e poderão ser as primeiras a ter segundo turno após 40 anos de democracia no país
- Lisboa
Janeiro 13, 2026
Portugal realiza sua décima primeira eleição presidencial no próximo domingo (18) com a presença de 11 candidatos (número recorde) e a grande possibilidade da realização do segundo turno pela primeira vez desde 1986. Ao todo, pelo menos cinco candidatos (António José Seguro, João Cotrim Figueiredo, André Ventura, Henrique Gouveia e Melo e Luís Marques Mendes) chegam com possibilidades de substituir Marcelo Rebelo de Sousa, que está no poder há dez anos.
Ao todo, mais de 11 milhões de portugueses que vivem no país e no estrangeiro estão aptos a votar.
Entre os brasileiros podem votar aqueles que já possuem a cidadania portuguesa e também aqueles que possuem cartão cidadão, são residentes no país há três anos e detém o estatuto de igualdade de direitos políticos, previsto em acordo entre Brasil e Portugal. Para votar é necessário também ter idade igual ou superior a 18 anos.
Para os cidadãos portugueses, o recenseamento eleitoral já acontece de maneira automática. Já os residentes com direitos políticos precisavam ter realizado o cadastro em uma junta eleitoral próxima até 60 dias antes das eleições. As informações sobre os locais de votação estão aqui.
O voto em Portugal não é obrigatório. Não há uma estatística oficial sobre qual o número de brasileiros com cidadania portuguesa, mas, apenas em 2024, 12 mil brasileiros obtiveram a nacionalidade.
Mas o que pensam os brasileiros que irão votar? A EntreRios ouviu alguns brasileiros que marcarão presença nas eleições presidenciais e destacou quais são seus principais desejos e esperanças para essa mudança e para o cenário político do país.
O atendente de mesa Carlos Gabriel da Silva Andrade é brasileiro mas já vive em Portugal há 21 anos e votou pela primeira vez nas presidenciais de 2021, quando Marcelo Rebelo de Sousa foi reeleito. Ele se mostrou esperançoso com as mudanças que poderão acontecer com a troca de poder.

“A importância de votar aqui é querer e acreditar em uma mudança para Portugal. O país é perfeito, porém a administração pública deixa a desejar em alguns requisitos. O país tem recursos para isso, mas precisa de um governo organizado”, afirmou ele.
Já a advogada Marcelle Chimer está em Portugal há oito anos e participou das duas últimas eleições. Para ela, a participação no processo democrático é uma forma de contribuir ativamente para a sociedade em que vive.
“Moro, trabalho e pago impostos em Portugal, e as decisões políticas tomadas aqui impactam diretamente o meu dia a dia e o de toda a comunidade”, diz.

Ela possui a esperança de que as eleições tragam avanços positivos nas políticas públicas, além de desenvolvimento social e igualdade de oportunidades para todos. Ela também quer contribuir para melhorar a situação para imigrantes.
“Desejo isso especialmente no que diz respeito à inclusão e à garantia de direitos dos imigrantes, que atualmente enfrentam diversas dificuldades, como entraves na regularização documental, acesso limitado a serviços públicos e insegurança jurídica”, ressalta.
A analista de risco Rebeca Teixeira Penna participou de eleições para o Parlamento Europeu e para a Assembleia da República e diz que sempre faz questão de exercer o direito do voto ainda que o voto não seja obrigatório.

“Para que as mudanças sejam de fato possíveis, os cidadãos têm que ter essa participação ativa, pesquisar e entender as propostas. Não gosto da ideia de ficar insatisfeita mas não fazer o que está ao meu alcance pra (tentar) mudar”, destaca.
Ela tem a expectativa de que as eleições sejam muito acirrada e diz estar tensa com os possíveis vencedores. “Espero que a extrema direita saia derrotada”, resume.

Já o geógrafo e investigador em Portugal, Daniel Oliveira, está em Portugal desde 2017 e vai votar pela primeira vez nas eleições portuguesas. Ele tem se mostrado pessimista com o avanço da extrema direita entre os votantes no país mas também se mostra esperançoso com seu voto.
“Tenho alguma esperança de que a extrema direita não vença para demonstrar que o povo ainda acredita em um governo mais humano e menos racista e classista”, destaca.
O senior business analyst, Luis Gustavo Eros de Lima Fernandes, chegou ao país em 2023 e já chegou a participar das eleições. Ele destaca a importância do voto para o futuro do país.
“As eleições influenciam em como o pais será governado e consequentemente em como a vida das pessoas será no futuro. Se você vive em um novo país e quer que as políticas públicas melhorem sua maior oportunidade é votar nas eleições”, destaca, torcendo para que o Chega não seja vencedor.
Luis também acredita que é essencial estimular a educação política nas escolas, mostrando o funcionamento e a complexidade do sistema político. Para ele, é essencial que a sociedade esteja atenta ao que os políticos estão fazendo e façam as cobranças necessárias.
“As pessoas ficam bravas com notícias e redes sociais mas não reagem quando uma lei absurda é aprovada. Nosso voto é importantíssimo, mas é interessante ver como a sociedade aceita um parlamentar cometer grandes “erros” desde que ela seja considerada uma ‘boa pessoa’”, finaliza.
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