Esporte

O Rei está só em seu trono

Sem o bicampeonato mundial, Leonel Messi encerra a Copa do Mundo mais próximo de Pelé. Mas o Rei segue sozinho e soberano em seu reinado

Julho 20, 2026

Pelé é o único jogador da história a conquistar três Copas do Mundo Crédito: Divulgação Conmebol
Pelé é o único jogador da história a conquistar três Copas do Mundo Crédito: Divulgação Conmebol

Para este colunista que vos escreve, mesmo se a Argentina fosse campeã mundial, com o gol do título marcado por Lionel Messi, nada mudaria. Sem o título, o craque argentino se despede do Mundial sem alcançar o único lugar do futebol que continua ocupado por um único homem: o trono do Rei Pelé.

A conquista da Copa do Mundo de 2022 fez Messi se sentar definitivamente à mesma mesa dos maiores gênios do esporte. A vitória sobre a Inglaterra nesta Copa, justamente o adversário que fez de Maradona um Deus na Argentina na Copa de 1986, parecia conduzi-lo ao último degrau. Faltava apenas vencer mais uma final. Mas a Espanha impediu. E, com isso, Pelé terminou esta Copa mais soberano e incontestável do que nunca.

Não que Messi tenha deixado de ser um gênio. Sua carreira tampouco perdeu brilho. Com seus 919 gols, o argentino continuará dono de oito Bolas de Ouro, de uma coleção quase infinita de recordes, de uma Copa do Mundo, da vice artilharia na história dos Mundiais  e de uma trajetória que o coloca entre os maiores jogadores que o esporte já produziu. Porém, há uma fronteira que ele não conseguiu atravessar. Pelé continua sendo o único jogador tricampeão mundial.

É um feito que resiste ao tempo e a nomes como Cruyff, Beckenbauer, Maradona, Zidane, Ronaldo, Ronaldinho, Iniesta, Xavi e Cristiano Ronaldo. E agora resiste também a Messi. Os números ajudam a explicar por quê.

Pelé disputou “apenas” quatro Copas do Mundo. Conquistou três delas. Em 1958, foi campeão aos 17 anos; em 1962, levantou novamente a taça; e, em 1970, comandou aquela que, para muitos, continua sendo a maior seleção da história. Venceu 75% dos Mundiais que disputou.

Messi, por exemplo, precisou de seis Copas para conquistar uma. Isso não diminui sua carreira. Apenas dimensiona o tamanho da de Pelé. Há quem argumente que o futebol mudou, que hoje é muito mais difícil conquistar uma Copa do Mundo. Pode até ser verdade. Mas o que marca mesmo um jogador e uma seleção são os títulos conquistados. E, nesse reinado, Pelé continua soberano.

Esta Copa parecia desenhada para coroar definitivamente Messi como o novo rei do futebol. Foi artilheiro da competição durante boa parte do torneio, protagonista na vitória contra a Inglaterra, justamente o adversário que eternizou Maradona, e chegou à sua terceira final de Mundial. Estava a um jogo de conquistar dois títulos em sequência e igualar um feito que nenhum jogador alcança desde os anos 1960. Não conseguiu. E dificilmente conseguirá, a não ser que desafie o tempo como nenhum outro desafiou e, aos 43 anos, jogue o Mundial de 2030, que terá como uma das sedes justamente a sua Argentina.

Durante muito tempo, disseram que Messi precisava ganhar uma Copa para se sentar à mesa de Pelé. Ganhou. Depois, afirmaram que precisava derrotar a Inglaterra, como Maradona. Derrotou. Restava apenas o trono. Mas o gol do espanhol Ferran Torres, no segundo tempo da prorrogação, fechou-lhe o caminho.

Após mais de um mês de Copa do Mundo, muita coisa mudou no futebol. Surgiram novos heróis, novas seleções e novas histórias. O topo da história, porém, continua exatamente no mesmo lugar. O Rei Pelé segue só em seu trono.

Chico Silva. Foto: Divulgação