O sono merece respeito
A pressão por produtividade faz muitas pessoas se sentirem culpadas por simplesmente dormir bem
- Lisboa
Julho 29, 2025
O preconceito tem raízes culturais e econômicas na ideia de que é mais vantajoso ter trabalhadores dados ao sacrifício do que dedicados à própria saúde.
Prêmios de produtividade, bônus e elogios aos funcionários mais esforçados seguem essa lógica. O problema é que, lá na frente, alguém precisa pagar a conta aberta por esses excessos.
É o que está acontecendo. O absentismo no trabalho causado pelo cansaço ajuda a provar que o repouso é essencial para produzir bem.
Quem tem insónia sabe o quanto é angustiante estar cansado, dormir mal, acordar várias vezes durante a noite e, no dia seguinte, sentir-se sem energia.
A Sociedade Portuguesa de Pneumologia estima que mais da metade da população dorme mal, e 24% dizem acordar cansados. No Brasil, de acordo com a Fundação Oswaldo Cruz, 72% sofrem de doenças relacionadas ao sono.
Excesso de trabalho, preocupações com filhos, falta de rede de apoio e uma rotina marcada por prazos e obrigações – além de dificuldades financeiras e de relacionamento podem tirar o sono.
Um problema leva a outro, A insônia adoece, aumenta as chances de desenvolver males como hipertensão e alterações metabólicas (ganho de peso e diabetes), prejudica o sistema imunológico, afeta o humor e eleva os níveis de estresse e ansiedade.
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As gerações mais jovens, conectadas com a saúde, rejeitam o discurso de que descansar é coisa de preguiçoso e valorizam mais o direito a pausas. Alinhada com esse espírito, uma multinacional sueca de móveis criou um slogan brilhante: “Acordem! É preciso dormir.
É inquestionável que sono, alimentação e atividade física são fundamentais para a saúde física, mental e emocional.
Um adulto deve dormir entre sete e oito horas por noite. As mulheres precisam de um pouco mais, devido a variações hormonais que tornam o sono mais leve e fragmentado.
A falta de descanso aumentou o uso de hipnóticos viciantes e o consumo de alimentos, refrigerantes, energéticos, álcool e drogas. Os vícios só agravam o problema, pois apenas o repouso dá ao corpo o tempo necessário para ativar os mecanismos internos de reparação e recuperação.
Dormir não é perder tempo. Quem não conseguir resolver o problema sozinho deve pedir apoio. Há muitos profissionais de saúde que podem ajudar.
O descanso merece respeito- e só ele cura.
Esta coluna é parte da segunda edição da revista EntreRios, distribuída nas principais bancas de Portugal. Você também pode assinar e receber a publicação no conforto da sua casa, além de ler a publicação completa.