Economia

O Web Summit da IA: aproveite para desaprender e recomeçar tudo

No maior evento de tecnologia do mundo, Lisboa vira palco da revolução da inteligência artificial e mostra o protagonismo de Brasil e Portugal na inovação

- Brasil

Novembro 11, 2025

Lisboa se transforma no centro da inovação global com o Web Summit 2025, onde a inteligência artificial redefine negócios, trabalho e o futuro digital. Crédito: Aziz Filho.

Alguns eventos servem para atualizar tendências. Outros, para transformar. O Web Summit 2025, aberto ontem em Lisboa, é desse segundo tipo. Quem vai a uma feira dessas dimensões — seja empreendedor, estudante ou curioso — passa a olhar para o futuro do trabalho e dos negócios com lentes nunca dantes navegadas. A IA (Inteligência Artificial), que está no ar que se respira no Parque das Nações, não é mais uma promessa. É o novo chão sob nossos pés.

O ministro Adjunto e da Reforma do Estado português, Gonçalo Matias, na cerimônia de abertura, resumiu o espírito disruptivo do encontro ao dizer que “Portugal tem todas as condições para se tornar um líder mundial em Inteligência Artificial”.

A declaração soa um pouco exagerada, mas reflete o sentimento geral do ecossistema do Summit: estamos diante de uma virada histórica e ninguém quer ficar de fora. As inscrições para protagonistas estão abertas.

Um mundo reprogramado

Com mais de 70 mil participantes, 2.500 startups e mil investidores de 160 países, o Web Summit 2025 transforma Lisboa, nesta semana, no epicentro da tecnologia. E tudo o que se pensa e se deseja por aqui é descobrir como usar IA — ou AI — para reinventar negócios, profissões e até a forma de pensar.

O empreendedor que antes se perguntava “quando vou usar IA?” passa a encarar outra questão: “o que acontece se eu não usar?”. Talvez não seja necessário — mas ajuda — perambular entre os pavilhões da Feira Internacional de Lisboa e do MEO Arena para encontrar a resposta: você vai ficar tão parado quanto aquela pessoa que rejeitou o celular por apego às fichas de orelhões e cabines telefônicas. Ou seja, quem não perder a ojeriza à tecnologia pode ir dando tchauzinho.

Exemplos da revolução

Basta olhar para algumas ideias apresentadas no evento para perceber o salto. Uma startup brasileira desenvolve “agentes de IA” que conversam com clientes, vendem e resolvem dúvidas. É o atendimento digital ganhando empatia e eficiência humanas.

Outra, portuguesa, usa IA para prever movimento em restaurantes, ajustar equipe e estoque automaticamente. Menos desperdício, mais lucro e melhor experiência para o cliente.

Há também uma que analisa câmeras em tempo real para detectar comportamentos suspeitos e melhorar a segurança pública. Muda tudo.

Web Summit Lisboa 2025 reúne profissionais de diversas áreas, pesquisadores, estudantes e interessados em acompanhar tendências do setor tecnológico. Crédito: António Pedro Santos/Lusa.

A IA não é mais laboratório: é ferramenta diária que decide, antecipa, aprende e, cada vez mais, substitui o improviso humano pela precisão algorítmica.

E o melhor: grande parte dessas soluções nasce em economias emergentes, onde a criatividade costuma valer mais do que o orçamento.

Chance de ouro em nossos países

Brasil e Portugal nunca conseguiram sair das beiradas da revolução industrial. Agora, na era digital e cognitiva, países assim ganham uma chance de alterar o mapa das civilizações avançadas, rumo ao centro. O Brasil apresentou mais de 300 startups em Lisboa. Portugal, por sua vez, aposta em programas nacionais de inovação, como o Road 2 Web Summit, que apoiou 115 startups — mais de um terço delas lideradas por mulheres.

No Web Summit 2025, Lisboa respira inteligência artificial e mostra como Brasil e Portugal buscam espaço no novo mapa global da tecnologia. Crédito: Divulgação/Apex Brasil.

O sucesso de uma nação agora não depende de matéria-prima ou fábrica, mas sim de talento e imaginação. O novo mundo pós-industrial está aberto a quem sabe construir com código, dados e ideias.

O jornalista Vicente Nunes, do Público Brasil, destacou uma declaração do presidente executivo do Web Summit, Pady Cosgrave, segundo a qual o PIX brasileiro é a “maior surpresa” dos últimos anos e o mundo deve voltar “todos os olhos para o PIX”, o sistema eletrônico de pagamentos e transferências de recursos criado pelo Banco Central do Brasil.

Para Cosgrave, o PIX é um fato extraordinário, ao ponto de inspirar a ira do homem mais poderoso do mundo. Donald Trump incluiu a forma de pagamento entre os motivos para a sobretaxa dos produtos brasileiros, pelo prejuízo que causa às bandeiras de cartão de crédito americanas.

Esquecer para aprender

A Inteligência Artificial está redefinindo o que significa empreender, aprender e até sonhar. O velho manual dos negócios — aquele baseado em hierarquia, intuição e rotina — não serve mais.

Agora é tempo de observar, experimentar e reaprender a cada nova atualização de software. Como disse um dos organizadores do evento: “este não é apenas o maior Web Summit de sempre, é o mais importante, porque o mundo da tecnologia está mudando diante dos nossos olhos”.

E se o mundo está mudando, o melhor lugar para começar de novo é aqui: no cruzamento entre Lisboa e o futuro.

Como a transparência também é, ou deveria ser, uma tendência do mundo novo, é preciso dizer que este artigo teve uma mãozinha de um app de inteligência artificial. Seria impossível correr atrás de cada informação entre os trocentos stands e pavilhões do Summit. Mesmo recorrendo à IA, os joelhos chegam ao fim do dia no Web Summit precisando de AI — no caso, o velho anti-inflamatório.

Imagem criada por IA.
aziz.filho@avenidacom.com.br