Cultura

Oscar 2026: “O Agente Secreto” vai representar o Brasil

O longa foi escolhido nesta segunda (15). “Banzo” vai representar Portugal na premiação

Setembro 15, 2025

O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho, vai representa o Brasil na disputa de vaga ao Oscar 2026. Crédito: Divulgação

A Academia Brasileira de Cinema anunciou nesta segunda (15) que o filme O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho, será o representante do Brasil no Oscar 2026 na categoria de Melhor Filme Internacional. A decisão foi anunciada durante uma transmissão ao vivo. A 98ª edição dos Oscar está marcada para  o dia 15 de março de 2026, no Dolby Theatre, em Hollywood. 

O Agente Secreto já era um dos mais cotados. O longa foi aclamado no Festival de Cannes em 2025, onde conquistou os prêmios de Melhor Filme da Crítica e Melhor Ator para Wagner Moura.

A EntreRios conversou com o diretor Kleber Mendonça Filho. Veja abaixo.

Outros candidatos

Com obras plurais, o cinema brasileiro mostrou força, pluralidade e criatividade nas produções no último ano. Entre os seis filmes que buscavam a indicação, dois se destacavam pelo viés político, abordando períodos de repressão e resistência.

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Histórias de denúncia social também disputavam a indicação brasileira. A diretora Mariana Brennand concorreu com Manas, inspirado nos casos de exploração sexual infantil na Ilha do Marajó, no Pará.

Exibido também em Cannes, o filme foi premiado por sua relevância social. Na obra Tielle (Jamilli Correa), uma menina de 13 anos que vive com a família em uma palafita, enfrentando pobreza e vulnerabilidade. O filme teve uma pré-estreia em Hollywood este fim de semana onde Sean Penn e Julia Roberts promoveram exibição de Manas, em Los Angeles, na campanha do filme para o Oscar. 

Julia Roberts, Dira Paes e Marianna Brennand divulgando “Manas” Crédito: Shayan Asgharnia

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Outro forte candidato era O Último Azul, de Gabriel Mascaro, vencedor do Prêmio da Crítica em Berlim este ano. O longa propõe uma alegoria distópica sobre regimes autoritários, sem situar a narrativa em uma época específica. Na trama, idosos são condenados ao isolamento, enquanto a história revela um ambiente de opressão e resistência.

O filme estreou em Portugal no último dia 5 e disputava para representar o Brasil no Oscar. Crédito: Divulgação

Do Rio de Janeiro o representante foi Kasa Branca, de Luciano Vidigal, que já coleciona prêmios em festivais nacionais. Inspirado em histórias reais, retrata a vida na Chatuba, em Mesquita, na Baixada Fluminense. O longa acompanha três adolescentes: Dé, Adrianim e Martins e a relação afetiva de Dé com sua avó Dona Almerinda, que enfrenta o Alzheimer.

Outro concorrente era Baby, de Marcelo Caetano, ambientado em São Paulo. O filme, exibido em uma mostra paralela em 2024, rendeu a Ricardo Teodoro o prêmio de Melhor Ator. A trama aborda juventude, masculinidade e crítica social em cenários urbanos.

Fechando a lista estava Oeste Outra Vez, de Érico Rassi. O longa retrata homens rudes e frágeis em conflito, com rivalidades violentas que remetem à tradição dos filmes do gênero, mas com sotaque e identidade brasileiros.

Ambientado em 1977, durante a ditadura militar, o longa acompanha Marcelo, um professor de tecnologia que tenta recomeçar a vida em Recife, mas acaba mergulhado em um universo de espionagem e paranoia.

Portugal escolhe “Banzo” para o Oscar 2026

O filme Banzo, da diretora Margarida Cardoso, foi selecionado como o candidato oficial de Portugal à categoria de Melhor Filme Internacional.

A escolha foi feita pelos membros da Academia Portuguesa de Cinema (APC), que votaram entre 22 de agosto e 10 de setembro. A obra superou outros quatro concorrentes: Hanami, Os Papéis do Inglês, Sobreviventes e Sonhar com Leões.

“Banzo” vai representar Portugal na disputa pelo filme de Melhor Filme Internacional no Oscar. Crédito: Divulgação

Aclamado pela APC pela sua “força visual” e “narrativa intimista”, Banzo revisita a herança do colonialismo português em África, com uma reflexão contemporânea sobre identidade, dor e memória coletiva.

A trama, situada no início do século XX numa ilha tropical africana, acompanha um médico da metrópole, interpretado por Carloto Cotta, enviado para tratar escravos negros forçados a trabalhar em plantações e que estão a morrer de tristeza profunda. A obra promete impactar o público internacional com sua abordagem sensível e crítica sobre o passado colonial.

jordan@revistaentrerios.pt