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PGR pede condenação de Bolsonaro por tentativa de golpe e outros quatro crimes

Procurador-geral diz que trama antidemocrática foi organizada para manter ex-presidente no poder e depor governo eleito

Julho 15, 2025

Bolsonaro e aliados são acusados de organização criminosa armada, golpe de Estado e ataque à democracia. Crédito: TV JUSTIÇA/REPRODUÇÃO.

O procurador-geral da República, Paulo Gustavo Gonet Branco, pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro e de outros sete acusados por envolvimento na tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022.

Em alegações finais apresentadas nesta segunda-feira (14), Gonet afirma que os réus integraram uma organização criminosa armada e agiram para impedir o funcionamento dos poderes da República e depor um governo legitimamente eleito.

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A Procuradoria-Geral da República imputa a Bolsonaro cinco crimes: tentativa de golpe de Estado, abolição violenta do Estado Democrático de Direito, organização criminosa armada, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado.

A acusação, segundo o procurador-geral, baseia-se em um “amplo conjunto probatório”, que inclui manuscritos, trocas de mensagens, arquivos digitais e planilhas.

Para Gonet, os elementos reunidos evidenciam uma “trama conspiratória contra as instituições democráticas”. Ele ressaltou que a denúncia não trata de episódios isolados, mas de uma sequência articulada de ações voltadas à ruptura da ordem democrática.

Além de Bolsonaro, o pedido de condenação inclui Alexandre Ramagem, Almir Garnier, Anderson Torres, Augusto Heleno, Mauro Cid, Paulo Sérgio Nogueira e Walter Braga Netto.

A PGR também solicita que seja fixado um valor mínimo para reparação dos danos, conforme o artigo 387, inciso IV, do Código de Processo Penal.

A ação penal julga o chamado núcleo central dos atos antidemocráticos, apontado como responsável por planejar e articular uma permanência autoritária no poder. Bolsonaro, em declarações anteriores, afirmou ser inocente.

O prazo para a manifestação da defesa de Mauro Cid, delator do caso, começou a contar nesta segunda-feira. Depois disso, os demais réus terão 15 dias para se manifestar. A expectativa é que o julgamento pela Primeira Turma do STF ocorra em setembro.