Por que só dá Brasil na final da Libertadores
Desde 2019, todas as finais têm clubes brasileiros. Estrutura, gestão e investimento explicam a nova hegemonia sul-americana
- Brasil
Dezembro 3, 2025
Há alguns anos, este título seria visto como chiste ou peça de ficção. Mas virou realidade. Desde 2019, todas as decisões da Copa Libertadores da América tiveram pelo menos um clube brasileiro em campo — e quatro delas foram 100% nacionais.
O que antes parecia um ciclo passageiro se consolidou como uma supremacia, sustentada por finanças sólidas, elencos cada vez mais competitivos e gestão profissional, especialmente de Palmeiras e Flamengo, que não por acaso fizeram sua segunda final da década.
A virada espetacular do time paulista sobre os equatorianos da LDU — depois de perder por 3 a 0 em Quito, golearam por 4 a 0 em São Paulo — simboliza essa era.
Mas a façanha não nasceu apenas da qualidade técnica do time dirigido pelo ótimo técnico português Abel Ferreira, mas também da estrutura criada fora das quatro linhas. Com estádios modernos, centros de treinamento de padrão europeu e receitas bilionárias, o futebol brasileiro atingiu um nível difícil de ser alcançado pelos vizinhos.
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Clubes como Palmeiras, Flamengo e Botafogo, não por coincidência campeões continentais nos últimos anos, movimentam orçamentos que chegam à casa do bilhão de reais, ou até ultrapassam. Na Argentina, só o River Plate se aproxima desse patamar.
No restante da América do Sul, o abismo é mais profundo, e a consequência é visível: semifinais e finais com cara de Campeonato Brasileiro, enquanto os antigos protagonistas — Boca Juniors, Independiente, Peñarol — tentam sobreviver com realidades econômicas distantes.
O domínio não se explica apenas pela quantidade de dinheiro. É preciso saber usá-lo. Os brasileiros investiram em gestão, formação de atletas, análise de desempenho e planejamento de longo prazo. A combinação entre estrutura, talento e mercado interno forte criou um ecossistema que permite contratar craques que antes miravam apenas a Europa.
A final de 2025 foi mais do que o confronto entre gigantes. Palmeiras e Flamengo são os maiores símbolos desse novo modelo que alia planejamento minucioso com investimentos pesados.
A Copa Libertadores do Brasil é hoje um reflexo da disparidade econômica e organizacional que transformou o futebol sul-americano no quintal brasileiro, que vai do Caribe colombiano à Patagônia argentina.
Essa coluna foi publicada originalmente na revista EntreRios.
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