Tendência

Por que tantos jogadores usam chuteiras rosas na Copa do Mundo de 2026?

Marcas apostaram na mesma cor para ganhar destaque nos gramados, mas estratégia acabou ressaltando o rosa

Junho 18, 2026

Neymar utilizando Puma. Reprodução/Instagram @pumafootball │ Kylian Mbappé com a chuteira da Nike. Reprodução/Instagram @nikefootball │ Lamine Yamal usando as chuteiras da Adidas. Reprodução/Instagram @adidas

Quem acompanhou os primeiros jogos da Copa do Mundo de 2026 percebeu um detalhe que se repetiu nos gramados dos Estados Unidos, México e Canadá: a presença cada vez mais frequente de chuteiras rosas nos pés de alguns dos principais jogadores do torneio. O fenômeno, que chamou a atenção de torcedores e especialistas em marketing esportivo, não é resultado de uma ação coordenada entre fabricantes, mas de uma curiosa convergência de estratégias adotadas pelas maiores marcas do setor.

Nike, Adidas, Puma, New Balance e Skechers lançaram coleções especiais para o Mundial apostando em tonalidades de rosa ou em cores muito próximas. Cada empresa apresentou uma justificativa diferente para a escolha. Em entrevista ao jornal The Athletic, Odinga Nimako, integrante da equipe global de desenvolvimento de chuteiras da Nike, explicou que a decisão foi motivada pela crescente procura de atletas e consumidores por cores mais ousadas.

“O que temos ouvido constantemente dos atletas e dos consumidores, especialmente quando se trata de grandes momentos, é que as cores vibrantes lhes dão confiança. Esse foi realmente o nosso ponto de partida”, afirmou Nimako.

 

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O resultado foi um impacto visual marcante. As chuteiras se destacam no verde dos gramados, facilitando a identificação dos jogadores tanto para quem acompanha as partidas nos estádios quanto para os milhões de telespectadores ao redor do mundo. O efeito é potencializado pelo fato de nenhuma das 48 seleções participantes utilizar o rosa como cor predominante em seu uniforme.

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Apesar da tendência, alguns atletas optaram por modelos que fogem da predominância da cor. As chuteiras El ultimo tango, de Lionel Messi, fabricadas pela Adidas, são brancas e azul-claras, em referência às cores da Argentina, com detalhes dourados. Já as Kidsuper ultra 6, usadas por Christian Pulisic e produzidas pela Puma, apresentam estrelas azuis sobre fundo branco, em alusão à bandeira dos Estados Unidos.

 

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Para especialistas em marketing, o fenômeno pode ser explicado pelo conceito de commodity criativa. A expressão é utilizada quando produtos originalmente diferenciados passam a seguir padrões semelhantes aos dos concorrentes, reduzindo sua exclusividade.

O profissional de marketing e influenciador João Branco foi um dos que chamaram a atenção para o tema nas redes sociais. Em uma publicação no Instagram, ele afirmou ter se surpreendido ao perceber que diferentes marcas chegaram à mesma solução visual.

 

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“Por que quase todos os jogadores da Copa estão usando chuteira rosa? No começo, achei que todos estivessem usando o mesmo modelo ou fossem da mesma marca. Mas não é o caso. São diferentes seleções, diferentes chuteiras e diferentes marcas, quase todas da mesma cor”, disse.

Segundo ele, a coincidência se torna ainda mais curiosa porque as fabricantes disputam visibilidade justamente em um dos poucos equipamentos esportivos nos quais os atletas podem exibir os patrocinadores individuais durante as partidas.

“Existe um detalhe aqui: a chuteira é um dos poucos itens em que os jogadores podem usar a marca de seus patrocinadores individuais. Por isso, Nike, Adidas, Puma e New Balance disputam atenção dentro do jogo”, explicou.

Na avaliação do especialista, a escolha da cor pode estar relacionada à busca por maior destaque visual durante as transmissões.

“Talvez todos tenham pensado na cor que mais se destaca no gramado verde, justamente para ficar chamativa e diferente”, afirmou.

O curioso é que a estratégia pode ter produzido um efeito distinto do inicialmente planejado. Em vez de destacar apenas as marcas, a multiplicação de modelos semelhantes acabou transformando a própria cor no centro das atenções.

“O plano era chamar atenção para a marca, mas acabaram chamando atenção para a cor. A Copa inteira ficou com chuteiras rosas”, observou Branco.

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Apesar de reduzir a diferenciação entre os fabricantes, o movimento pode gerar ganhos comerciais para todo o setor. Isso porque a exposição simultânea de atletas de elite utilizando o mesmo tom cria uma associação positiva entre o produto e o alto desempenho esportivo.

“Por um lado, as marcas ficaram menos diferentes entre si. Por outro, acabaram criando, sem querer, a sensação de que os melhores jogadores de futebol do mundo usam chuteira rosa. De agora em diante, as vendas de chuteiras rosas vão disparar no mundo”, concluiu.

fernanda@revistaentrerios.pt

Fernanda Baldioti
fernanda@revistaentrerios.pt