Portugal é o país europeu com maior crescimento de imigrantes
Números da Pordata mostram que país passou de pouco mais de cinco mil estrangeiros em 2012 para mais de 133 mil em 2023
- Lisboa
Fevereiro 26, 2026
Um levantamento da Pordata, base de dados da Fundação Francisco Manuel dos Santos, e da Eurostat mostrou que Portugal é o país com maior crescimento no número de imigrantes entre 2012 e 2023, com taxa de 34,3%, seguido por Estônia (30,3%) e Lituânia (30,2%). A União Europeia teve uma média de aumento de 8,8%.
Portugal registrou a entrada de 5.177 estrangeiros em 2012, enquanto o número saltou para 133.256 imigrantes residentes no país em 2023.
Apesar disso, Portugal está longe de ser o país com maior percentual de população estrangeira residente, com apenas 9,6%, ficando em 12º lugar. Luxemburgo é o primeiro com 47,3%.
A Eurostat coletou dados de 27 países do bloco europeu e traz indicadores diversos como temas como economia, população, demografia, rendimentos, trabalho, energia e meio ambiente. A plataforma da Pordata foi lançada como comemoração dos 40 anos da adesão de Portugal à então CEE (Comunidade Econômica Europeia), em janeiro de 1986.
A chegada de imigrantes também coincide com o período de maior envelhecimento e diminuição da população jovem em Portugal, embora os movimentos também sejam uma tendência em toda a Europa.
Entre 2012 e 2023, a população com até 15 anos passou de 16,2% para 12,8% no país lusitano (terceiro menor índice do continente), enquanto a população com 65 anos ou mais passou de 16,3% para 24,1%.
Com esse percentual, Portugal também é o segundo país mais envelhecido, com uma proporção de apenas 53 jovens para cada 100 idosos, apenas perdendo para a Itália. O país mais jovem da Europa é a Irlanda com uma proporção de 122 jovens para cada 100 idosos.
A população em idade ativa também caiu em quase todos os países e Portugal não foi exceção passando de 67,4% para 63,1%.
Os números também se refletem na quantidade de famílias sem crianças que aumentou 6,8% na variação entre 2012 e 2023, quinto maior índice do continente. Ao todo, em 2024, apenas 25,6% dos agregados familiares possuem crianças, o 10º maior índice da Europa.
Contribuições e trabalho
Os números confirmam uma tendência clara de que Portugal precisa cada vez mais da população imigrante para continuar tendo a mão de obra para o desenvolvimento econômico do país e também para continuar garantindo as contribuições necessárias para as pensões e aposentadorias dos idosos.
Um estudo do Centro de Formação Prepara Portugal, com base em dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), da Agência para a Integração, Migrações e Asilo (Aima), da Pordata e do próprio sistema previdencial mostrou que Portugal precisará de 1,3 milhão de novos trabalhadores até 2030 para garantir o equilíbrio financeiro da Segurança Social.
Para isso precisará de um patamar de dois trabalhadores e meio no ativo por cada pensionista para assegurar o financiamento regular das pensões nas próximas décadas. Atualmente, essa proporção fica em torno de 1,7 trabalhador por reformado.
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O crescimento do número de imigrantes no mercado formal de trabalho também aumentou entre 2024 e 2025 (aumento de 4,12%), enquanto o número de portugueses caiu (queda de 0,27%) no mesmo período.
Ao todo, os estrangeiros representam 19,64% do total de 5.635.513 trabalhadores formalizados em Portugal. Os brasileiros são, disparadamente os imigrantes mais empregados em Portugal com 412.603 postos de trabalho ao final de novembro de 2025. Ao todo, isso representa 37,26% do total de estrangeiros que trabalham no país.
Já há mais de 500 mil brasileiros regularizados, podendo chegar a quase um milhão contando os binacionais e aqueles em processo de regularização. Os brasileiros contribuíram com 6,07 bilhões de euros para a Segurança Social entre dezembro de 2015 e dezembro de 2025.
O número subiu consideravelmente nos últimos anos. Em 2015, os brasileiros contribuintes eram de apenas 45.530, enquanto em 2025 esse número subiu para 409.562, um aumento de quase 800%.
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