Prejuízo para os imigrantes: greve e paralisações no sistema em todo o país marcam a semana na Aima
Greve de funcionários por melhores salários e falhas no sistema prejudicam aqueles que já tinham agendamentos marcados há tempos
- Lisboa
Abril 1, 2026
Imigrantes têm enfrentado dificuldades no atendimento da Agência para a Integração, Migrações e Asilo (Aima) nos últimos dias. Após mais uma greve realizada na segunda-feira (30) — a segunda em duas semanas — por mediadores culturais que reivindicam melhores condições de trabalho e salários, estrangeiros também relataram problemas no sistema na terça-feira (31) e quarta-feira (1º), especialmente para o registro e atualização de dados necessários à renovação do título de residência.
A reportagem da EntreRios recebeu relatos de que os problemas ocorreram nas cidades do Porto e de Viseu ao longo de toda a terça-feira, ainda não tinham sido solucionados. Nessa quarta-feira (1º), novos relatos também deram conta de que o sistema estava fora do ar novamente.
Pessoas que se deslocaram para o atendimento acabaram prejudicadas e agora terão de aguardar um novo agendamento.
A brasileira Caroline Rodrigues compareceu à sede da Aima em Coimbra nessa quarta-feira (1º) para renovar o título de residência de trabalho e logo foi informada de que o sistema estava fora do ar. Mesmo assim, a funcionária responsável digitalizou os documentos e registrou sua digital para adiantar o processo. Ao todo, ela esperou por três horas por uma resolução, mas sem sucesso.
“A falha do sistema não permitiu que o processo fosse concluído. A atendente até pediu meus dados para contato mas disse que eu tenho que esperar o contato por email para reagendamento, porém sem um prazo pra que isso acontecesse ou até mesmo sem informação se seria no mesmo lugar”, relatou ela.
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Recentemente, também foi relatado que a loja da Aima em Leiria estava fechada desde as enchentes que atingiram a cidade e que o agendamento presencial não havia sido retomado. Porém, quem tinha agendamento presencial para o local não foi informado sobre o fechamento do espaço.
Greve
Nessa segunda-feira (30), 200 mediadores culturais que atuam no acolhimento a imigrantes fizeram uma paralisação na frente da sede do governo português para exigir um vínculo formal com a Aima.
Segundo a Federação Nacional dos Sindicatos dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais (FNSTFS) declarou à Lusa, há diversos casos de trabalhadores que permanecem em situação precária, especialmente em relação aos baixos salários.
“São situações de injustiça atrás de injustiça. Estamos a exigir a abertura de um concurso para a integração destes trabalhadores, em carreiras de técnico superior e assistente técnico da administração pública, com direito a salário justo e com direito ao pagamento de trabalho extraordinário, que neste momento não têm. O único culpado desta situação é o Governo, é a tutela da AIMA, porque não resolve um problema reivindicado pelos mediadores socioculturais subcontratados “, disse Artur Sequeira, presidente da Federação.
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A associação afirma que a greve chegou a 80% de adesão no Porto, Lisboa e Faro. Essa é a segunda greve pela segunda semana seguida de funcionários da Aima. Pessoas que tiveram seus agendamentos marcados há meses terão que buscar outra data para serem atendidas.
A Aima, porém, afirmou que “não teve impacto no serviço de agendamentos para tratamento de processos administrativos, tendo sido efetuados a quase totalidade dos atendimentos previstos no âmbito da regularização documental”.
renan@revistaentrerios.pt