Educação

Presença de imigrantes no ensino superior em Portugal mais do que duplicou em 10 anos

Estudo do Prepara Portugal mostrou que há estrangeiros têm aumentado cada vez mais a escolarização no país europeu

Março 20, 2026

Índice de escolarização entre imigrantes é maior do que entre portugueses. Crédito: Divulgação Prepara Portugal

Um estudo do Centro de Formação Prepara Portugal apontou que o número de estudantes internacionais nas universidades portuguesas mais do que duplicou em dez anos, passando de cerca de 20 mil em 2015 para aproximadamente 42 mil em 2024, o que representa aproximadamente um em cada dez estudantes do ensino superior no país.

Os dados são da Direção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência (DGEEC) e da Pordata. O estudo foi desenvolvido no âmbito do curso de Análise de Dados e TI Aplicada à Gestão, e coordenado pelo formador Pedro Stob.

Em relação ao doutorado, o peso dos estudantes internacionais é ainda mais expressivo. Cerca de 34%, ou seja, um em cada três, dos alunos de doutoramento em Portugal são imigrantes.

Para Higor Cerqueira, fundador e diretor pedagógico do Prepara Portugal, os números confirmam a consolidação de Portugal como destino acadêmico internacional.

“Portugal tem-se afirmado cada vez mais como um polo de atração para estudantes de diferentes partes do mundo. A presença crescente de estrangeiros nas universidades mostra que o país ganhou relevância no cenário acadêmico internacional”, afirma.

Este cenário contribui também para contextualizar um fenômeno mais amplo observado entre os residentes no país. Dados do último Censo do Instituto Nacional de Estatística (INE), com base ainda em informações da Agência para a Integração, Migrações e Asilo (Aima), indicam que quase um em cada quatro imigrantes residentes em Portugal possui ensino superior.

Entre os estrangeiros, 24,24% têm formação superior, proporção ligeiramente acima da registrada entre cidadãos portugueses, de 24,09%.

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Para Cerqueira, estes dados confirmam uma mudança no perfil da imigração recente. “A análise indica que a qualificação da população imigrante tem aumentado ao longo da última década. Entre algumas comunidades estrangeiras, o crescimento da escolaridade é particularmente expressivo. No caso de Angola a proporção passou de 7,4% em 2011 para 22,6%”, afirma.

Apesar deste nível de qualificação, muitos estrangeiros acabam por ocupar funções que não exigem formação superior. Em setores como restauração e construção civil, cerca de um em cada cinco trabalhadores imigrantes possui ensino superior, com 21,24% na restauração e 19,93% na construção.

O estudo aponta que a discrepância entre formação e ocupação profissional tem levado muitos imigrantes a procurar formação complementar e novas competências depois de chegarem ao país.

“Esta realidade mostra que existe um capital humano qualificado que muitas vezes não é plenamente aproveitado. A formação profissional pode ser a ponte entre o potencial destes profissionais e as oportunidades reais do mercado”, sublinha Cerqueira.

A população imigrante apresenta também um perfil mais jovem e ativo. 85,5% dos estrangeiros residentes encontram-se em idade ativa, entre os 18 e os 64 anos, enquanto entre os cidadãos portugueses essa proporção é de cerca de 65,5%.

Estrangeiros melhoram índices de escolarização

Um estudo da Pordata em parceria com a Fundação Francisco Manuel dos Santos e a Eurostat, mostrou que Portugal ainda está atrás de outros países europeus quando o assunto é educação.

Entre os 27 países analisados, o país apresenta a maior proporção de população ativa entre 15 e 64 anos sem ensino secundário, com 38,7%, acima da média europeia de 24,1%.

Além disso, apenas 43,2% das pessoas entre 25 e 34 anos têm ensino superior, colocando Portugal na 16ª posição e abaixo da média de 44,1%.

Para ela, é necessário que Portugal invista em conhecimento e no seu capital humano para que possa avançar na educação. Ela ressalta que isso já pode ser visto na população mais jovem.

“No grupo etário dos 25 aos 34 anos, por exemplo já estamos em linha com os patamares de pessoas com o ensino secundário e o ensino superior. É preciso investir na escolarização para fortalecer o capital humano e isso leva tempo mas os sinais são positivos”, aponta.

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A especialista faz questão de apontar, porém, que a maior chegada de imigrantes não é responsável por baixar esses índices e sim, de aumentá-los.

“A população imigrante que chega a Portugal não tem feito baixar os índices de escolarização, pelo contrário. Os estrangeiros que chegam possuem uma escolarização média superior a Portugal”, destaca Luisa Loura, diretora da Pordata.

“Se percebe que sem a chegada dos imigrantes a nossa escolarização estaria um pouco mais baixa nas gerações mais novas. Ainda que haja estrangeiros com pouca escolarização, quando se olha o todo, pode-se ver que essa não é uma população com baixa formação. Temos atraído muitos jovens bastante escolarizados”, destaca ela.

Cursos novos e aulas abertas 

Higor Cerqueira ainda cita que o Prepara Portugal, especializado na oferta de cursos profissionais, já recebeu, em pouco mais de um ano, 2.502 alunos de mais de 35 nacionalidades. A maioria dos estudantes é de origem brasileira, que representa 76,8% das matrículas, seguida por estudantes de Marrocos e de Angola.

A instituição oferece formações em áreas ligadas à gestão, tecnologia e serviços, como Análise de Dados e TI Aplicada à Gestão, Marketing Digital e Planeamento Estratégico, Gestão de Restauração e Cozinha, Inglês Técnico para Negócios Internacionais, Auxiliar Administrativo e Secretariado, Estética, Beleza e Bem-Estar, Vendas e Gestão Financeira e Produção e Gestão de Eventos.

Ambas as formações têm duração de 15 meses, com mais três meses de estágio não obrigatório. As aulas decorrem online, semanalmente, e incluem seis encontros presenciais ao longo do curso.

renan@revistaentrerios.pt

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