Presidentes pés-quentes na Copa do Mundo
Se o hexa vier, o nome de Lula entrará para um seleto clube formado por cinco presidentes: Juscelino Kubitschek, João Goulart, Emílio Garrastazu Médici, Itamar Franco e FHC
- Brasil
Março 30, 2026
Em um recente evento realizado em Brasília, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva verbalizou um desejo que alimenta desde que assumiu a Presidência pela primeira vez, em 2003: estar na cadeira presidencial no ano em que o Brasil for campeão do mundo. Apaixonado por futebol, Lula entende a sentença que atravessa gerações — no Brasil, a Copa do Mundo nunca é só esporte. É ativo político também.
Se o hexa vier, seu nome entrará para um seleto clube formado por cinco presidentes pés-quentes: Juscelino Kubitschek (1956-1961), João Goulart (1961-1964), Emílio Garrastazu Médici (1969-1974), Itamar Franco (1992-1994) e Fernando Henrique Cardoso (1995-2002).
Em 1958, o Brasil de Pelé e Garrincha conquistou sua primeira estrela sob o governo de Kubitschek. Em campo, a dupla que nunca perdeu um jogo com a camisa da Seleção encantava o mundo no ritmo dos 50 anos em 5, o slogan que marcou a gestão que construiu Brasília e acelerou o desenvolvimento nacional.
Quatro anos depois, no Chile, o bicampeonato se deu no governo do gremista Jango. A grande estrela daquela conquista foi Garrincha, craque que ganhou aquela Copa praticamente sozinho — sem Pelé, que havia se machucado no segundo jogo do Mundial.
Em 1970, o tricampeonato no México coincidiu com o auge da ditadura militar. Médici, também torcedor do Grêmio, associou-se intensamente à seleção de Pelé, Tostão e Rivellino. A vitória virou propaganda do chamado Brasil Grande. Mas grande mesmo foi o futebol apresentado pelo Esquadrão de Ouro, para muitos a melhor seleção brasileira de todos os tempos.
O tetra, em 1994, veio no governo de Itamar Franco. Era o Brasil do Plano Real, da estabilização da economia e do pós-impeachment de Fernando Collor de Mello. O baixinho Romário repetiu, nos Estados Unidos, o que Garrincha havia feito no Chile e se tornou o símbolo de um título que era ansiosamente esperado desde o tri do México, em 1970.
Em 2002, o penta chegou ao fim dos oito anos do governo Fernando Henrique Cardoso. Foi o título da chamada Família Scolari, como aquela geração comandada pelo técnico Luiz Felipe Scolari ficou conhecida pela harmonia e união dentro e fora de campo.
No Brasil, futebol e política sempre se misturaram. E, em ano de Copa, como se diz popularmente, fica tudo ainda mais junto e misturado.
Essa coluna foi publicada originalmente na revista EntreRios.
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