MÚSICA

Primavera Sound Porto 2026: Gorillaz comandam noite de grandes shows e Mari Froes conquista público português

Banda liderada por Damon Albarn reuniu multidões no Parque da Cidade. Segunda noite do festival também teve apresentações de Mari Froes, Viagra Boys e Gisela João

Junho 13, 2026

Com repertório que uniu sucessos históricos e faixas do novo álbum, grupo britânico comandou uma das apresentações mais aguardadas desta edição do festival. Crédito: Hugo Lima/Primavera Sound Porto 2026

A segunda noite do Primavera Sound Porto 2026 confirmou a diversidade que tornou o festival uma referência na Europa. Entre punk, MPB, pop experimental e uma viagem musical sem fronteiras comandada pelos Gorillaz, o Parque da Cidade recebeu um dos dias mais concorridos desta edição.

A responsabilidade de encerrar a programação ficou com a banda liderada por Damon Albarn, que regressou ao Porto quatro anos após a última passagem pelo festival. O grupo apresentou um espetáculo que percorreu diferentes geografias e influências sonoras, misturando novidades do recém-lançado álbum The Mountain com sucessos que acompanham a trajetória do Gorillaz há mais de duas décadas.

A abertura aconteceu justamente com a faixa-título do novo disco, lançado pela própria gravadora da banda, a KONG. Ao longo de cerca de uma hora e meia, o repertório equilibrou músicas inéditas e clássicos como “19-2000”, “Rhinestone Eyes”, “Feel Good Inc.” e “Clint Eastwood”, que encerrou a apresentação sob os aplausos de um recinto lotado.

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Os convidados especiais ajudaram a transformar o concerto em uma experiência ainda mais ampla. Joe Talbot, vocalista do IDLES, Kara Jackson, Yasiin Bey e Bootie Brown subiram ao palco em diferentes momentos, enquanto as animações criadas por Jamie Hewlett deram continuidade ao universo visual que acompanha os Gorillaz desde sua criação.

Apesar da recepção calorosa do público, o encerramento deixou uma sensação de expectativa não totalmente cumprida. Muitos fãs aguardavam um retorno ao palco para um bis que incluísse “DARE”, um dos maiores sucessos da banda, mas a apresentação terminou sem o aguardado encore.

Horas antes, quem roubou a cena foi a brasileira Mari Froes. Em um dos shows mais celebrados da noite, a cantora levou ao palco canções que a aproximaram do público português e protagonizou um dos momentos mais emocionantes do dia ao receber a cantora portuguesa Bárbara Tinoco para interpretar “Tem Lá uma Tristeza”.

Mari Froes levou sua mistura de delicadeza e ritmo ao Primavera Sound Porto e protagonizou um dos concertos brasileiros mais celebrados do festival. O dueto com Bárbara Tinoco e o coro coletivo em “Vaitimbora” marcaram a apresentação. Crédito: Hugo Lima/ Primavera Sound Porto

O encerramento do concerto com “Vaitimbora”, fenômeno viral nos últimos meses, transformou a área diante do palco em uma grande roda de dança coletiva.

Entre os espectadores estava a administradora brasileira Juliana Martins, que vive no Porto há três anos e foi ao festival especialmente para assistir à apresentação. “A Mari tem uma forma muito delicada de se conectar com as pessoas. Parecia um show intimista dentro de um festival enorme”, afirmou. “Quando ela cantou ‘Vaitimbora’, todo mundo começou a cantar junto. Foi bonito ver portugueses e brasileiros compartilhando aquele momento”.

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Outro dos grandes destaques do dia veio da Suécia. Os Viagra Boys entregaram uma apresentação explosiva, marcada por rodas de mosh, crowdsurfing e uma energia que contrastou com a atmosfera mais contemplativa de outros shows do festival. Liderada pelo carismático Sebastian Murphy, a banda transformou o palco em um espaço de caos controlado, arrancando uma das reações mais intensas do público durante a noite.

Ao pôr do sol, a portuguesa Gisela João ofereceu um dos momentos mais elegantes da programação ao apresentar canções de seu álbum mais recente, “Inquieta”. Já Panda Bear trouxe ao festival sua combinação de pop psicodélico, indie e dub, criando a trilha sonora perfeita para o início da noite.

Dos experimentos globais dos Gorillaz ao calor brasileiro de Mari Froes, passando pelo punk irreverente dos Viagra Boys, o resultado foi uma noite intensa, diversa e difícil de esquecer.

flavio@revistaentrerios.pt

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