Empresas

Projeto estimula empreendedorismo entre famílias de crianças com Down

Família brasileira em Portugal cria o Empreendown21, projeto que apoia e conecta famílias atípicas, gerando renda e inclusão

Novembro 9, 2025

Os brasileiros Wanderson e Arelí Negrelli, pais de Benjamin, que tem a condição genética da síndrome de Down, ao lado do irmão Estevão. Crédito: Divulgação.

Foi nos exames pré-natais que os brasileiros Wanderson e Arelí Negrelli souberam que Benjamin, o segundo filho, nasceria com trissomia 21, a síndrome de Down. Morando em Portugal desde 2018, eles decidiram enfrentar a realidade — e foram bem além, transformando o desafio em causa.

Assim nasceu o Empreendown21, um projeto de empreendedorismo social que conecta e apoia famílias atípicas em várias regiões.

“Entendemos que éramos uma família especial, escolhida por Deus para ter o Benjamin, e decidimos que iríamos recebê-lo da melhor forma. Falamos para o mais velho, Estêvão, com 19 anos, que ele era um irmão especial. A vinda do Benjamin foi feliz porque adotamos este mindset. Isso contagiou a todos”, relata Wanderson.

A trajetória do menino está no livro A história do Benjamin, cuja venda financia atividades do grupo.

Wanderson e Arelí passaram a ser procurados por quem não sabia lidar com o desafio. Quase todas as famílias tinham algo em comum: mães que precisaram deixar o trabalho para cuidar dos filhos. O projeto passou a conectar essas famílias a médicos e terapeutas, financiar tratamentos e ajudar na compra de fraldas, alimentos especiais e suplementos.

O grupo quer transformar os pais em empreendedores, gerando renda. “Uma mãe faz brigadeiros, outra artesanato, costura, e vamos criando uma economia circular e colaborativa”, diz Wanderson.

Camisetas, bonés e canecas são vendidos em eventos para cobrir despesas do projeto. O lucro de brigadeiros e sacolés fica com a família que produz. São 26 em Cascais, Setúbal, Algarve e Leiria — quase todas brasileiras.

É comum que às dificuldades financeiras das famílias se some a falta de acolhimento. “Tem dias em que a gente se sente só, sem saber o que fazer. O grupo funciona como uma família. Quando uma criança vai fazer uma cirurgia, todos se mobilizam. Faz toda a diferença”, diz Arelí.

A meta para 2025 é passar de 40 famílias. Já em 2026, querem inaugurar o Centro Empreendown21, onde famílias receberão capacitação para desenvolver negócios. Outra frente será a captação de patrocínios e parcerias com empresas.

Um exemplo é o site criado por um empresário voluntário (fidelize.pt), que divulga produtos e atrai apoiadores. “O que nos uniu foi o diagnóstico, mas o que nos mantém juntos é a vontade de criar um futuro melhor”, diz Arelí.

Essa matéria foi publicada originalmente na revista EntreRios.

Você pode assinar e receber a publicação no conforto da sua casa, além de ler na íntegra online.

Fernanda Baldioti
fernanda@revistaentrerios.pt
No data was found