Quem é Jônatas Belgrande? Cantor que viralizou nas redes sociais estreia em Lisboa com show de MPB
Criador da frase viral "Em português se diz eu te amo, mas em MPB se diz...", faz seu primeiro show em Portugal
- Lisboa
Junho 11, 2026
Pela primeira vez em Portugal, o cantor e compositor carioca Jônatas Belgrande desembarca em Lisboa para apresentar o espetáculo Tá Escrito em MPB, um show intimista em formato voz e violão que reúne releituras de clássicos da Música Popular Brasileira e canções autorais. Aos 28 anos, o artista do Rio de Janeiro conquistou milhares de seguidores nas redes sociais ao viralizar com a série de vídeos que começa com a frase “Em português diz-se ‘eu te amo’, mas em MPB diz-se…”. Agora, ele traz ao público português o universo musical que transformou uma tendência da internet em carreira internacional, embalado pelo lançamento de Geração Fast Love, single que antecipa o álbum Démodé, um trabalho que reflete sobre afetos, relacionamentos contemporâneos e a coragem de sentir em tempos de conexões rápidas.
“Amar virou cringe, e eu sou muito cringe”, diz Jônatas Belgrande
Você já conhecia Portugal antes desta turnê?
Já tinha vindo uma vez, mas numa conexão de mais de 24 horas. Aproveitei para conhecer Lisboa durante um dia, mas foi tudo muito corrido. Desta vez vou conseguir viver a cidade com mais calma, e isso me deixa muito feliz.
O que o público pode esperar deste primeiro show em Lisboa?
Essa turnê é baseada justamente nos vídeos que viralizaram nas redes sociais. Foi uma tendência que eu criei, aquela do “Em português diz-se eu te amo, mas em MPB diz-se…”. No show eu trago músicas que fizeram parte dessa série, mas também apresento minhas composições e a minha fase autoral, especialmente as canções do álbum Démodé.
A influência da MPB vem da sua infância?
Minha mãe escutava muita MPB quando eu era criança. Na época eu não tinha tanto interesse, mas essa escuta ficou guardada. Hoje, quando ouço Tribalistas, por exemplo, é impossível não lembrar da minha mãe me levando para a escola. A MPB tem esse poder sensorial e nostálgico para mim.

Quais artistas moldaram sua identidade musical?
Eu escuto muito Djavan, Maria Bethânia, Gal Costa, Jorge Ben Jor. Eles aparecem naturalmente nas minhas referências. São artistas que canto nos vídeos, que admiro profundamente e que influenciam o meu trabalho autoral.
Seu álbum “Démodé” fala muito sobre afeto. Por quê?
Porque eu acho que a gente descartou o afeto. “Démodé” significa algo que saiu de moda, que é considerado inadequado ou brega. Eu uso esse conceito como uma provocação. Hoje parece que estar apaixonado não é algo valorizado. Amar virou cringe. E eu sou muito cringe.
Você está apaixonado atualmente?
Estou. Posso dizer que estou apaixonado. E isso é importante porque a gente vive uma era muito marcada pelo que eu chamo de Geração Fast Love, das relações rápidas, descartáveis. Eu gosto de defender a profundidade dos sentimentos.
Qual é o seu signo?
Sou taurino, com ascendente em Sagitário e Lua em Peixes. Sou filho de uma mãe astróloga e um pai pastor. É uma combinação muito curiosa. Minha mãe sempre falou muito sobre astrologia e meu pai é um músico incrível, toca praticamente todos os instrumentos. Cresci convivendo com esses dois universos e aprendi a olhar para a vida de forma muito aberta.
Você segue alguma religião?
Não sigo uma doutrina específica. Sou uma pessoa muito curiosa espiritualmente. Gosto de conhecer crenças, religiões, filosofias de locais onde viajo. Talvez uma das coisas que mais me aproximem da figura do Gilberto Gil seja justamente essa busca constante pelo conhecimento e pelo entendimento do que existe além do que vemos. Ela filosofia dele me atrai muito.
Você fala com naturalidade sobre afetos e relacionamentos. Isso é uma característica da sua geração? Você de identifica com que orientação?
Sou hétero, mas não me prendo a rótulos. Se um dia me apaixonar por um homem, algo que não considero impossível, não teria qualquer problema com isso. Cresci em um ambiente muito acolhedor, com uma mãe que sempre tratou esses temas com naturalidade. Já tive experiências com homens, mas nunca vivi uma relação afetiva que me levasse a me apaixonar.
Quais são seus próximos objetivos na carreira?
Sinceramente, não faz muito tempo que as coisas começaram a dar certo do jeito que eu sonhava. Fazer shows, viajar, lançar um álbum, ter pessoas ouvindo minhas músicas… tudo isso já era um sonho enorme. Mas agora quero expandir ainda mais, fazer colaborações internacionais e explorar novas sonoridades.
Quais influências têm chamado sua atenção atualmente?
Estou muito mergulhado no flamenco. Tenho ouvido bastante C. Tangana e Judeline. Inclusive, uma das músicas mais recentes do álbum, Me Quedo Por Ti, nasceu dessa aproximação com a música espanhola e acabou virando uma espécie de piseiro flamenco.
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O repertório traz os clássicos que viralizaram na internet?
Sim, mas gosto de fugir do óbvio. Não é só cantar as músicas. Eu gosto de contextualizar. Falo sobre os artistas, sobre as histórias por trás das canções. Tem Djavan, tem interpretações que as pessoas reconhecem dos vídeos, mas sempre com uma leitura pessoal e minhas composições também.
E a nova geração da música brasileira? Quem você escuta?
Tem muita gente boa surgindo. Eu gosto muito do Jota.pê, do Tim Bernardes, da Liniker, do Rubel e dos Gilsons. Acho que estamos vivendo uma safra muito interessante da música brasileira.
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Lisboa recebe o artista que transformou a internet em palco na quinta (16/07), no Sótão da Casa Capitão, Jônatas Belgrande apresenta ao público em Portugal um espetáculo que nasce do encontro entre a nostalgia da MPB e as inquietações afetivas da geração digital. Entre histórias de amor, referências a Djavan, reflexões sobre relacionamentos modernos e canções autorais, o artista carioca faz sua estreia em Portugal. Os bilhetes custam 11 euros.
jordan@revistaentrerios.pt
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