Quem é o irmão de uma atriz brasileira que largou o Rio para fazer pizza em Cascais
Entre o sobrenome famoso e a própria trajetória, Gagau conquista clientes em Portugal
- Lisboa
Abril 18, 2026
Há quem cruze o oceano em busca de novas oportunidades. Edgar Dieckmann, mais conhecido como Gagau, fez isso de navio, em uma travessia de 18 dias, levando na bagagem um objetivo claro: apresentar ao mercado português sua pizza artesanal de massa fina e crocante.
Nascida no Rio de Janeiro há seis anos, a Pizza do Gagau chegou oficialmente a Portugal em abril de 2024 e, em novembro de 2025, deu um passo decisivo ao inaugurar uma loja física no Mercado da Vila de Cascais, na área das esplanadas.
O que começou de forma despretensiosa, ainda na adolescência, transformou-se em um negócio consolidado, que hoje combina venda direta ao consumidor, eventos privados e um ponto fixo no coração de Cascais. A receita do sucesso inclui massa leve, ingredientes selecionados, preparo rápido — em apenas cinco minutos — e uma trajetória que mistura gastronomia, música e afeto.
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Em entrevista exclusiva à EntreRios, Gagau fala sobre os desafios de empreender em Portugal, a recepção do público local, a relação com o sobrenome Dieckmann e como a música, sua outra paixão, segue presente no ambiente da pizzaria.
EntreRios: Para quem ainda não conhece, o que define a Pizza do Gagau? Qual é o seu diferencial — produto, experiência, conceito?
Gagau: A Pizza do Gagau se define por ser fina e crocante, com uma massa leve, que não deixa aquela sensação de que pizza é uma comida pesada. É algo que eu já apreciava em algumas pizzarias do Rio. Hoje, na loja do Mercado da Vila de Cascais, buscamos oferecer essa experiência com sabores clássicos, como marguerita e pepperoni, mas também com opções muito queridas pelos brasileiros, como a de calabresa com cebola e a de frango com catupiry, que têm feito bastante sucesso entre os portugueses.
EntreRios: Você trouxe uma estética e um jeito muito brasileiro de fazer pizza. Isso foi uma aposta consciente ou algo natural? E em que momento percebeu que poderia virar um negócio de verdade?
Gagau: Foi tudo muito natural. Comecei a fazer pizza aos 16 anos, sempre gostei de cozinhar e, por coincidência, peguei um livro de receitas de uma senhora portuguesa, avó da minha primeira namorada, que tinha lá uma receita de pizza. Claro que era muito diferente do que é minha pizza hoje. A partir dali, fui adaptando até chegar ao que é hoje. Quando a pizza ficou boa, meu pai, que tem um grupo de amigos colecionadores de carros antigos, chegou e me disse: “A partir de hoje não pediremos mais pizza, você vai fazer as pizzas da nossa reunião semanal e pagamos a você.”
Assim nasceu meu primeiro negócio com pizza, e fiz isso até me mudar para Portugal em 2023, durante quase 30 anos, todas as segundas.
Nesses 30 anos, também me tornei DJ e produtor de festas no Rio de Janeiro. Com a pandemia, tudo foi pausado, tanto as reuniões com pizza quanto o trabalho de DJ. Foi assim, com o incentivo dos amigos que adoravam a pizza, que comecei a vendê-la congelada. Assim começava de fato a Pizza do Gagau.
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EntreRios: A burocracia portuguesa é um tema recorrente entre empreendedores. Em algum momento você sentiu que seria mais difícil do que imaginava?
Gagau: Nunca me preocupei muito com isso, porque o Brasil também tem bastante burocracia. Essa parte fica mais com meus sócios, enquanto eu foco no produto. Claro que empreender tem desafios, mas é um aprendizado constante.
EntreRios: Você sente diferença no comportamento do público português em relação ao brasileiro? O que mais te surpreendeu?
Gagau: Tenho percebido um aumento no número de portugueses experimentando e aprovando a pizza. Isso se reflete até nos insumos que usamos, como atum e ananás (abacaxi), que são muito apreciados aqui. Uma surpresa positiva tem sido a aceitação do requeijão tipo catupiry, que é muito popular no Brasil e pouco explorado em Portugal. Tem conquistado bastante gente.
EntreRios: Seu sobrenome te conecta diretamente à atriz Carolina Dieckmann, algo frequentemente citado. Isso te incomoda? Você sente que precisa, em algum momento, se desvincular dessa associação — ou já conseguiu transformar isso em algo natural dentro da sua trajetória?
Gagau: Quanto ao meu sobrenome Dieckmann, claro que sempre associam ao nome da minha irmã e recentemente uma amiga de infância, que também mora aqui, me perguntou se me incomodava sempre aparecer na mídia como o “irmão da atriz Carolina Dieckmann”. Isso de fato nunca me incomodou, pois tenho muito orgulho dela como pessoa, atriz e irmã. Sempre tivemos uma ligação muito forte, ela sempre esteve ao meu lado, em tudo que fiz e me apoia muito nessa nova etapa como empreendedor.

EntreRios: Sua trajetória como DJ também chama atenção. De que forma a música influencia o seu negócio — seja na experiência, no ambiente ou até na forma como você pensa o produto?
Gagau: Acho música essencial na vida. Vida sem música é chata. E levo isso para o ambiente da Pizza do Gagau. No Mercado da Vila, aos fins de semana, acontecem alguns concertos e sempre após o término da apresentação, coloco música para manter a descontração do ambiente e para o cliente do Mercado continuar a desfrutar da esplanada de forma agradável. Também penso na organização das playlists conforme o movimento do mercado, aí entra em ação o DJ Gagau.
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