Esporte

Quem grita mais alto?

Fevereiro 26, 2026

Se eu tiver que gastar R$ 1 bilhão para continuar ganhando (palavrão), eu vou gastar. Uma coisa é você querer gastar e não poder, porque não pode pagar. Eu posso gastar R$ 1 bilhão. Para alguns, as recentes declarações de Luiz Eduardo Baptista, o Bap, presidente do Flamengo, foram arrogantes e prepotentes. Para outros, contextualizam a pura realidade. Campeão da Copa Libertadores e do Campeonato Brasileiro em 2025, o Rubro-Negro seguramente é o clube a ser batido em 2026.

No Brasil e na América do Sul os cariocas não estão sozinhos. Até então, tinham o Palmeiras no encalço. Agora, enxergam o Cruzeiro cada vez mais estruturado e pronto para incomodar.

A rivalidade com os mineiros, aliás, começou ainda antes de a bola rolar na nova temporada. Kaio Jorge, o artilheiro nacional no ano passado, foi o alvo da picardia regional.

O Flamengo foi com tudo atrás do jovem goleador celeste. Uma, duas, três ofertas recusadas. A última delas, inclusive, poderia ser transformada na transação mais cara de sempre no país: 30 milhões de euros.

Durante uma reunião interna no Cruzeiro, o presidente Pedro Lourenço, o Pedrinho, juntou o elenco e, sem papas na língua, avisou: não negociaria qualquer titular com o Flamengo.

Não apenas segurou, como ainda estendeu, poucos dias depois, o vínculo de Kaio Jorge até 2030. Deixou claro para todos que a Raposa não está para brincadeira.

A cereja do bolo (mineiro), entretanto, estava guardada para um reforço de peso. Curiosamente (ou não), um personagem com forte ligação ao rival: Gerson.

Infeliz no Zenit, da Rússia, o ex-meio-campista rubro-negro fez de tudo para voltar ao Brasil. O Cruzeiro, por sua vez, também não mediu esforços. O valor final? Coincidentemente (ou não), 30 milhões de euros.

Alguém em sã consciência achava que o Flamengo deixaria por menos? Aceitaria numa boa não ser o dono da maior compra da história do futebol brasileiro?

Depois de uma longa novela, o clube carioca abriu os cofres como nunca e repatriou o meio-campista Lucas Paquetá, do West Ham, da Inglaterra. Pagou 42 milhões de euros. Recorde dos recordes.

Ora por Gerson, ora por Paquetá, Cruzeiro e Flamengo ignoraram o silêncio. Fizeram de tudo para que os dispendiosos alvos no mercado da bola fossem motivo de imparáveis análises e polêmicas públicas

Deixou de ser uma questão de quem vence mais ou menos. Ou de quem tem mais ou menos dinheiro. É, mais do que nunca, de quem grita mais alto.

Essa coluna foi publicada originalmente na revista EntreRios.

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