Eleições portuguesas

Quem são os 11 candidatos à Presidência de Portugal

Ao todo, são 11 candidatos de diversas posições e experiências políticas. Segundo turno é esperado pela primeira vez em 40 anos

Janeiro 16, 2026

Palácio Nacional de Belém, residência do Presidente da República em Portugal. Crédito: Divulgação

Portugal realiza sua décima primeira eleição presidencial neste domingo (18) com a presença de 11 candidatos (número recorde) e a grande possibilidade da realização do segundo turno pela primeira vez desde 1986. O presidente será aquele que obtiver pelo menos 50% dos votos nas urnas.

Ao todo, pelo menos cinco candidatos (António José Seguro, João Cotrim Figueiredo, André Ventura, Henrique Gouveia e Melo e Luís Marques Mendes) chegam com possibilidades de substituir Marcelo Rebelo de Sousa, que está no poder há dez anos. Caso haja, o segundo turno acontecerá em 8 de fevereiro. A campanha oficial iniciou-se em 4 de janeiro e terminou nessa sexta (16).

Ao todo, mais de 11 milhões de portugueses que vivem no país e no estrangeiro estão aptos a votar. Eleitores em mobilidade puderam realizar seus votos uma semana antes em 11 de janeiro. O voto em Portugal não é obrigatório. Conheça abaixo quem são os 11 candidatos à Presidência da República e qual é o papel desse cargo na República Portuguesa.

Quem são os candidatos?

Ao todo, 14 candidatos ligados a partidos políticos ou independentes se inscreveram para as eleições. Porém, três deles (Joana Amaral Dias, José Cardoso e Ricardo Sousa) não tiveram suas candidaturas homologadas pelo Tribunal Constitucional por conta de problemas com suas documentações. Confira abaixo mais sobre os 11 candidatos homologados.

André Pestana

André Pestana tem histórico com Sindicatos dos Professores. Crédito: Divulgação.

Com 48 anos, André Pestana é de Coimbra, possui dois filhos, é professor de biologia e geologia, possui doutorado em biologia pela Universidade Técnica de Lisboa e é professor do ensino médio desde 2001. Há vários anos, possui atuação em sindicatos e atualmente atua Sindicato de Todos os Professores (STOP) e no Sindicato de Todos os Profissionais da Educação.

Se denomina como “anti-sistema”, como a “voz dos sem voz” e diz que quer “elevar a luta pelos serviços públicos a outro patamar”. É candidato independente.

André Ventura

André Ventura criou o Chega em 2019 que hoje possui a segunda maior bancada do Parlamento. Crédito: Agência Lusa.

Esse é o nome mais polêmico das eleições. Fundador do partido Chega, de extrema-direita, se notabilizou por cartazes com forte discurso anti-imigracao e contra a comunidade cigana, sendo, inclusive, obrigado pela Justiça a retirar os outdoors xenofóbicos.

Já foi terceiro lugar nas eleições presidenciais de 2021 e hoje seu partido, com 60 deputados, possui a segunda maior bancada do Parlamento.

Com formação católica e de origem humilde, foi professor de direito, inspetor da Autoridade Tributária, comentarista esportivo e entrou para a política pelo PSD, pelo qual foi vereador em Loures. Fundou o Chega em 2019.

António Filipe

António Filipe possui uma longa carreira como deputado do PCP. Crédito: Agência Lusa.

Aos 62 anos, é o candidato do Partido Comunista Português (PCP). É formado em direito pela Universidade de Lisboa e doutor em Direito Constitucional pela Universidade de Leiden, na Holanda. Foi professor universitário por mais de 20 anos em Aveiro e Santarém e é autor de livros e de artigos científicos em renomadas revistas europeias.

Já foi apresentador de programas de debate político na RTP e na antigaTVI24 (Atual CNN) e colunista do Expresso. É membro do PCP desde 1983 e já foi deputado entre 1989 e 2022 e entre 2024 e 2025. Também já fez parte das Câmaras Municipais de Sintra e da Amadora, pela qual também foi vereador.

António José Seguro

Candidatura à presidência marca a volta de António Seguro à política. Crédito: Divulgação.

Formado em relações internacionais e com mestrado em ciencia política, possui 62 anos e dois filhos. Possui longa carreira no PS, em que foi deputado, fez parte do Parlamento Europeu e voltou ao Parlamento ao longo da década de 2000, coordenando comissões parlamentares da educação e economia.

Foi líder do partido entre 2011 e 2014, quando perdeu as primárias para Antônio Costa. Desde então ficou afastado da vida pública e voltou como candidato à presidência em 2025. Diz ser um moderado e afirma que “mudança e esperança numa vida melhor”.

Catarina Martins

Catarina Martins é eurodeputada pelo Bloco de Esquerda. Crédito: Divulgação/Redes sociais.

Catarina nasceu no Porto e morou em São Tomé e Príncipe e em Cabo Verde ao longo da infância durante os primeiros anos de independência dos países. Se licenciou em Línguas e Literaturas Modernas e frequentou e dirigiu grupos de teatro em Coimbra e no Porto por mais de duas décadas.

Foi eleita deputada em 2009 e depois assumiu a liderança do Bloco de Esquerda. Em 2015, o partido alcançou a sua maior votação e elegeu 19 deputados. Com a dissolução do governo em 2022 e o fraco desempenho eleitoral do partido, deixou a liderança em 2023 e em 2024 foi eleita eurodeputada. É candidata à presidência pelo Bloco de Esquerda.

João Cotrim Figueiredo

João Cotrim, do IL, possui um longo histórico no mundo dos negócios. Crédito: Divulgação

Com 64 anos e quatro filhos, João Cotrim é empresário que chegou na política há apenas seis anos. Estudou economia em Londres e logo entrou para o mundo dos negócios. Trabalhou na Compal, na Nutricafés, administrou a Privado Holding, foi diretor da TVI e diretor do Turismo de Portugal e depois da European Travel Comission.

Em 2019, se candidatou à Assembleia da República pela Iniciativa Liberal e se tornou o primeiro deputado eleito do partido. Em 2024 foi eleito eurodeputado. É candidato à presidência pelo Iniciativa Liberal e diz não “estar preso a lógicas partidárias”.

Jorge Pinto

Jorge Pinto é deputado e um dos fundadores do Partido Livre. Crédito: Divulgação

Com 38 anos, o candidato do Livre é o mais jovem entre os 11 concorrentes ao cargo de presidente e diz ser “ecologista e republicano”. É formado em engenharia do ambiente, tem doutorado em Filosofia Social e Política.

Já viveu na Lituânia, Índia, França, Itália e Bélgica trabalhando para instituições europeias e associações de refugiados. É autor de vários livros sobre política e sustentabilidade.

É deputado desde 2024 pelo Livre, mas faz parte do partido desde a sua fundação. Antes disso, já tinha atuado na juventude do Partido Socialista.

Henrique Gouveia e Melo

Henrique Gouveia e Melo foi o coordenador da campanha de vacinação contra a covid-19. Crédito: Divulgação/Ministério da Defesa.

Passou a infância e adolescência entre Moçambique, Brasil (em São Paulo) e Lisboa, onde chegou para fazer parte da Escola Naval em 1979. Atuou em diversas funções na Marinha.

Fez parte de cargos na Força Naval Europeia e em 2020 se tornou Chefe do Estado-Maior da Armada e ficou conhecido do público ao ser coordenador da força tarefa da vacinação contra a covid-19, pela qual Portugal ganhou destaque ao estar entre os países do mundo com mais altos índices de vacinação.

Em dezembro de 2021, Chefe do Estado-Maior da Armada e Autoridade Marítima Nacional e em 2024 entrou para a reserva. É candidato independente, com o lema “Portugal com rumo” e afirma que o país precisa de um “presidente diferente”.

Humberto Correia

Humberto Gouveia trabalhou por mais de 25 anos na França. Crédito: Divulgação.

Natural de Faro, possui 64 anos, dois filhos e esteve fora de Portugal por mais de 25 anos na França, onde trabalhou em fábricas e na construção civil. Voltou a Portugal em 2003 e se dedicou a pintar quadros nas ruas de Faro ao longo de 20 anos.

Já foi candidato à Câmara Municipal de Faro em 2017. É candidato independente, defensor de mais habitações sociais e ressalta que a questão da habitação está entre suas principais preocupações.

Luís Marques Mendes

Luís Marques Mendes está na política pelo PSD desde os anos 1980. Crédito: Divulgação SIC Notícias

O candidato do PSD tem 67 anos, três filhos e um longo histórico na política. Formado em direito, se filiou em 1974 ao PPD (atual PSD) e iniciou a carreira nas Câmaras Municipais de Fafe e de Braga e foi eleito deputado pela primeira vez em 1987, conquistando mais cinco mandatos consecutivos posteriormente.

Nos anos 80 e 90, foi ministro de estado durante os governos portugueses, chegando a se tornar ministro Adjunto do primeiro-ministro entre 1992 e 1995. Foi líder no parlamento e líder do partido por dois anos.

Já foi comentarista política na SIC, é conselheiro de estado da Presidência da República e tem mostrado apoio ao governo de Luis Montenegro.

Manuel José Vieira

Manuel José Vieira é considerado um candidato pitoresco. Crédito: Divulgação/SIC Notícias.

Formado pela Faculdade de Belas Artes de Lisboa, Manuel José Vieira tem 63 anos e é candidato à presidência pela quinta vez. É músico, pintor e professor e foi integrante do grupo de humor absurdo Ena Pá 2000, além de outras aparições no teatro.

Diz querer expor os “absurdos da política” e diz “só desistir se for eleito”. É conhecido por propostas caricatas como prometer “vinho canalizado em todas as casas”.

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O que faz um presidente da República em Portugal?

O presidente da República apresenta um papel um pouco diferente em Portugal, país que também possui um primeiro ministro. O presidente é o responsável por representar o país em ações e missões diplomáticas e em viagens no exterior.

O presidente é eleito pelo voto direto das urnas enquanto o primeiro ministro é indicado pelo partido que tiver a maioria das cadeiras do parlamento. Quem faz a nomeação desse cargo é o Presidente da República.

O presidente também é responsável por dissolver o Parlamento e convocar novas eleições no caso de crises políticas, como a aprovação de uma moção de repúdio contra o primeiro ministro, pedido de renúncia ou a reprovação do orçamento proposto pelo governo. Ao todo, foram 10 dissoluções do Parlamento em 50 anos, sendo três delas feitas por Marcelo Rebelo de Sousa.

A última delas aconteceu em março de 2025, com a rejeição de uma moção de confiança aprovada contra o governo de Luis Montenegro, envolvido em um escândalo de favorecimento de negócios da Spinumviva, uma consultoria fundada por ele e que hoje está sob controle dos filhos. Novas eleições foram convocadas para maio e o PSD foi o partido com maioria, reconduzindo-o ao cargo.

O presidente ainda tem o papel de promulgar leis aprovadas pelo parlamento ou decretos-leis que não precisam passar pelo legislativo. Apenas após o seu aval, elas entram em vigor. Ele pode vetar leis por discordância política ou enviá-las ao Tribunal Constitucional, que julgará se elas são constitucionais, o que aconteceu no caso da Lei dos Estrangeiros.

O presidente, porém, não governa na prática. Ele não pode criar leis, tomar decisões de governo do dia a dia e nem de desfazer medidas propostas pelo governo. Todas elas são de responsabilidade do primeiro ministro. Para ser candidato à presidente é preciso ter nacionalidade portuguesa, pelo menos 35 anos e recolher ao menos 7,5 mil assinaturas.

A residência da Presidência da República fica no Palácio Nacional de Belém, em Lisboa, desde 1910, quando a República foi instaurada. O palácio é um importante local para cerimônias e celebrações oficiais.

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Lisboa