Quem não se emocionou com a inesperada imagem de Cristiano Ronaldo, após a vitória sobre a Croácia, vestido com a camisa 21 de Diogo Jota, o companheiro de seleção portuguesa morto, um ano antes, em um acidente de carro?
Quem não se arrepiou com a lágrima que rolou pelo rosto do mais velho treinador em Copas do Mundo, o holandês Dick Advocaat, 78 anos, quando sua seleção, Curaçao, estreante na principal competição do futebol mundial, fez um gol diante da poderosa Alemanha?
Quem não remou junto aos torcedores da Noruega no sofá de casa, na cadeira do trabalho ou na mesa do bar?
Quem não cantou Wonderwall, do Oasis, com a torcida inglesa, após mais um show da seleção de Jude Bellingham e Harry Kane?
Quem não torceu por meia dúzia de milagres de Vozinha defendendo o gol de Cabo Verde?
Quem não se comoveu com o pranto de Neymar, inconsolável após a queda da seleção brasileira?
Quem não lamentou a eliminação de Mbappé, Dembélé, Olise e Barcola?
Quem não teve vontade de ser muçulmano por um dia e se ajoelhar no chão, encostando a testa e o nariz no asfalto para celebrar um gol na pelada da rua?
Quem não invejou a dedicação, a vibração, a liderança, a genialidade de Lionel Messi?
Quem não se apaixonou por Keyne, de 3 anos, irmão fofo de Lamine Yamal, com suas caras e bocas no telão dos estádios?
Quem não teve vontade de cantarolar algum improviso na hora do hino da Espanha, oficialmente sem letra, interpretado apenas por uma melodia instrumental?
Quem não amou a camisa do México, unindo tradição e beleza, e com forte significado cultural?
Quem não cogitou tirar os meiões da gaveta e fazer, com uma tesoura, esquisitos buracos para aliviar a pressão nas panturrilhas?
Quem não sonhou ter panturrilhas de jogador de futebol?
Quem não fez conta para incluir na próxima despesa do mês um par de chuteiras cor de rosa?
Quem não assistiu mil vezes ao VT para discutir o chip da bola responsável pela anulação do gol da Croácia contra Portugal?
Quem não xingou o juiz, a mãe do juiz, o VAR e o raio que os parta?
Quem não teve vontade de fazer embaixadinha com a Trionda dourada?
Quem não se preocupou com o fígado dos torcedores escoceses que acabaram com a cerveja dos bares de Boston?
Quem não se impressionou com o controle de bola da Espanha?
Quem não se entusiasmou com a garra da Argentina para virar mais um jogo aparentemente perdido?
Quem não se indignou com a decisão da Fifa de revogar o cartão vermelho do atacante Balogun a pedido do presidente Trump?
Quando a bola deixar de rolar, a poeira baixar e a última gota de suor pingar no gramado do MetLife Stadium, a Copa do Mundo ainda estará viva e majestosa no coração de quem ama o futebol. Porque vitórias e derrotas se eternizam, mas nada apaga também da história as lembranças que cada jogo é capaz de proporcionar. É muito mais que vencer ou perder. É viver cada segundo que a bola nos oferece. Obrigada, futebol. Quem não vai sentir saudade da Copa do Mundo?