Respeitem Cristiano Ronaldo. Ele ainda está aqui
João Neves deveria pegar o celular da namorada, entrar na internet e perder o resto da vida lendo sobre o maior artilheiro da história de Portugal em Copas do Mundo
- Brasil
Junho 25, 2026
Deixem Cristiano Ronaldo em paz. Qual é a necessidade de se criar um torneio à parte entre ele, Lionel Messi, Kylian Mbappé, Harry Kane e Erling Haaland? Ninguém vai merecer menos aplausos em uma disputa como essa, sem perdedores.
Torcedor e imprensa precisam aprender, e já passa da hora, que o melhor em uma Copa do Mundo é a possibilidade de se degustar todos os craques que a competição oferece. E, no caso de Cristiano Ronaldo, 41 anos, e Lionel Messi, que acaba de completar 39, o sabor equivale ao do queijo com goiabada da sobremesa. Um é queijo; o outro, goiabada. Qual é melhor? Depende do gosto. A lamentar apenas o fato de estarem no fim, saindo do cardápio de Copas do Mundo. É pegar ou largar. Se um desses não for protagonista, dane-se o protagonismo.
Tal protagonismo foi cobrado de Cristiano Ronaldo logo na estreia melancólica de Portugal, quando um empate em 1 a 1 com a seleção de Congo, no qual ninguém jogou bulhufas, fez o mundo desabar sobre o ídolo português.
Seis dias depois, o mesmo bombardeado, velho demais para estar ali, meteu dois gols em cima do Uzbequistão. Pronto. Tornou-se o primeiro jogador do mundo a marcar em seis Copas diferentes, superou os nove gols de Eusébio – assumindo o posto de maior artilheiro da história de Portugal no torneio – e virou capa de jornal. Ou melhor: dos jornais. “Vitória de mão cheia com bis do capitão”, disse A Bola. “Cristiano entra para a constelação da Copa”, estampou O Globo, do Brasil. A besta virou bestial, e foram resolvidos todos os problemas da seleção portuguesa com a goleada de 5 a 0 sobre os uzbeques.
É dura a vida do ídolo, sobre quem vai respingar sempre a responsabilidade por um mau resultado. E, no caso de Cristiano Ronaldo nesta Copa, a cobrança é maior devido à idade. Não basta vencer. É preciso fazer gols, quanto mais melhor, e correr muito para provar ao mundo que Roberto Martínez não errou em lhe proporcionar mais uma temporada com a camisa de Portugal.
No dia 20 de agosto, CR7 completa 23 anos vestindo-a com dignidade, em uma trajetória honrosa que revolucionou a história dessa seleção, tornando-a candidata a títulos nas mais importantes disputas. Vou além, saindo da esfera esportiva, sem exagero: é impossível olhar Cristiano Ronaldo e não remeter sua imagem à de Portugal. O ídolo é bandeira, símbolo vivo do país.
Aos 21 anos, João Neves deveria olhar para trás e compreender o tamanho do quarentão que está diante do seu nariz no convívio diário em treinos e partidas. Deveria contemplá-lo da cabeça aos pés e agradecer a Deus o privilégio de poder tocar bola com um craque imortal. Não seria demérito nenhum oferecer-se, por exemplo, para engraxar seu par de chuteiras. Mas o jovem preferiu dar um bico no futebol ao dizer que Cristiano Ronaldo “não é diferente dos outros”.
Merecia cartão vermelho por afirmar que o camisa 7 “é mais um jogador da equipe que ajuda o grupo, exatamente como todos os outros jogadores fazem”. Pera lá, João Neves. Quer uma dica? Faz o seguinte: tira, rápido, o celular da mão da sua namorada que curte tanto as redes sociais, entra na internet, digita lá o nome do Cristiano Ronaldo e passe o resto da vida lendo sobre o maior artilheiro da história de Portugal em Copas do Mundo. Vai estudar um pouco sobre o esporte que praticas, filho. Ele (ainda) está aqui. Siuuu!