Do Brasil ao mundo

Restaurante paulista estreia em Lisboa e fundador revela planos da primeira unidade internacional

Em entrevista à EntreRios, Daniel Sahagoff explica a escolha do Chiado e os planos do Cantaloup para Portugal

Julho 19, 2026

Fundador da marca Cantaloup, Daniel Sahagoff. Crédito: Fábio Pelinson

Após três décadas consolidado como um dos restaurantes mais tradicionais da alta gastronomia paulistana, o Cantaloup inaugura oficialmente sua primeira unidade internacional em Lisboa, marcando um novo capítulo na história da marca criada pelo restaurateur e enófilo Daniel Sahagoff. Instalada no Chiado, um dos bairros mais emblemáticos da capital portuguesa, a casa abriu as portas ao público na quinta-feira (16), levando a Portugal a essência construída em São Paulo, mas sem a intenção de reproduzir o restaurante brasileiro.

A proposta, segundo Sahagoff, é justamente o oposto: preservar o DNA do Cantaloup, valorizando a gastronomia portuguesa por meio dos ingredientes locais, da liberdade criativa da equipe e de uma cozinha que dialoga entre os dois lados do Atlântico. Em entrevista exclusiva à EntreRios, o empresário falou sobre o conceito da nova unidade, a relação da marca com Portugal, a escolha do Chiado, a carta de vinhos, os planos de expansão e a expectativa de conquistar tanto os clientes que já conhecem o restaurante quanto um novo público europeu.

O Cantaloup chega a Lisboa depois de quase trinta anos de história em São Paulo. O que as pessoas vão encontrar nesta nova unidade?

Aqui é tudo diferente. Dei muita liberdade para os chefs fazerem uma proposta bem apropriada para Portugal, utilizando ingredientes locais, como os frutos do mar e o porco preto. A ideia é agradar tanto o público português quanto os turistas que chegam ao país esperando encontrar uma gastronomia ligada ao território. Estamos fazendo testes, experimentando bastante, para construir essa identidade própria.

Então Lisboa não é uma réplica do Cantaloup de São Paulo?

Não. A essência continua sendo a mesma, mas não faria sentido copiar São Paulo. Queremos aproveitar toda a riqueza gastronômica portuguesa. Aqui encontramos produtos extraordinários e isso precisa aparecer na cozinha.

Sobremesas que foram servidas em um soft opening do Cantaloup Lisboa. Crédito: Fábio Pelinson

Você já tem algum prato favorito desta nova casa?

Gosto muito dos crudos. Tem crudo de lírio e de atum, por exemplo. Sempre gostei muito de peixe cru, talvez porque costumo frequentar restaurantes japoneses quando tenho um tempo livre. Aqui a oferta de peixe fresco é fantástica. Fiquei impressionado com a quantidade de produtos que chegam dos Açores, desde manteiga até atum e outras espécies. É uma riqueza enorme e precisamos aproveitar isso.

O Cantaloup sempre teve uma forte ligação com o universo dos vinhos portugueses. Como essa experiência chega a Lisboa?

Nossa relação com Portugal vem de muito tempo. Ao longo desses 30 anos, conhecemos praticamente todos os grandes produtores portugueses. O mercado de vinhos portugueses cresceu muito no Brasil e construímos amizades importantes. Hoje mesmo recebemos o Pedro, da Real Companhia Velha, que veio especialmente do Porto para prestigiar o Cantaloup. Isso mostra a relação que construímos ao longo dos anos.

Diversos vinhos no Cantaloup Lisboa. Crédito: Fábio Pelinson

A escolha por Lisboa representa também uma aproximação pessoal com Portugal?

Sim. Minha esposa e minha filha já têm nacionalidade portuguesa. Elas conseguiram a cidadania por meio da família, que é de Vila Real. Eu ainda não consegui a minha, mas Portugal já faz parte da nossa história há bastante tempo.

Esplanada do Cantaloup em Lisboa. Crédito: Fábio Pelinson

Por que escolher justamente o Chiado para receber a primeira unidade internacional?

Acho o Chiado maravilhoso. É onde o turismo acontece, onde existe um movimento constante. Além disso, encontrei uma esplanada fantástica, algo que dificilmente conseguiria em São Paulo. Quando vi este imóvel histórico, com essa esplanada, pensei imediatamente: “É aqui”. Depois reformamos completamente o espaço. Levamos um ano e cinco meses de obras. Tudo o que existe hoje foi construído do zero.

LEIA MAIS: Restaurante brasileiro em Lisboa lança cachaça artesanal exclusiva inspirada na Bahia

O conceito do ambiente também faz parte da identidade do Cantaloup?

Com certeza. Sempre valorizamos espaços com muito verde, água, iluminação natural e ambientes que favoreçam a convivência. Isso, aliado a uma culinária criativa e a um excelente custo-benefício, forma um tripé muito importante para nós.

O restaurante preserva também elementos da história da casa original?

Sim. Algumas cadeiras vieram de São Paulo, por exemplo. Fazem parte da identidade do Cantaloup desde o projeto original. Gostamos de preservar esses detalhes porque contam a nossa história.

Quem forma a equipe da nova unidade?

A maior parte é composta por brasileiros que moram em Portugal. Cerca de 92% da equipe é brasileira. Muitos já conheciam a história do Cantaloup, o que facilitou bastante o processo de integração.

Qual é a expectativa em relação ao público?

Naturalmente esperamos receber muitas pessoas que já conhecem o Cantaloup, não apenas brasileiros, mas também portugueses que frequentavam a casa em São Paulo ou que têm ligação conosco por meio do universo dos vinhos. Ao mesmo tempo, queremos conquistar o público local e os turistas que circulam pelo Chiado.

Essa inauguração é apenas o começo da expansão internacional?

Daniel: Se surgirem novas oportunidades em Portugal, podemos continuar crescendo por aqui. Caso contrário, o próximo passo provavelmente será a Espanha. Estamos analisando algumas propostas para entender qual faz mais sentido.

Um Cantaloup pensado para Portugal

Cantaloup no icônico bairro do Chiado. Crédito: Fábio Pelinson

Embora mantenha a identidade construída em São Paulo desde 1996, a unidade portuguesa nasce com personalidade própria. O cardápio privilegia ingredientes e produtores nacionais, ao mesmo tempo em que preserva referências brasileiras em preparações e ingredientes como mandioca, pimenta-de-cheiro e quindim.

A cozinha é comandada pelo chef executivo Rogério Alves, que lidera uma equipe multicultural. Entre as sugestões do menu estão diferentes opções de crudos, risoto de amêijoas, borrego Wellington, ravioli de pato e sobremesas como quindim com maracujá e coco, panna cotta de frutas vermelhas com yuzu e criações à base de chocolate.

Outro destaque é a carta de vinhos, que reúne aproximadamente 200 rótulos cuidadosamente selecionados, reforçando uma das principais características do Cantaloup desde a sua fundação.

LEIA TAMBÉM: Roteiro do vinho: conheça 7 vinícolas que valem a visita no Algarve

Na arquitetura, o projeto assinado pelo brasileiro Otávio de Sanctis privilegia o uso de madeira, iluminação natural e conforto. O restaurante conta com 56 lugares na sala principal, uma esplanada com capacidade para 30 pessoas, uma sala privativa para 16 convidados e um jardim de inverno, previsto para ser inaugurado em breve.

Para Daniel Sahagoff, a chegada a Lisboa representa mais do que a abertura de uma nova casa: simboliza a internacionalização de uma marca construída ao longo de três décadas, mantendo como pilares a hospitalidade, a criatividade e a valorização da gastronomia.

Serviço

Cantaloup Lisboa

Endereço: Largo do Picadeiro, 8B, 1200-026, Lisboa
Reservas: (+351) 961 143 111
Horário de funcionamento:
Terça-feira a sábado, das 16h à 0h (a cozinha encerra as atividades às 23h)
Domingo e segunda-feira: fechado

fernanda@revistaentrerios.pt

Fernanda Baldioti
fernanda@revistaentrerios.pt