“Ritas”, documentário sobre Rita Lee, estreia em Portugal
A produção, sucesso de público no Brasil, chega a Portugal em sessão única celebrando a liberdade, o humor e a sonoridade de Rita Lee
- Lisboa
Outubro 27, 2025
Lisboa prepara-se para vibrar ao som de uma alma que nunca se calou. “Ritas”, o documentário mais visto do Brasil em 2025, chega à capital portuguesa em sessão única no Festival Tribeca, no dia 30 de outubro, no Teatro Ibérico.
A 7800 Produções traz à Europa o retrato luminoso, e as vezes ácido, da rainha do rock brasileiro, Rita Lee (1957-2023). A artista que cantou “Ovelha negra da família, eu sempre fui eu sei” agora ecoa em novas gerações, atravessando o Atlântico com a mesma irreverência que a fez eterna.
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O filme, realizado por Oswaldo Santana e Karen Harley, é uma viagem pela vida e pelos delírios de Rita, uma mulher de riso fácil e mente anárquica, que transformou rebeldia em poesia.
“Foi um privilégio co-produzir o Ritas. Ver o filme tornar-se o documentário mais visto do Brasil e agora chegar ao Tribeca enche-nos de orgulho e mostra que as histórias do Brasil também têm espaço nas telas portuguesas”, afirma Lukasz Gieranczyk, da 7800 Produções.

Entre arquivos raros e confissões derradeiras, Ritas revela suas muitas peles: cantora, escritora, mãe, inventora de si mesma.
Há nela a menina dos Mutantes, a mulher que trocou guitarras por liberdade, a cronista que fez da própria vida uma canção: “Cor-de-rosa choque, eu acho que eu gosto mesmo de ser mulher”, diz um trecho que parece resumir sua existência, um ato contínuo de autocelebração.
Com mais de 33 mil espectadores nas primeiras semanas no Brasil, a obra reafirma o poder contagiante da artista com seu humor que desafia o trágico e sua ternura disfarçada de deboche.
“Assisti sorrindo o tempo todo, feliz de estar vendo Rita Lee. Nunca existirá outra igual a essa. Desceu no Brasil esta alma, e veio para botar para quebrar. E botou para quebrar!”, Ney Matogrosso

Assistir ao documentário é como folhear um diário sonoro do Brasil que ousou ser diferente. Cada cena pulsa com a energia de quem acreditava que “dizem que sou louca por pensar assim…”, e ria, porque sabia que a loucura era o segredo da lucidez. Ritas estreou no Brasil no final de maio.
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Na plateia lisboeta, quando as luzes se apagarem, talvez ecoe um coro suave: “Saia do meu caminho, eu prefiro andar sozinha”. E ali, “no escurinho do cinema”, ops teatro, Rita renascerá mais uma vez Rita Lee. Múltipla, livre, viva e lembrando que algumas estrelas não se apagam: apenas mudam de palco.
A única sessão de Ritas estará no Festival Tribeca dia 30 de outubro, às 17h30, no Teatro Ibérico (Rua de Xabregas, 54, Lisboa). O bilhete custa 15 euros.
O Festival Tribeca, que acontece dias 30 de outubro e 1 de novembro, é uma celebração do storytelling global que, inspirado no festival de Nova Iorque, une culturas e comunidades através do poder das histórias.

Sinopse do documentário
É no processo de “arqueologia pessoal”, que se apresenta através das brechas da vida, que a cantora Rita Lee mostra o que todos veem, de uma maneira que ninguém jamais viu: Rita poeta, compositora, instrumentista, escritora, eremita e musa.
A vida pessoal de Rita e o seu processo criativo são desvendados, revelando, assim, seu talento musical e sua capacidade de metamorfose no palco. A própria Rita guia a narrativa em entrevistas concedidas durante toda a sua carreira e depoimentos recentes e inéditos.