“Rodopio”: nova obra de Joana Astolfi transforma o peão em escultura
Em edição limitada, a peça em faiança une serpentes, movimento e memória para eternizar o símbolo mais íntimo da artista
- Lisboa
Novembro 25, 2025
“Finalmente o meu peão eternizado”. Foi com essa frase — e um sorriso largo — que a artista Joana Astolfi chegou para falar com a imprensa. A lisboeta, filha de pai brasileiro, lançou nesta segunda (24) Rodopio, seu novo trabalho em parceria com a fábrica Bordallo Pinheiro.
Conhecida por uma trajetória profundamente ligada ao design de interiores, restaurantes, lojas e instalações que carregam sua assinatura, Joana desejava criar uma peça que dialogasse com a própria identidade artística.
“Eu queria o peão em cor mate e queria trabalhar com fauna, não com flora. Por isso as serpentes”, explica a artista, que também confessa ser fã de caracóis. O peão é um elemento recorrente na obra de Joana: ela já o utilizou, inclusive, em uma vitrine criada para a Hermès.

Embora diga que sua cor favorita é o terracota, Joana relembra fases em que preferiu o verde e teve uma forte predileção pelo rosa. Notívaga assumida e pouco disciplinada, ela ri das próprias características — que, de certa forma, também moldam seu processo criativo.
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Para ela, Rodopio nasce carregado de significado: “É uma luta entre o homem e a natureza que vive à volta do peão. Por isso o nome Rodopio. Na minha imaginação, o peão está num movimento rápido e os homens tentam fugir e saltar”, descreve.
Joana participou ativamente de todas as etapas do desenvolvimento:
“Pus a mão na massa e posicionei cada peça no peão-modelo. A peça, feita em faiança, foi concebida para ter essa inclinação e por isso o uso de uma serpente como calço. Essa é a beleza da arte”, conclui, referindo-se às voltas que a cobra faz em torno da peça, evocando a corda (ou fieira) usada para fazê-la girar.
Com apenas 140 unidades produzidas, Rodopio chega ao mercado por 1.900 euros.