Crônica

Santo Antônio, o tataravô do Tinder

Quem não gosta de junho em Portugal, bom sujeito não é. Ah, junho, com o sol fazendo hora-extra até depois das nove da noite, é um convite para deixar a preguiça para mais tarde. Vai ser feliz, criatura!

Junho 10, 2025

Decoraçoes festivas nas ruas de Lisboa, Portugal
Junho é o mês dos santos populares em Portugal, de São João acendendo as fogueiras no Porto, do ‘pescador de homens’ São Pedro multiplicando os peixes nas grelhas das vilas de pesca na margem sul do Tejo. Crédito: Pedro Rebelo Pereira/Pexels.

É mês de festa em todos os cantos, tipo o carnaval no Brasil. Junho é quando o português se fantasia de brasileiro e dança a céu aberto, como se não houvesse amanhã.

Agora, cá entre nós, que me perdoe São João e não me leve a mal São Pedro, mas em matéria de popularidade não quem supere Santo Antônio, de longe o primeiro no ranking do amor, o mais popular entre os santos populares do país, padroeiro de Lisboa e de Portugal. E com toda a justiça.

Santo Antônio é o santo dos milagres mundanos, aqueles que fazem a diferença na vida das pessoas, o santo dos assuntos da paixão e do amor, reconstituindo a virgindade de donzelas em apuros, unindo as caras-metades.

Santo Antônio é uma espécie de tataravô do Tinder, clica lá no coraçãozinho e garante o match perfeito, valei-me Santo Antônio, padroeiro dos crushes!

Para o casalzinho apaixonado é de lei, são dois jantares à luz de velas, dois presentes por ano embora Santo Antônio nunca tenha esticado o salário de ninguém.

Se ainda não parou para pensar, é por causa de Santo Antônio que junho é o mês dos namorados no Brasil e não em fevereiro, como acontece em quase todo mundo, embora, vamos combinar, encaixar o Dia dos Namorados em pleno furdunço do carnaval brasileiro, justamente quando é cada um por si e ninguém é de ninguém, seria milagre para São Valentim nenhum botar defeito.

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O que Santo Antônio não ia adivinhar é que por causa dele o calendário sentimental do imigrante brasileiro em Portugal entrou em parafuso. Na prática, o brasileiro e a brasileira na terrinha têm de lidar não com um, mas com dois Dias dos Namorados por ano, para o bem e para o mal.

Para o casalzinho apaixonado é de lei, são dois jantares à luz de velas, dois presentes por ano embora Santo Antônio nunca tenha esticado o salário de ninguém. Pior é o drama de quem está com a vida amorosa mais parada do que a fila da Aima, pois são dois Dias dos Namorados sozinho da silva, sem ninguém para aquecer.

Ninguém merece, Santo Antônio, agora é contigo, dá teus pulos aí e vê se resolve os perrengues dessa gente bronzeada.

*O autor fez promessa ao Santo Antônio para conseguir uma namorada

Esta crônica é parte da primeira edição da revista EntreRios, distribuída nas principais bancas de Portugal. Você também pode assinar e receber a publicação no conforto da sua casa, além de ler a publicação completa.