Startup brasileira com solução para substituir o alumínio já está presente em mais de 500 salões de beleza de Portugal e em 19 países do mundo
A Papel para Mechas visa oferecer mais economia e sustentabilidade para os salões de beleza. Hoje a empresa já alcançou mais de 60 mil salões do mundo e quer crescer mais
- Lisboa
Março 8, 2026
Os empresários Lucas Olivetti e Adailton Alves Maciel Junior criaram, em 2020, em Londrina, no Paraná, uma startup que possui uma tecnologia focada em folhas de papel para serem utilizadas durante a realização de mechas nos salões de beleza.
O material mostrou ser muito mais eficiente e sustentável que os tradicionais papeis de alumínio, comuns nos salões, o que impulsionou a empresa.
A Papel para Mechas planeja faturar R$10 milhões em 2026 e está presente em mais de 60 mil salões de 19 países, além de 350 distribuidores homologados e 150 marcas de private label.
Para 2026, além de lançar um novo produto, o foco é expandir a presença no mercado externo e alcançar 50 países.
Em Portugal, terceiro país da marca, a solução já está presente desde 2023 em mais de 500 salões e conta com dois distribuidores e uma marca private label.
Fabricado a partir de recursos sustentáveis e com as tecnologias patenteadas Air Flow e Grip System, o Papel Para Mechas é feito a partir de material reciclável e pode ser reutilizado de três a sete vezes pelo cabeleireiro após a limpeza adequada, o que reduz significativamente o impacto ambiental do descarte.

“Além de não conter metal, ele ainda tem as tecnologias. Ele é feito de papel de celulose e possui uma película muito fina de plástico que é oxi-biodegradável, diferente do alumínio que leva cerca de 300 anos para se decompor. Por isso, pode ser utilizado várias vezes o que também traz vantagens econômicas para os profissionais”, afirma o cofundador da Papel Para Mechas, Adailton Alves Maciel Junior.
O produto também é compatível com os descolorantes e aumenta seu rendimento em 35%, segundo a empresa. “Ele traz uma eficiência ergonômica, aprimorando o trabalho para o cabeleireiro, além de trazer mais segurança tanto para o profissional quanto para cliente final que está fazendo o seu cabelo. Não vai correr o risco de ter lá o cabelo danificado porque escorreu, porque teve um corte químico. Com o nosso produto, isso não acontece”, destaca o empresário.
Adailton afirma que observou o potencial internacional do produto ao verificar em feiras de beleza na Itália que não havia qualquer produto com tecnologia semelhante. Em 2023, o produto chegou aos Estados Unidos e na sequência à Itália e Portugal e logo se espalhou para 19 países.
“Para os próximos anos, a gente prevê um crescimento exponencial da empresa, porque a gente já passou por toda a etapa de maturação. A tendência é um crescimento tanto da indústria, da nossa fábrica e também do potencial de crescimento de clientes. Acreditamos que, em um prazo de cinco anos mais pelo menos, a gente alcance pelo menos 300 mil salões”, projeta.

Portugal
Em Portugal, um dos distribuidores é Rui Alexandre Ribeiro, que já trabalha com a marca há um ano e já vendeu a tecnologia para mais de 100 salões de beleza. Ele ressalta as vantagens econômicas e ecológicas do produto e já projeta um crescimento significativo. “Queremos duplicar o número de clientes até o fim do ano”, afirma.
A tecnologia também caiu nas graças de Gabriela da Conceição Ribeiro, dona do Dream Beauty Studio, em Aveiro. Utilizando o produto há um ano ela afirma que testou diversos serviços de iluminação e percebeu a diferença para o controle do seu trabalho.
“O papel específico para mechas é mais firme, não escorrega tanto e permite trabalhar com mais precisão. Consigo trabalhar as mechas de forma mais uniforme e com maior segurança no clareamento. Além disso, ele facilita a organização das mechas, mantém melhor o produto no lugar e torna o processo mais confortável tanto para o profissional quanto para a cliente”, elogia ela.
Segundo ela, as próprias clientes também têm comentado que se sentem “mais seguras” ao ver um material próprio para a técnica. “Elas acabam valorizando ainda mais o serviço”, avalia. Outra vantagem é a questão da sustentabilidade que também se torna um ponto positivo comercialmente.
“Há menos desperdício de produto e de material. Para o salão, é positivo porque conseguimos alinhar qualidade no serviço com uma postura mais consciente em relação ao meio ambiente. Isso é algo que cada vez mais clientes valorizam”, explica.

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Já a portuguesa Patricia Querido, dona do Patricia Querido Cabeleireiros, de Coimbra, conta que já havia morado no Brasil, onde realizou a sua formação como cabeleireira. Ela conta que, desde que voltou a Portugal há oito anos, ela sentia falta de um produto semelhante para realizar as mechas em clientes. Hoje, há um ano com a Papel para Mechas, ela exalta a importância da tecnologia.
“A cliente consegue ter mais conforto e liberdade de andar e se movimentar pelo salão sem ter riscos de escorrer o produto, além de ser mais leve na cabeça delas. Para o profissional há mais praticidade para fechar o papel, além da segurança que permite o oxigênio circular e impede a quebra das madeixas, porque há um isolamento térmico ideal. Também é muito mais rápido realizar o procedimento com o papel”, explica a profissional.
Ela também elogia o fator da sustentabilidade ligado ao produto, ressaltando que procura produtos que acompanhem a exigência e a qualidade do seu trabalho.
“Acredito que nós, portugueses, precisamos deixar de ser tão conservadores e nos permitir abrir-nos a novos horizontes, especialmente nessa questão da sustentabilidade que representa o futuro dos nossos filhos e netos. Podemos pensar num futuro melhor e a utilização do Papel para Mechas é um exemplo disso”, finaliza.
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