Inovação

Startup brasileira usa IA para prever riscos trabalhistas e avança na Europa

Startup foi uma das dez incubadas pelo Sebrae e Apex desde março e já foi selecionada para projetos na Ilha de Man e na Finlândia

Abril 19, 2026

Meline Lopes, CEO da startup alagoana Sandora. Crédito: Divulgação

A startup alagoana Sandora, plataforma tecnológica voltada para compliance trabalhista, saúde mental no trabalho e gestão de riscos, tem apresentado uma trajetória meteórica e já prevê voos ainda mais altos. A empresa foi uma das selecionadas pelo Sebrae e pela ApexBrasil para o programa de incubação em Lisboa que começou em março para a expansão internacional das empresas.

A presença em Portugal já tem movimentado as atividades. A startup foi uma das selecionadas pelo Programa Protechting 8.0, para aceleração de startups áreas de seguros, saúde e sustentabilidade, promovido pelo grupo chinês Fosun, em parceria com o Grupo Fidelidade, o Hospital da Luz Learning Health e a seguradora peruana La Positiva.

Concorrendo contra mais de 600 empresas, a Sandora foi uma das selecionadas e está produzindo um projeto piloto para 216 colaboradores do Fidelidade Assistance, seguradora especializada em serviços de assistência e proteção jurídica.

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“Conseguimos adaptar nossa solução para o piloto com a empresa. Eles queriam automatizar as pesquisas realizadas por formulários e melhorar as evidências relacionadas à segurança do trabalho e nosso projeto atendeu ao que eles queriam. Depois a ideia é estender o projeto para todo o grupo que conta com mais de três mil pessoas”, celebra Meline Lopes, CEO da Sandora, que chegou no país europeu há pouco mais de um mês. Desde então a equipe, que conta com oito pessoas em Arapiraca e em Maceió, tem se dividido entre os dois continentes.

Desde o ano passado, a startup já contava com um cliente em Portugal, o CESAR (Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife), que possui uma sede em Aveiro desde 2023, e que contratou os serviços de pesquisas de mensuração de risco e a inteligência artificial preditiva. A healthtech ainda estava presente no Web Summit, como parte da delegação brasileira de startups.

Ainda em território luso, a empresa estabeleceu um piloto gratuito para teste com o Instituto Português da Qualidade (IPQ), do qual é incubada. Outras possibilidades de contatos com seguradoras e com empresas da segurança do trabalho também têm sido realizadas.

A empresa também já pensa em voos ainda mais altos. Ela foi uma das 16 selecionadas no programa Innovation Challenge 2026, entre 476 concorrentes de 25 países, para desenvolver soluções voltadas para os segmentos de saúde e cuidados para os habitantes da Ilha de Man, localizada entre o Mar da Irlanda, entre a Irlanda e a Inglaterra.

Para além disso, também foi uma das selecionadas para participar do programa Sisu Launchpad, programa de aceleração promovido pelo governo finlandês com 18 startups que prevê a realização de workshops e de uma programação presencial na cidade de Helsinque.

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“Portugal possui essa proximidade com o Brasil e a Europa e temos pensado em ter uma sede aqui mas também abrir outras bases. Estamos estudando todas as possibilidades de mercado e verificando onde será mais vantajoso para a gente, considerando a regulação e a legislação local”, ressalta ela.

Atuação

A Sandora nasceu em 2021, no auge da pandemia por Covid-21, como um marketplace de serviços voltado especialmente para mulheres que estavam em casa, sobrecarregadas pela tripla jornada e buscando renda.

A ideia evoluiu. Com o avanço das discussões sobre saúde mental no trabalho e a atualização da NR-1, que exige a mensuração de riscos psicossociais nas empresas, a Sandora pivotou o modelo e tornou-se uma plataforma tecnológica voltada para compliance trabalhista e gestão de riscos, com apenas seis meses de operação estruturada no novo modelo de comercialização.

Hoje, healthtech atua em 12 estados brasileiros, atende cerca de 17 mil pessoas e, também tem negociado operações na China e no Canadá.

Hoje, a empresa combina metodologia internacional – como o questionário de Copenhague, o COPSOC – com inteligência artificial e análise de dados para prever riscos antes que eles se transformem em passivos trabalhistas.

A plataforma cruza respostas de colaboradores, palavras-chave recorrentes em atendimentos e frequência de registros para acender alertas preditivos às empresas.

Além disso, oferece canal de denúncia, documentação jurídica, capacitações obrigatórias pelas NR-1 e NR-5 e serviços orbitais de adequação normativa.

renan@revistaentrerios.pt

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