Supermercados portugueses apresentam crescimento nas vendas de produtos brasileiros e já planejam aumentar a oferta
Pingo Doce e Continente, duas das mais tradicionais marcas do país, comemoram a alta procura e afirmam que portugueses também tem consumido muitos artigos brasileiros
- Lisboa
Maio 5, 2026
O Pingo Doce e o Continente, as duas principais redes de supermercados de Portugal, têm registrado um número cada vez maior de produtos brasileiros em suas prateleiras, com grande interesse por parte dos consumidores e afirmam que já há a previsão para expandir a lista de produtos comercializados, que vão de bolachas recheadas a açaí, de picanhas a queijo coalho e pão de queijo. Apenas no Continente, o crescimento nas vendas de um portfólio de mais de 500 produtos brasileiros foi de 30% em 2025.
“A procura pelos produtos brasileiros tem sido extremamente positiva e supera as expectativas iniciais. O forte interesse dos consumidores impulsionou inclusive a disponibilização destes produtos para um número maior de lojas, refletindo a crescente procura dos produtos brasileiros em Portugal”, afirmou a fonte oficial do Pongo Doce.
A rede afirma que tem sido destaques artigos como feijão Camil, bolachas Mabel e Trakinas, Sinhá, paçoca Moreninha do Rio, temperos Sázon e outros produtos do consumo cotidiano. Também têm sido muito requisitadas as carnes bovinas brasileiras, como picanhas, bifes da vazias, maminhas e fraldinhas.
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Já o Continente destacou que a presença de produtos brasileiros começou como uma oferta de nicho, mas acabou evoluindo para uma presença constante no dia a dia de muitos lares não apenas dos brasileiros que vivem no país como também dos próprios portugueses com uma “crescente curiosidade dos consumidores por novos sabores e experiências gastronómicas”.

“Esta evolução acompanha uma tendência mais ampla de abertura à cozinha internacional, onde o Brasil se destaca pela forte ligação cultural e afinidade com o público português. Mais do que responder às necessidades da comunidade brasileira, este sortido tem vindo a conquistar um público cada vez mais diversificado consolidando o seu espaço no consumo cotidiano em Portugal”, afirma a fonte oficial da rede de supermercados.
Por lá, são disponibilizados artigos ligados ao “mercado da saudade”, com marcas com forte ligação emocional como Yoki, Sazón e da Terrinha, além de uma ampla variedade como cortes bovinos, filés de tilápia, açaí, queijo coalho, frutas como maracujá, abacaxi, manga e papaia, produtos de mercearia, como farofa, mandioca, tapioca, inhame, feijão, molhos e preparados tradicionais, a par de produtos icónicos de padaria e doçaria, como pão de queijo, panettone, doce de leite, goiabada e brigadeiro.
Há ainda opções de bebidas como o guaraná e açaí e refeições prontas como a feijoada à brasileira ou a moqueca de camarão à baiana.
“Destaca-se a forte procura por produtos, como o açaí, o pão de queijo ou a tapioca, bem como um crescimento relevante nas opções prontas ou semiprontas, que facilitam a preparação das receitas típicas.

Paralelamente, produtos como o açaí, a água de coco ou o guaraná beneficiam também das preferências de consumo associadas ao bem-estar e à procura por bebidas diferenciadas”, revela o Continente.
O Pingo Doce afirma que o processo de importação envolve uma análise cuidadosa dos produtos mais consumidos, além das tendências de procura por produtos identificada nas lojas.
“O processo de importação é realizado em parceria com importadores especializados em produtos brasileiros. Este trabalho permite assegurar um portfólio ajustado aos hábitos, preferências e expectativas dos consumidores”, detalha.
A rede varejista já prevê ampliar a oferta de produtos com a introdução de novas marcas e do reforço das gamas de farinhas e bolachas.
O Continente também destaca que busca oferecer experiências gastronômicas relevantes de acordo com a evolução do consumo e da procura, identificação de tendências gastronômicas e das dinâmicas das comunidades internacionais residentes em Portugal.
“O processo integra também uma fase exigente de curadoria e seleção, desenvolvida através de parcerias diretas com produtores e fornecedores especializados. Cada produto é desenvolvido e avaliado com base na autenticidade da receita, na qualidade sensorial, na consistência de fornecimento e no cumprimento rigoroso das normas europeias de segurança alimentar”, aponta. Há ainda testes internos, avaliações sensoriais e ajustes de embalagem, rotulagem e adequação ao mercado português.
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Com o lançamento de 365 novos lançamentos de produtos ao ano, a marca afirma que sua oferta não é estática e que está disposta a adaptar e a enriquecer sua oferta de produtos.
“A oferta é ajustada de forma contínua, loja a loja, em função da procura e da sazonalidade, garantindo que cada cliente encontra propostas relevantes”, destaca. A expectativa é que haja um reforço de queijos brasileiros, de doces e sobremesas tradicionais, além de bebidas, como a água de coco e de frutas tropicais como o açaí.
A reportagem da EntreRios também buscou contato com outras grandes redes como Auchan, Lidl e Aldi, mas não obteve retorno.
renan@revistaentrerios.pt