Cultura

Tati Pasquali estreia “A Mulher Desarvorada” inspirada em Beauvoir

O monólogo convida o público a refletir sobre o papel da mulher que, ao dedicar-se à família, perde o controle sobre a própria existência

Outubro 15, 2025

Em cartaz de 16 a 26 de outubro no Teatro Municipal Amélia Rey Colaço, em Algés. Crédito: Divulgação

Em A Mulher Desarvorada, Tati Pasquali dá vida a uma personagem na casa dos 40 anos que vê seu mundo ruir quando o marido anuncia que tem outra mulher. A atriz, que também assina a dramaturgia do espetáculo com encenação de Cláudia Semedo, transforma o palco em um espaço de confissão e reflexão.

Inspirada em A Mulher Desiludida, de Simone de Beauvoir (1908-1986), Tati revisita o tema da mulher que abdica dos próprios sonhos em nome da família e se vê, de repente, sem chão. Uma realidade que, segundo ela, “continua atual nos anos 2025, porque ainda há mulheres que vivem apenas para cuidar dos outros”.

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Para a atriz, o espetáculo não trata apenas do “ninho vazio”, mas do “lar vazio”, abordando a solidão que surge quando filhos e marido deixam de ocupar o centro da vida dessa mulher:

O texto me arrebatou porque fala desse lugar da mulher que se dedica totalmente e depois precisa lidar com o que sobra para ela”, explica.

Com encenação de Cláudia Semedo, o espetáculo mergulha nas contradições da mulher que dedica a vida à família. Crédito: Divulgação

O monólogo propõe um debate sobre o peso da presença e da ausência feminina, tanto dentro de casa quanto na sociedade, e questiona quem cuida da mulher que cuida de todos?

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A experiência pessoal de Tati também se entrelaça com a ficção. Após o espetáculo Viemos roubar os vossos maridos, em que abordou o estigma da mulher brasileira em Portugal e experimentou a linguagem do teatro documentário, a atriz traz novamente à cena fragmentos de sua própria história:

“É muito difícil se expor, revisitar memórias, contar coisas que o público não sabe. Mas o retorno é transformador. Muitas mulheres se reconhecem nas histórias e percebem vivências que antes não nomeavam”, conta.

Tati Pasquali em cena de A Mulher Desarvorada, monólogo inspirado em textos de Simone de Beauvoir. Crédito: Divulgação

Em A Mulher Desarvorada, Tati Pasquali rompe a quarta parede para dialogar com o público sobre maternidade, identidade e liberdade:

A maternidade atravessa tudo.  A vida profissional, afetiva, sexual. Não há um aspecto que não seja impactado por ela”, reflete.

Entre textos atemporais de Beauvoir e confissões pessoais, a atriz constrói uma narrativa delicada  sobre o que significa ser mulher, mãe e dona da própria voz em um mundo que ainda insiste em limitar suas escolhas:  “Viva a arte e viva as mulheres”, conclui.

A Mulher Desarvorada, que tem  apoio da Direção Geral das Artes, estreia nesta quinta (16) no Teatro Municipal Amélia Rey Colaço, em Algés. O monólogo  fica em cartaz até  26 de outubro e o bilhete custa 12 euros. Há descontos para maiores de 65 anos, menores de 25 e profissionais de espetáculo.

jordan@revistaentrerios.pt