Temer critica decisão dos EUA sobre PCC e CV: “O Brasil não pode permitir uma intervenção direta”
Ex-presidente afirmou que o melhor caminho é trabalhar em conjunto com os Estados Unidos por conta do alcance da atuação das organizações criminosas
- Lisboa
Junho 1, 2026
Nesta segunda-feira (1), durante o primeiro dia do Fórum de Lisboa, o ex-presidente Michel Temer e o ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes comentaram sobre a decisão do governo dos Estados Unidos de tornar o Comando Vermelho (CV) e o PCC como organizações terroristas.
O posicionamento frustrou o governo brasileiro, que é contra essa declaração por considerar que ela poderá deixar o país vulnerável a possíveis interferências em questões de segurança no Brasil.
Temer afirmou que um decreto dessa natureza deve ser discutido e conversado por parte das autoridades brasileiras e que o governo precisa garantir a soberania do país. “O que não se pode permitir é exata e precisamente uma intervenção direta nas questões internas do país”, destacou.
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Ele disse torcer para que os órgãos de segurança pública de Brasil e Estados Unidos possam chegar a um acordo para trabalharem juntos no combate ao crime organizado. “A questão do crime organizado hoje se internacionalizou. Não é uma questão apenas do nosso país. E se se internacionalizou, é possível que vários países possam ter interesse nesse combate. O fato é que é crime organizado e os países devem trabalhar juntos nessa questão”, ressaltou.
Gilmar Mendes: questão deve ser olhada com atenção
O decano do STF e um dos organizadores do Fórum de Lisboa, Gilmar Mendes, também concordou que a questão deve ser olhada com bastante cuidado, mas disse confiar na capacidade do Brasil de enfrentar crises institucionais, especialmente por conta de casos recentes em relação aos Estados Unidos.
“Nós temos sabido fazer a defesa da nossa soberania, como demonstramos em todas as discussões em torno da Lei Magnitsky, do tarifaço, das discussões que temos tido em torno das redes sociais, de modo que eu confio na institucionalidade e na defesa institucional da nossa soberania. Vamos preservar todo esse debate em nível elevado como temos feito”, ressaltou.
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A Lei Magnitsky bloqueou todo tipo de movimentação bancária e transações do ministro Alexandre de Moraes nos Estados Unidos por conta da condenação de Jair Bolsonaro em relação à tentativa de golpe no início de 2023.
Ele ainda falou que já há discussões no Supremo a respeito de decisões internacionais envolvendo o Brasil, como é o caso dos julgamentos das tragédias de Mariana e Brumadinho por parte de tribunais na Holanda e na Inglaterra. Ele disse que o caso tem a ver com política internacional, mas deixou em aberto a possibilidade do Supremo vir a discutir a questão no futuro.
Quem também comentou o assunto foi o ex-ministro do STF e ex-ministro da justiça do Governo Lula, Ricardo Lewandowski. Ele afirmou ser totalmente contra a classificação das organizações criminosas como terroristas e explicou os motivos. “Isso pode representar um atentado à nossa soberania, à nossa justiça. Além disso, na medida em que um país é classificado como abrigando organizações terroristas isso ocasiona uma série de restrições, como dificultar a entrada de novos investimentos estrangeiros”, disse.
Ele afirma que, enquanto foi ministro se manifestou diversas vezes contra esse posicionamento, já que a própria iniciativa privada poderá sofrer diversos prejuízos. “Quando um país abria organizações terroristas ele vira uma espécie de pária internacional. Os investidores estrangeiros terão muito mais cuidado para investir no Brasil, terão que redobrar os cuidados com compliance, seguros e medidas administrativas por medo de estarem envolvidos com alguma ilegalidade. E isso tanto acontece que a bolsa caiu logo depois, isso reflete a preocupação do empresariado”, analisou.
Ele acredita que o mercado poderá se adequar às circunstâncias, mas manifestou preocupação pelo fato de que o Custo Brasil vai aumentar, uma vez que as empresas terão que tomar medidas para se proteger de algum eventual envolvimento com esses grupos. “Vai acarretar na ponta o aumento das mercadorias e prejudicar o próprio consumidor”, finalizou.
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