Viagem

Turismo regenerativo: como apoiar aldeias afetadas pelos incêndios em Portugal

A ideia é que cada viagem deixe uma contribuição positiva: seja consumindo produtos locais, participando de ações de reflorestação ou valorizando manifestações culturais

Agosto 28, 2025

Aldeia de Montanha de Folgosinho/Crédito: Reprodução Instagram
Aldeia de Montanha de Folgosinho. Crédito: Reprodução/Instagram.

As chamas que durante 11 dias lavraram no Piódão, concelho de Arganil, consumiram mais de 64 mil hectares de floresta, transformando-se no maior incêndio já registrado em Portugal. Só em 2025, quase 250 mil hectares foram destruídos pelo fogo — um número muito superior aos 137 mil do ano passado.

Os incêndios, concentrados sobretudo no mês de agosto, atingiram principalmente as regiões do Centro e do Norte, deixando aldeias em alerta, famílias desalojadas e vastas áreas naturais reduzidas a cinzas.

Diante desse cenário, o turismo pode ter um papel fundamental na recuperação. Surge aqui o conceito de turismo regenerativo, um modelo que vai além da sustentabilidade tradicional. Mais do que apenas minimizar impactos, ele busca devolver vida aos territórios, apoiando comunidades, estimulando a economia local, regenerando o meio ambiente e fortalecendo tradições.

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A ideia é que cada viagem deixe uma contribuição positiva: seja consumindo produtos locais, participando de ações de reflorestação ou valorizando manifestações culturais que correm risco de desaparecer.

Como o viajante pode ajudar aldeias após os incêndios

Visite os destinos afetados (mas com atenção)

Antes de viajar, é essencial verificar se a área já foi liberada pelas autoridades para receber turistas. Caso o local ainda esteja em recuperação, não cancele a reserva: remarque a estadia para uma data futura. Isso garante que o alojamento continue a ter receita e que a sua contribuição chegue quando a comunidade estiver pronta para receber.

Consuma produtos locais

Levar para casa mel da serra, queijos artesanais, vinho da região ou artesanato tradicional é uma forma direta de apoiar famílias que dependem dessas atividades para sobreviver.

Divulgue nas redes sociais

Compartilhar fotos, histórias e recomendações dessas aldeias ajuda a dar visibilidade aos territórios e pode atrair outros visitantes.

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Participe de festivais e eventos culturais

Muitas aldeias mantêm festas e celebrações mesmo depois dos incêndios, como forma de resistência e afirmação cultural. Estar presente é um gesto de apoio à continuidade dessas tradições. Do dia 28 a 30 de agosto, Alvoco das Várzeas, por exemplo, realizará um arraial social para “celebrar a vida” após os dias difíceis. Haverá almoço de confraternização, atividades, cinema ao ar livre e concertos.

Envolva-se em projetos de recuperação

Algumas comunidades organizam mutirões de reflorestamento, reconstrução de trilhas ou restauro de espaços coletivos. Turistas podem participar como voluntários ou contribuir financeiramente.

Renata Telles
renata@revistaentrerios.pt