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Vale a pena viver como nômade digital em Portugal? Veja salário exigido, regras e os prós e contras

Profissionais pagam menos IRS do que os portugueses, mas incrementam a economia como residentes fiscais

Março 29, 2026

Emilim Schimtz, nômade digital. Crédito: Reprodução Instagram
Emilim Schimtz escolheu o Porto para trabalhar como criadora de conteúdo. Crédito: Reprodução Instagram

Ser nômade digital significa ter um emprego de sonho para quem ama viajar. Pode trabalhar em lugares diferentes, ter flexibilidade de horários e só precisa de uma boa conexão de internet.

Mas, não basta colocar o laptop embaixo do braço e mudar. Para ser reconhecido como tal em Portugal, por exemplo, é necessário um contrato de trabalho com rendimento mensal de pelo menos 3.280 € (quatro vezes o salário mínimo nacional).

Por que? O regime NHR (Residente Não Habitual) aplica uma taxa fixa de 20% de Imposto Sobre Rendimento (IRS) enquanto um português pode ser tributado progressivamente em até 48% de sua renda.

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O contrato deve ser com empresa estrangeira. Residentes fiscais precisam receber salários com tributação no país, sendo beneficiados por taxas mais favoráveis durante dez anos. Neste tempo, injetam altos salários na economia local.

Outra regra: precisam permanecer no país pelo menos seis meses por ano. O mexicano Jafet Prieto, 29 anos, trabalha como programador de uma empresa de tecnologia sediada na Califórnia (EUA), desde 2023. “Estabelecer-me em Portugal demorou uns seis meses”, conta. Mas antes de vir morar no país teve de viajar até Lisboa para abrir uma conta bancária. “E mesmo provando que tinha rendimentos altos, só consegui abrir conta na terceira tentativa. Dois bancos recusaram”, relata.

Ao final de todo o processo, contratou um seguro de saúde obrigatório até conseguir vaga no sistema nacional. “Portugal chamou minha atenção pelos benefícios fiscais, como o regime de residente não habitual, em que os impostos ficam em torno de 20%. Comparado com a Espanha, que cobra 50%, vale muito a pena”.

Pablo Jafet, Mexicano e nômade Digital residente em Portugal, Foto divulgação

O paulista Gustavo Santos, 40 anos, mora há sete em Lisboa, onde trabalha como desenvolvedor de software. Como seu empregador é uma multinacional e o vínculo contratual é com a filial portuguesa, não usufrui dos benefícios fiscais. Mas não reclama: “Portugal tem tudo que é preciso. Muitos coworkings, eventos para estrangeiros, infraestrutura, clima e conexão de internet boa, tudo é excelente”.

Gustavo Santos, Paulista residente em Portugal, Crédito: Susana Gaião Mota

Ele vive do mesmo jeito que 16 mil nômades digitais que residem na capital portuguesa, um dos destinos mais procurados na categoria, segundo dados de 2023 da plataforma que pesquisa trabalhadores remotos, Nomad List. O país também ocupa o nono lugar, entre 96, no ranking de melhor internet para viajantes e trabalhadores remotos, segundo o Índice de Conectividade do serviço de eSIM de viagem Saily (NordVPN).

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Emilim Schmitz, 41 anos, jornalista paranaense (SC), escolheu a cidade do Porto para trabalhar como criadora de conteúdo com dicas de viagens em suas plataformas com cerca de 315 mil seguidores. “Decidi seguir meu sonho de infância. Queria viajar o mundo e escrever para uma revista de viagens.” Portugal, segundo ela, é estratégico. “Facilita minhas aventuras pelo mundo porque estou perto de tudo, e é muito mais barato viajar. Com 60 euros dá pra ir e voltar da Itália.”

Emilim Schimtz em uma das suas viagens por Portugal. Crédito: Reprodução Instagram

Jacinta Barreto, desenvolvedora de negócios do cowork IDEA Spaces, que recebe muitos estrangeiros em Lisboa, ressalta que o ambiente multicultural do espaço reúne pessoas que também procuram conhecer empreendedores locais e formar parcerias. “Organizamos eventos como cafés da manhã, semanas temáticas, clubes de futebol e padel, além de iniciativas solidárias”. Portugal está no mapa dos países tecnológicos mas, para a maioria, os verdadeiros atrativos são a qualidade de vida, segurança e o clima ameno que fazem do país um porto seguro para quem roda o mundo.

Cowork Idea Spaces no Saldanha em Lisboa, que recebe muitos nômades digitais, Crédito: Divulgação

ONDE OS NÔMADES SE ENCONTRAM

Para fazer amizades ou negócios, os nômades digitais recorrem à plataforma global Meetup.com, criada para organizar eventos e encontros, tanto presenciais quanto virtuais, reunindo pessoas
com interesses semelhantes. Há grupos temáticos, como Nômades Digitais em Lisboa ou Freelancers de Marketing Online”, que filtram interesses e conexões.

Um dos mais ativos é o Lisbon Digital Nomads, com mais de 25 mil membros. Semanalmente, promovem encontros presenciais e online com profissionais remotos de diferentes países. Já o Lisbon Women in Coworking é voltado exclusivamente para mulheres que trabalham de forma independente na capital portuguesa.

A plataforma acaba sendo uma espécie de “Tinder profissional” onde os participantes conhecem pessoas com o mesmo estilo de vida, trocam experiências e ampliam a rede de contatos e, às vezes, até de amigos. Para nômades digitais não existem fronteiras.

susana@revistaentrerios.pt

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