Via Brasil: chantagem de Trump ameaça o Brasil
Trump ameaça taxar produtos brasileiros e pressiona o STF por Bolsonaro, enquanto o Brasil tenta equilibrar diplomacia e defesa da soberania
- Brasil
Setembro 1, 2025
A ameaça de Donald Trump de elevar para 50% a tarifa sobre produtos brasileiros, apoiada pelo bolsonarismo, caiu como bomba no país, especialmente no agronegócio, no setor de minérios e na Embraer. O americano exige que a Justiça alivie a barra do ex-presidente Jair Bolsonaro, acusado de tentativa de golpe de Estado. O STF não se curvou, Os ânimos se acirraram com a decisão do STF de mandar a Polícia Federal colocar tornozeleira no ex-presidente, acusado de tentativa de golpe.
Até o fechamento desta coluna, Trump mantinha a disposição de devastar setores da economia brasileira, mas tudo pode mudar, pois ele tem oscilado entre bravatas e ações concretas contra os países ou blocos chantageados. Brasília tenta equilibrar a firmeza na defesa da soberania nacional com negociações com Washington.
A implicância de Trump torna mais distante o sonho do Brasil de entrar na OCDE, o clube dos desenvolvidos. Em setembro, haverá reuniões em Paris sobre concorrência e regulação — áreas críticas para a entrada. O país já aderiu a mais de 100 instrumentos da organização e precisa do aval de 26 comitês. A adesão atrairia investimentos por sinalizar compromisso com regras internacionais.
Um plano de R$ 120 bilhões

O governo brasileiro deve apresentar em setembro a nova carteira de concessões do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), voltada a ferrovias, hidrovias e saneamento. São setores-chave para destravar gargalos logísticos.
Os investimentos, até 2026, passam de R$ 120 bilhões (20 bilhões de euros), com destaque para o transporte de grãos na Região Amazônica e a ampliação da rede de água e esgoto. O desafio é atrair capital privado com segurança jurídica. Entraves: instabilidade regulatória e longos prazos para licenciamento ambiental — que, no Brasil, podem ultrapassar cinco anos, o dobro da média europeia.
Reforma tributária no Senado: hora da verdade
A regulamentação da reforma tributária, pauta econômica mais importante do Brasil desde o Plano Real (1994), chega ao Senado em agosto com um desafio extra: as batalhas federativas. Governadores do Sudeste querem ter mais peso no Comitê Gestor do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), o tributo que unificará ICMS e ISS, e as cidades reivindicam mais autonomia.

Setores poderosos, como o agronegócio e o de prestadores de serviços (leia-se, principalmente advogados), brigam para manter vantagens e pagar menos do que a alíquota única, estimada entre 25% e 27%. O centro da nova cena é do senador Eduardo Braga (MDB-AM).
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, precisa evitar a desidratação do texto, o que comprometeria a credibilidade do novo sistema tributário, afastando investidores. As batalhas ocorrem em meio aos esforços do Judiciário para apaziguar os ânimos entre Executivo e Legislativo, que tendem a crescer nas sessões de votação do Orçamento de 2026.
The Town vai balançar São Paulo
São Paulo volta a ser palco de um dos maiores festivais de música e cultura do país: The Town chega à segunda edição entre 6 e 14 de setembro, em Interlagos, com shows de Travis Scott, Green Day, Backstreet Boys, Mariah Carey e Katy Perry, entre outras estrelas. A programação inclui confrontos de MCs com a Superliga da Batalha da Aldeia, artes visuais, gastronomia e experiências imersivas.

Paralelamente, Belém do Pará realiza o Amazônia Para Sempre, com shows gratuitos nos dias 17 e 20, unindo música e ativismo ambiental. A proposta é celebrar a diversidade musical, impulsionar talentos e fomentar a reflexão sobre os
desafios ambientais. Em 2023, The Town atraiu meio milhão de pessoas — e a edição 2025 promete ainda mais impacto.
Turbinando a exportação de cultura

Em agosto, o Ministério da Cultura e o Itamaraty devem lançar o Plano Nacional de Internacionalização da Cultura Brasileira, focado em audiovisual, música, literatura e artes visuais. A ideia é articular editais, feiras internacionais, circulação de artistas e apoio à tradução de obras, com foco em voltar a ocupar espaço simbólico no exterior.
Isso já aconteceu com o Cinema Novo, a Bossa Nova e a literatura contemporânea. O plano amplia a oferta de eventos culturais e facilita parcerias entre artistas e produtores dos dois lados do Atlântico. Lisboa e Porto são vistos como pontos-chave pela ministra da Cultura, Margareth Menezes.
Essa entrevista foi publicada originalmente na revista EntreRios.
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