Turismo musical

Viajar para ver um show virou tendência e movimenta bilhões pelo mundo

Viajar para assistir a um concerto ou festival deixou de ser exceção e se tornou parte dos planos de muitos fãs de música, especialmente entre os mais jovens

Julho 20, 2026

Rock in Rio Lisboa encerra edição com música urbana ao som de 21 Savage, Matuê e Filipe Ret. Crédito: Divulgação
Rock in Rio 2026 em Lisboa movimentou cerca de 330 mil pessoas. Crédito: Divulgação

O turismo musical vem ganhando cada vez mais importância e, atualmente, é comum viajar para assistir a um show ou a um festival. Trata-se de uma alternativa muito apreciada, especialmente pelos jovens, às tradicionais férias na praia ou aos roteiros culturais.

O Reino Unido, famoso tanto por sua cultura musical quanto por ser o berço de inúmeras bandas e artistas, é um bom exemplo desse fenômeno. Dados da UK Music revelam que, em 2025, shows e espetáculos esgotados no país contribuíram para atrair um recorde de 24,7 milhões de turistas, um aumento de 4,8% em relação aos 23,5 milhões registrados em 2024. Os gastos dos visitantes chegaram a 13,1 bilhões de euros. Entre os artistas mais procurados estiveram Oasis, Beyoncé, Dua Lipa, Coldplay, Lana Del Rey e Kendrick Lamar, muitos deles realizando menos turnês em outros países atualmente.

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Em Portugal, a tendência também se repete. Festivais como Rock in Rio Lisboa, NOS Alive, MEO Kalorama, Boom Festival, Cool Jazz e Vodafone Paredes de Coura vêm se consolidando como importantes motores turísticos de suas regiões.

Esses eventos geram milhares de pernoites, aumentam a ocupação hoteleira, impulsionam o consumo em restaurantes, a utilização dos transportes e as compras, além de promoverem internacionalmente os destinos de forma espontânea. Diversos eventos musicais realizados em Portugal são reconhecidos pelo seu forte impacto econômico. Em muitos casos, os visitantes permanecem vários dias no destino e aproveitam para conhecer outras atrações da região.

Taylor Swift em Lisboa em 2024 fez a terra tremer e movimentou milhões de euros. Crédito: Divulgação Instagram

Até agora, um dos shows com maior impacto no país foi a passagem de Taylor Swift por Lisboa, em maio de 2024. A artista realizou duas apresentações e a solo reuniu mais de 120 mil pessoas. Os seus shows e chegaram a influenciar indicadores econômicos, com o faturamento do turismo e dos negócios na região de Lisboa que cresceram 34%. O fenômeno ficou conhecido como “efeito Taylor Swift”. A movimentação foi tão intensa que chegou a ser comparada à de um pequeno terremoto. Na época, a energia gerada pelo público foi tão forte que a Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa registrou atividade sísmica durante as apresentações.

Uma análise baseada em dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) também mostrou que os shows tiveram um efeito visível nos preços da hotelaria e da restauração durante o mês de maio, fenômeno semelhante ao observado em outros países europeus.

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Neste ano o fenômeno já se repetiu tanto o Rock in Rio Lisboa quanto o NOS Alive que divulgaram números que demonstram impactos positivos para o turismo em Portugal.

Alvaro Covões empresário e promotor do Nos Alive. Crédito: Reprodução Facebook

Álvaro Covões, diretor-geral da promotora Everything Is New, responsável pelo NOS Alive, revelou que “cerca de 160 mil espectadores passaram pela edição deste ano. O primeiro dia contou com 48 mil espectadores, enquanto os demais, esgotados antes do início do festival, registraram 56 mil pessoas cada”. O festival recebeu ainda visitantes de 89 nacionalidades, reforçando sua dimensão internacional. Entre os países mais representados estiveram Espanha, França, Reino Unido, Países Baixos, Estados Unidos, Hong Kong, Polônia e Alemanha.

Crédito: Reprodução / Instagram (@nos_alive)
Nos Alive este mês no Passeio Marítimo de Algés. Crédito: Reprodução Instagram (@nos_alive)

Já o Rock in Rio Lisboa, em sua 11ª edição, realizada em junho registrou um total de 330 mil visitantes ao longo dos quatro dias de festival. Cerca de 60% do público veio de fora da Área Metropolitana de Lisboa e 16% do exterior, representando 127 países. Foram vendidos mais de 17,5 mil ingressos no mercado internacional. Espanha, Reino Unido, França, Alemanha, Brasil e Suíça destacaram-se entre os principais mercados emissores, segundo a organização do evento.

“O Rock in Rio Lisboa é hoje um ponto de partida para que o público que vem ao festival permaneça mais tempo na região. Cerca de 60% dos participantes vêm de fora da região, o que demonstra a capacidade do festival de atrair visitantes e gerar fluxos turísticos significativos para todo o território”, afirmou à EntreRios a vice-presidente executiva do festival, Roberta Medina.

Roberta Medina. Crédito: Jordan Alves
Roberta Medina no Rock In Rio 2026. Crédito: Jordan Alves

A Entidade Regional de Turismo de Lisboa também aproveitou o evento para promover uma ação conjunta com agências de viagens, operadoras de turismo, meios de hospedagem e entidades culturais e institucionais, com o objetivo de criar pacotes turísticos integrados para a região. “A iniciativa beneficiou o comércio, os restaurantes e diversos serviços locais, impulsionando a economia regional”, destacou Carla Salsinha, presidente da entidade.

O Rock in Rio, segundo uma análise da Nova SBE, a edição de 2024 gerou 120 milhões de euros de impacto direto na economia portuguesa, criou cerca de 14 mil empregos temporários (equivalentes a cerca de 2.200 empregos em tempo integral) e gerou 11,8 milhões de euros em receitas fiscais. A organização e a Câmara de Lisboa estimam que a edição de 2026 tenha tido um impacto semelhante ou superior.

Portugal reforça, assim, uma tendência internacional de transformar a música em um dos principais motivos para viajar, competindo com atrativos mais tradicionais, como praias, golfe e gastronomia.

susana@revistaentrerios.pt

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