Opinião

Vinicius Junior representa tudo aquilo que o lado racista da Europa mais abomina

Imagine passar pelo que passou, conquistar o que conquistou e, com apenas 25 anos, ter que caminhar quase solitário em um trajeto espinhoso e escuro?

Abril 2, 2026

Vinicius Junior. Crédito: Reprodução Instagram
Vinicius Junior. Crédito: Reprodução Instagram

Vinicius Junior representa tudo aquilo que o lado racista da Europa mais abomina e não tem o menor pudor de perseguir. É brasileiro. É preto. De origem humilde. Um jovem batalhador que nasceu na pobreza e atravessou o Oceano Atlântico para encantar a todos. O Camisa 7 do Real Madrid também é a personificação daquilo que o Brasil mais necessita para confrontar o atrasado olhar da sociedade, seja dentro ou fora das quatro linhas. É craque. É ídolo indiscutível do maior e mais poderoso clube do mundo. Um guerreiro ímpar com a bola nos pés.

Corre. Dribla. Marca. Sorri. Dança. Festeja. É insultado jogo após jogo, dia após dia. É atacado nas ruas, nos estádios, via imprensa e, não menos lamentável, também por jogadores e treinadores adversários. Um tsunami de baixaria que não consegue afundá-lo.

Nada de braçada contra a maré violenta de puro ódio. Acusou, agora, o argentino Gianluca Prestianni, do Benfica, de tê-lo chamado de “macaco”, e, minutos depois, precisou ouvir do português José Mourinho que a culpa era dele próprio.

Vini Jr. não abaixa a cabeça. Pelo contrário. Levanta-a o mais alto possível para olhar de cima. Soberano. Do topo de uma sofrida escalada, que começou no Flamengo e encontrou outros diversos obstáculos no Velho Continente, onde tentam de tudo e mais um pouco para derrubá-lo.

Tem abraçado responsabilidades, aliás, que poderiam ser partilhadas por outros companheiros, alguns mais experientes e calejados e/ou cada vez mais alienados. Colocou sobre si (mais um) enorme peso nas costas, ao ser o rosto da interminável guerra contra o racismo no mundo da bola.

Fala. Denuncia. Desabafa. Grita. Contesta. Chora. E como não chorar? Imagine passar pelo que passou, conquistar o que conquistou e, com apenas 25 anos, ter que caminhar quase solitário em um trajeto espinhoso, escuro e potencialmente sem fim? “Tenho lutado bastante por tudo que tem acontecido comigo. É desgastante por estar meio sozinho. Mas fui escolhido para defender uma causa bem importante e que requer muito estudo da minha parte”, disparou o atacante, em 2024, quando começaram as principais perseguições racistas.

“Quero fazer com que as pessoas no mundo possam evoluir, melhorar; que possamos ter igualdade, que em um futuro próximo haja menos casos de racismo, que as pessoas pretas possam ter uma vida normal, como as outras. Quero e vou seguir lutando por isso”, completou.

Sem querer poupar esta ou aquela palavra, sendo muito direto e frontal: a Europa não suporta o sucesso de um jovem brasileiro preto e sorridente. Melhor aceitar que dói menos.

Essa coluna foi publicada originalmente na revista EntreRios.

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