Cultura

Wagner Moura fala de cinema e política em Portugal enquanto estreia “O Agente Secreto” nos cinemas

Ator brasileiro destaca importância da democracia, celebra lançamento simultâneo do novo thriller de Kleber Mendonça Filho no Brasil e em Portugal e fala do filme que vai dirigir nos EUA

Novembro 7, 2025

Wagner Moura fala à imprensa durante sua passagem pelo LEFFEST, em Portugal. Crédito: Lizzie Nassar

O ator e cineasta brasileiro Wagner Moura marcou presença em Portugal nesta sexta-feira (7), participando da abertura do LEFFEST – Lisboa Film Festival, onde integra a programação com debates e exibições. A vinda coincide com o lançamento simultâneo, no Brasil e em Portugal, de O Agente Secreto, novo thriller de Kleber Mendonça Filho, protagonizado por Moura e escolhido para representar o Brasil na corrida ao Oscar.

O filme, já aclamado em Cannes e vencedor dos prêmios de Melhor Filme da Crítica e Melhor Ator, chega aos cinemas portugueses no mesmo momento em que o festival dá início a uma edição marcada por estreias e clássicos restaurados.

Wagner Moura reforça sua ligação com o Brasil e com a arte política ao participar da abertura do LEFFEST 2025. Crédito: Lizzie Nassar

Durante conversa com a imprensa na tarde desta sexta, Moura reforçou seu vínculo com o Brasil e com o debate político contemporâneo:

“Sou ator brasileiro e sou ator. Elas (as palavras) saem com mais verdade quando eu falo na minha língua”, afirmou, destacando sentir-se um artista profundamente conectado ao seu país.

Ao comentar a situação política brasileira e o contexto democrático global, o ator refletiu sobre a importância de preservar a memória histórica recente:

“A nossa democracia brasileira é jovem… nós sabemos o que uma ditadura é. Aconteceu há pouco tempo e a gente não quer que aconteça mais isso”.

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Moura também estabeleceu um paralelo entre Brasil e Estados Unidos ao falar sobre a percepção da democracia. Segundo ele, a sociedade brasileira entende a necessidade de defender suas instituições diariamente, enquanto parte dos americanos encara a democracia como algo dado:

“A democracia é uma coisa que você precisa lutar por ela todo dia. E quem luta pela democracia no Brasil, sobretudo, é pobre, é preto, é indígena, é favelado, é população LGBTQIA+”, declarou, enfatizando que esses grupos muitas vezes não experimentam plenamente os direitos democráticos.

O ator e diretor brasileiro celebra a estreia simultânea de “O Agente Secreto” em Portugal e no Brasil, durante programação do festival. Cartaz: Divulgação

O ator e diretor contou ainda que vai dirigir e atuar em um filme nos Estados Unidos, baseado no livro que escreveu, Stuart Olen: Last Night at the Lobster. A história acompanha funcionários de um restaurante que são demitidos uma semana antes do Natal, subvertendo o típico “filme natalino” ao mostrar que a verdadeira magia dessa época vem das pessoas e não de um espírito capitalista.

A participação de Wagner Moura no LEFFEST reforça o destaque internacional que o artista tem conquistado ao longo das últimas décadas, desde sua consagração no cinema brasileiro com “Carandiru” e “Tropa de Elite”, até a projeção global em “Elysium” e “Narcos”.

O LEFFEST, que se estende até 16 de novembro, apresenta também estreias de diretores como Kristen Stewart, exibições de clássicos de John Ford e Paulo Rocha e o novo filme de Gus Van Sant, consolidando-se como um dos mais relevantes eventos de cinema da Europa.

Com O Agente Secreto em cartaz e um discurso firme sobre arte e política, Moura reafirma em Portugal a força do cinema brasileiro e seu compromisso com questões essenciais do país que representa.

Colaborou Lizzie Nasser

jordan@revistaentrerios.pt

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