Wasabi, jasmim e yuzu: cervejaria brasileira que aposta em sabores japoneses chega a Portugal
Cervejas criadas por três empreendedoras nipo-brasileiras apostam em ingredientes como flor de jasmim, gengibre, yuzu e wasabi para conquistar o mercado português
- Porto
Julho 9, 2026
Criada a partir de uma experiência despretensiosa em uma panela de 30 litros, em 2014, a Japas Cervejaria atravessou fronteiras e acaba de desembarcar oficialmente em Portugal. Fundada pelas nipo-brasileiras Maíra Kimura, Yumi Shimada e Fernanda Ueno, a marca nasceu da vontade de transformar a própria história em cerveja e hoje aposta na produção local para expandir sua presença na Europa.
Depois de consolidar a operação no Brasil e produzir há oito anos nos Estados Unidos, a cervejaria passou a fabricar seus rótulos em Portugal por meio de uma parceria com a OnePint, responsável pela produção e distribuição no país. Desde fevereiro, três cervejas já circulam no mercado português.
A expansão mantém a principal característica que nasceu no Brasil: criar receitas inspiradas na cultura japonesa sem abrir mão da tradição cervejeira. Flor de jasmim, gengibre, yuzu e wasabi aparecem como ingredientes que complementam os estilos clássicos, sempre de forma equilibrada.
“O estilo-base precisa aparecer, mas o ingrediente que adicionamos também tem que ter protagonismo. A ideia nunca é mascarar a cerveja e sim criar uma nova experiência”, afirma Maíra Kimura, uma das fundadoras da Japas.
A história começou quando as três amigas, que já atuavam no mercado cervejeiro, decidiram produzir uma cerveja para homenagear a ascendência japonesa que compartilhavam. O primeiro teste foi uma American Pale Ale, estilo de cerveja de origem norte-americana conhecido pelo equilíbrio entre o amargor do lúpulo e notas cítricas e frutadas, que ganhou um ingrediente pouco convencional: o wasabi.
O resultado chamou atenção e, pouco tempo depois, um brewpub em São Paulo convidou o trio para produzir um lote comercial.
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O lançamento, realizado em janeiro de 2015, superou as expectativas. “Era uma segunda-feira e o brewpub encheu. Teve imprensa, teve público e a gente percebeu que as pessoas realmente estavam interessadas naquela proposta”, relembra Maíra.
Desde então, a Japas passou a lançar rótulos inspirados em referências da cultura japonesa. A Matsurika, por exemplo, leva flor de jasmim; a Oishi combina uma Witbier com gengibre; e a Sumomo incorpora o yuzu, fruta cítrica bastante utilizada na culinária japonesa. Há ainda edições especiais como a Kasato Maru, criada em homenagem ao navio que trouxe os primeiros imigrantes japoneses ao Brasil.
Cada rótulo também carrega os sobrenomes Kimura, Shimada e Ueno, uma forma de homenagear as famílias, alinhada com a proposta de ressignificar as próprias origens por meio da cerveja.

Em Portugal, a Matsurika foi escolhida para liderar a chegada da marca por ser o rótulo mais vendido no Brasil. “Queríamos começar com uma cerveja que já sabemos que funciona muito bem. Era uma forma de chegar apresentando aquilo que representa melhor a Japas”, explica.
Embora a marca ainda esteja dando os primeiros passos no mercado português, a expectativa é ampliar a linha de produtos e conquistar novos pontos de venda. A produção local também facilita esse crescimento.
“Aqui ainda somos pequenos, então é um trabalho de formiguinha. Queremos participar de festivais, apresentar a marca para mais pessoas e ampliar nossa presença”, diz Maíra.
Ao longo dessa trajetória, o fato de serem três mulheres à frente de uma cervejaria acabou se tornando uma marca da empresa, embora nunca tenha sido o objetivo principal.
“É uma coisa muito autêntica e muito autoral. As histórias das cervejas vêm das nossas famílias e da nossa cultura. Acontece que somos três mulheres e temos orgulho disso. Tanto que colocamos ‘girl power’ nos rótulos. Se alguém não gostar, problema de quem não gostar”, conclui.
Harmonizações com cervejas
A gastronomia ocupa um papel central nesse processo criativo. As cervejas são desenvolvidas pensando também na harmonização com diferentes cozinhas, do sashimi ao ceviche, passando por hambúrgueres e até clássicos portugueses, como o bolinho de bacalhau e o pastel de nata.
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“A gente sempre pensa no que aquela cerveja pode potencializar em um prato e, ao mesmo tempo, no que o prato pode realçar na cerveja”, explica.
Entre as sugestões está a Oishi, uma Witbier com gengibre que acompanha bem preparações delicadas, como sashimis de peixe branco, ceviches e até sobremesas cítricas, como torta de limão.

Já a Matsurika, produzida com flor de jasmim, tem perfil mais versátil e pode ser servida com bolinho de bacalhau, hambúrgueres e até pastel de nata. “Ela é suave o suficiente para não apagar o sabor do doce, e o pastel de nata também dá um ‘up’ na cerveja”, afirma Maíra.
A Wasabiru, primeira receita da cervejaria, foi concebida para acompanhar pratos da culinária japonesa, enquanto a Sumomo, uma New England IPA com yuzu, harmoniza melhor com pratos salgados, já que seu amargor tende a sobressair diante de sobremesas.
Atualmente, as cervejas já estão disponíveis em diferentes estabelecimentos parceiros da distribuidora OnePint. No Porto, um dos pontos de venda é o Catraio Craft Beer Shop & Bar. Maíra explica que a lista de locais deve aumentar à medida que a marca amplia sua presença no país.
flavio@revistaentrerios.pt