O Brasil está na moda e os turistas portugueses não param de cruzar o Atlântico: só nos primeiros meses de 2026, mais de 67 mil viajantes de Portugal desembarcaram no país, uma média de 48 turistas por hora, segundo a Embratur. Enquanto Rio de Janeiro, Fortaleza e Salvador atraem a maioria dos viajantes, existe um destino pouco conhecido que merece entrar no seu roteiro: o Piauí.
No nordeste brasileiro, o estado guarda cidades paradisíacas e com fortes laços históricos com Portugal, como Oeiras e Amarante, homônimas de municípios portugueses. Ambas preservam o charme colonial na arquitetura e nas tradições culturais. Oeiras, antiga capital, se destaca pelo turismo religioso e pelo seu conjunto histórico, enquanto Amarante, às margens do Rio Parnaíba, encanta com casarões coloniais e artesanato local.
Fora do radar do turismo de massa, o Piauí esconde lugares surpreendentes: Pedro II, na região serrana, e Buriti dos Montes, no sertão. Confira abaixo um guia para a sua primeira viagem ao Piauí!
Barra Grande
O litoral, embora seja o menor do Nordeste com 66 quilômetros, tem conquistado cada vez mais destaque no cenário turístico internacional. A charmosa Barra Grande, no município de Cajueiro da Praia, se tornou um dos destinos mais desejados do Brasil, atraindo inclusive celebridades para o Réveillon, com ocupação máxima de hotelaria. O que antes era uma simples vila de pescadores hoje se transformou em um polo de turismo sustentável, especialmente para os amantes do kitesurf, favorecido pelos ventos e pela atmosfera tranquila que encanta visitantes de diversas partes do mundo.

Cajueiro da Praia é um dos roteiros para os praticantes de kitesurf. Crédito: Thiago Amaral
Teresina
Mas é além das praias que o estado revela novas possibilidades. A porta de entrada é Teresina, uma das poucas capitais nordestinas não litorâneas, que aposta em um turismo cultural e religioso. A expressão popular Vamos Teresinar! reflete esse movimento de valorização da cidade, que convida visitantes a explorarem suas igrejas, ruas históricas e espaços culturais.

A capital do estado Teresina tem um forte turismo religioso e mais de 70% da população é católica. Crédito: Thiago Amaral
Um dos destaques é o Museu da Imagem e do Som (MIS), instalado no prédio da antiga Câmara dos Vereadores, que abriga exposições importantes como a dedicada a Torquato Neto, ícone da Tropicália.

Arte santeira no altar da Igreja de Nossa Senhora de Lourdes em Teresina. Crédito: Jordan Alves
O Museu da Imagem e do Som (MIS) de Teresina, batizado em homenagem a Torquato Neto, foi inaugurado no fim de 2024 e aberto ao público em agosto de 2025. Localizado no centro da cidade, o espaço cultural conta com cinco pavimentos, cinema, galerias e áreas para eventos, consolidando-se como um importante polo de cultura e convivência — com a maioria das atividades gratuitas e acessíveis ao público.
“É um lugar que tem um quarto andar maravilhoso com vista para a cidade e os pontos turísticos e que fica no centro da cidade, então é um acesso muito fácil e tudo com entrada franca. É uma galeria de arte, é espaço de convivência, de eventos, tudo no mesmo lugar”, celebra Paulo Dantas, diretor do MIS.

O MIS Teresina abriga exposições e eventos gratuitos no centro da cidade. Crédito: Jordan Alves
Encontro de rios
Ainda na capital, o encontro dos rios Poti e Parnaíba forma um dos cenários naturais mais emblemáticos da região e é conhecido como Entre Rios. O Parque Ambiental Encontro dos Rios oferece não apenas beleza paisagística, mas também conexão com a geografia do estado, já que o Rio Parnaíba segue até o oceano Atlântico formando o maior delta em mar aberto das Américas.

Encontro dos rios Poti e Parnaíba, em Teresina, no Piauí. Crédito: Jordan Alves
Teresina também se destaca pelo artesanato, com forte presença da cerâmica e da arte santeira, além de espaços como o Polo Cerâmico do Poty Velho.

Centro de Pedro II, Piauí. Crédito: Jordan Alves
Pedro II
Mas é no interior, a cerca de 200 quilômetros da capital, que surge um refúgio serrano de clima mais ameno e vocação para o ecoturismo. A cidade histórica de Pedro II , que celebra este ano 172 anos, e encanta com trilhas, cachoeiras e uma forte herança cultural.

Cachoeira do Salto Liso em Pedro II na região serrana do Piauí. Crédito: Jordan Alves
Além das belezas naturais, Pedro II é conhecida mundialmente pela extração da opala, pedra preciosa rara encontrada apenas ali e na Austrália, que são transformadas em joias.

Pedra de Opala utilizada para jóias e extraída em Pedro II. Crédito: Jordan Alves
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Buriti dos Montes
Seguindo pelo sertão, Buriti dos Montes revela um cenário surpreendente, marcado por cânions imponentes, formações rochosas milenares e locais de arte rupestre. Próximo à divisa com o Ceará, a região é ideal para quem busca aventura, com opções que vão desde trilhas na caatinga até passeios de caiaque pelo impressionante Cânion do Rio Poti.

Banho de lago em Buriti dos Montes no sertão do Piauí. Crédito: Sabrina Rocha
Entre pontos de banho, peregrinação e contemplação, o destino ainda guarda mistérios e oferece uma experiência autêntica, reforçada pela hospitalidade das comunidades locais e pela rica cultura do povo piauiense.
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Turismo em alta
Apesar de ainda não figurar entre os destinos mais procurados, o Piauí tem registrado um crescimento expressivo no turismo, chegando a mais de 30% em alguns anos. O destaque vai para o litoral do Delta do Parnaíba e para a Serra da Capivara, conforme ressaltou o governador Rafael Fonteles durante a Feira de Turismo (FETUR), realizada nos dias 19 e 20 de março. O principal desafio, entretanto, continua sendo a ampliação da conectividade aérea: ainda não há voos diretos de Portugal para o estado.
jordan@revistaentrerios.pt

Jordan Alves