A poucos dias do encerramento das inscrições, o 4º Prémio FIBE procura novas pesquisas capazes de lançar luz sobre as relações entre Brasil e Europa. A distinção académica promovida pelo Fórum de Integração Brasil Europa (FIBE) recebe trabalhos até a próxima quarta-feira (30 de setembro), com submissões gratuitas e exclusivamente online. Nesta edição, serão distribuídos €8 mil entre pesquisadores distinguidos.

O prêmio chega à quarta edição num momento em que a relação entre Europa e Mercosul ganhou uma nova dimensão. O Acordo de Comércio Provisório UE-Mercosul passou a ser aplicado provisoriamente em 1º de maio de 2026, enquanto o acordo de parceria mais amplo ainda aguarda a conclusão dos processos de ratificação.

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Para Isabela Vince, assessora técnica do Prémio FIBE, o novo cenário amplia o campo de questões que podem ser investigadas, mas não restringe a premiação ao acordo comercial.

“A premiação vem para atender ao principal objetivo de criação da associação, que é a promoção e difusão do conhecimento para a integração entre Brasil e Europa”, explica. Segundo ela, pesquisas sobre o Mercosul fazem parte desse universo, mas o prêmio procura abarcar também dimensões culturais, econômicas e sociais da relação entre as duas regiões.

Isabela Vince, assessora técnica do Prémio FIBE. Crédito: Divulgação.

A proposta é reconhecer trabalhos que ajudem a compreender os desafios e as oportunidades dessa aproximação. O regulamento estabelece como eixo a promoção da integração cultural e socioeconômica e das ligações históricas, políticas e jurídicas entre Brasil e Europa.

Imigração conta com distinção própria

Um dos temas que aparecem com frequência entre as pesquisas submetidas é a imigração. Por isso, o FIBE mantém em 2026 a distinção especial “Imigração com Integração”, que pode ser atribuída dentro das diferentes categorias e subdivisões temáticas.

Na avaliação de Isabela, o destaque acompanha questões concretas da integração entre brasileiros e europeus, como mercado de trabalho, mobilidade e ensino.

A coordenadora ressalta ainda que mudanças no contexto político tornam a produção acadêmica particularmente relevante para compreender esses processos. A proposta não se restringe à imigração brasileira em Portugal, mas procura observar as relações entre Brasil e diferentes países europeus.

Mestrado foi maioria em 2025

A edição anterior ajuda a dimensionar o perfil dos pesquisadores que chegam ao prêmio. Em 2025, foram atribuídos €6 mil em premiações a dissertações de mestrado e teses de doutoramento. Entre as inscrições corretamente submetidas, 65% eram de estudantes de Mestrado e 35% de Doutoramento.

Nas áreas de conhecimento, houve praticamente um equilíbrio: Ciências Sociais e Direito registaram 48% cada entre os trabalhos inscritos, de acordo com os dados da organização. A edição também foi considerada a mais internacional do prêmio até então, com participantes de países como Espanha, Luxemburgo e Reino Unido, além de Brasil e Portugal.

Para Isabela, a tendência deve continuar. Os trabalhos podem ser apresentados em português, inglês ou espanhol, justamente para ampliar o alcance internacional da iniciativa. “Quanto maior o panorama e o contexto que tivermos de toda a região e de como trabalhar essa integração, melhor”, afirma.

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Cruzamento de diferentes áreas

A premiação mantém duas grandes categorias: Ciências Sociais, subdividida em Administração Pública, Ciência Política e Economia, e Direito. A organização procura, porém, evitar que os trabalhos sejam avaliados de forma isolada dentro dessas fronteiras.

“A ideia é que seja interdisciplinar e transversal”, explica Isabela. Uma pesquisa jurídica, por exemplo, pode ser analisada também pelos seus efeitos sociais, econômicos ou culturais.

A avaliação é feita por um júri composto por especialistas das áreas abrangidas pelo prêmio. Segundo a coordenadora, a composição atual reúne membros ligados ao próprio FIBE, além de economistas e juristas com experiência nos campos avaliados.

Erros técnicos podem eliminar candidaturas

Com o encerramento das inscrições próximo, um dos principais alertas da organização é menos relacionado ao conteúdo da pesquisa do que ao cumprimento das regras do edital.

Entre os problemas identificados nas edições anteriores estão trabalhos que não pertencem às áreas previstas, que não respeitam o período de aprovação exigido ou que são apresentados fora dos idiomas aceitos. “Muitas vezes o que a gente vê são erros inclusive técnicos de quando a pessoa não lê o edital”, diz Isabela.

Para 2026, podem concorrer dissertações e teses inéditas aprovadas em instituições de ensino superior nos últimos 24 meses.

A organização também orienta os pesquisadores a não procurarem necessariamente uma correspondência literal entre o título ou resumo da pesquisa e a palavra “integração”. Para Isabela, o ponto central é perceber quais impactos a investigação pode produzir nas relações entre Brasil e Europa.

“Como que eu posso, com isso, contribuir para trabalhar essa integração?”, resume.

Da universidade para o debate público

A premiação pretende ainda evitar que os trabalhos reconhecidos terminem restritos ao ambiente acadêmico. O regulamento prevê a possibilidade de publicação das pesquisas por editoras parceiras e a participação dos vencedores em debates e eventos promovidos pelo FIBE.

A organização também apoia uma rede de antigos vencedores e vem ampliando iniciativas de publicação. Entre elas está o Selo FIBE, que já resultou na publicação de um livro baseado no trabalho vencedor da categoria Direito na primeira edição do prémio.

Para Isabela, essa etapa é importante porque permite que pesquisas desenvolvidas durante anos alcancem leitores e espaços fora da universidade. O objetivo, segundo ela, começa antes mesmo da inscrição: o prêmio procura criar um incentivo de longo prazo para a produção de conhecimento sobre uma relação que atravessa comércio, legislação, migração, mobilidade, cultura e políticas públicas.

As inscrições para o 4º Prémio FIBE permanecem abertas até 30 de setembro. O resultado deverá ser divulgado até 15 de novembro.

Quanto será distribuído

O total destinado aos pesquisadores nesta edição é de €8 mil.

Teses

Dissertações

A distinção especial “Imigração com Integração” não possui necessariamente prêmio monetário. O reconhecimento pode ser atribuído independentemente das colocações nas categorias principais.

Quem pode concorrer