Ana Paula Renault, finalista do Big Brother Brasil, foi informada da morte do pai, Gerardo Henrique Machado Renault, neste domingo, 19 de abril, diante de uma plateia de milhões de telespectadores e com o apoio dos demais finalistas que compartilham a casa com ela.
Apesar da fatalidade, Ana Paula foi incentivada pelas irmãs a continuar no programa por mais um dia (até à final, nesta terça-feira, 21), o que a impediu de comparecer ao enterro do pai. Tadeu Schmidt, apresentador do reality show, resolveu expor sua vida pessoal ao vivo e partilhar com Ana Paula a dor que também está vivendo após a morte do irmão, o jogador de basquete Oscar Schmidt, dois dias antes, na sexta (17), afirmando que compreendia o que a participante estava sentindo e que, assim como ela, tinha decidido continuar trabalhando.
Não há o que comentar sobre a escolha de cada um deles, pois são decisões muito pessoais e que de forma alguma definem o quanto amavam seus familiares.
Mas Schmidt ter partilhado sua dor e empatia com Ana Paula foi uma decisão que pode ter ajudado, e muito, os dois. Ana Paula por saber que não está sozinha em um momento tão difícil, e Schmidt porque, apesar de honrar sua profissão e continuar trabalhando, se permitiu mostrar que não está tudo bem e, ainda assim, seguiu cumprindo sua rotina.

Tadeu Schmidt quebra protocolo e partilha a sua perda e dor com Ana Paula. Crédito: Reprodução TV Globo
Só quando nos vulnerabilizamos podemos ser ajudados e, sem dúvida, em momentos de luto é muito importante estar acompanhado. Claro que todos precisam de seus momentos privados para viver a dor, mas o apoio ajuda a encarar esses momentos tão difíceis.
Quanto maior é o amor e o vínculo que nutrimos por alguém, maior é a dor da perda. Mas é importante ressaltar que o luto não é vivido da mesma forma por todas as pessoas.
Existe um modelo amplamente aceito entre profissionais de saúde mental, desenvolvido pela psiquiatra suíço-americana Elisabeth Kübler-Ross (1926 – 2004), pioneira no estudo do luto e autora de vários livros sobre o tema, que fala em várias etapas da perda: primeiramente a negação do que está acontecendo, seguida da raiva, negociação, tristeza e aceitação.
Mas é importante ressaltar que não há fórmulas. Nenhum desses estados tem prazo definido para começar ou terminar. A única certeza é que devemos nos permitir viver a dor. Chorar, sentir saudade, até sentir raiva ou culpa faz parte do processo.
O luto vivido com outras pessoas reduz a sensação de solidão, permite partilhar memórias e emoções (e quem perde alguém tende a querer falar bastante sobre essa pessoa e as lembranças que tem dela) e oferece suporte prático e emocional. Exatamente por isso, os grupos de apoio ao luto funcionam tão bem, pois transmitem a sensação de “não estar sozinho”.

Ana Paula, Milena e Juliano Floss juntos nesse momento de dor. Crédito: Reprodução Tv Globo
Mas também pode ser difícil quando a pessoa começa a sentir pressão para “estar bem”, ou quando ouve frases que minimizam sua dor, ou ainda quando há comparações.
Por vezes, é necessária privacidade para que a pessoa possa processar as emoções do seu jeito e no seu tempo, refletir sem interferências. Por isso, o luto deve ser vivido de acordo com o que cada pessoa necessita.
Há dias em que será preciso recolhimento, e outros em que será necessário presença e conexão. Para quem acompanha a situação de fora, o mais saudável é manter empatia e algum distanciamento, evitando especulações, críticas ou “opiniões rápidas” sobre como a pessoa deve agir, especialmente em casos midiáticos como este.
Cada pessoa vive a perda de forma diferente, ainda mais em um ambiente fechado e sob câmeras. Também pode ser útil reduzir o consumo de conteúdos sobre isso se a pessoa sentir que está sendo afetada emocionalmente.
Muitas vezes, o luto dos outros reativa memórias de perdas passadas, medos e saudades. Falamos de um tipo de trauma secundário que não é vivido diretamente por nós, mas que pode nos afetar pela intensidade da situação.
Sabemos que reality shows vivem de emoções intensas, e situações reais acabam se misturando com entretenimento. Neste momento, pode ser favorável Ana Paula viver o luto acompanhada, mas, com o fim do programa nesta terça-feira (21), ela poderá ter mais distanciamento, e tal como Schimdt, viverem esse momento na privacidade de suas famílias.
Precisamos de tempo para chorar os nossos mortos.
susana@revistaentrerios.pt

Susana Gaião Mota