A Copa do Mundo de 2026 ainda nem começou, mas a corrida pelas figurinhas, como se designa no Brasil, ou Cromos em Portugal, já se estendeu aos dois lados do Atlântico e a praticamente todos os países que vão participar do torneio.
O interesse por completar a caderneta da Copa atravessa gerações. Para os mais velhos, colecionar figurinhas desperta memórias da infância. Já para os mais novos, representa uma experiência diferente do universo digital: uma brincadeira que envolve troca, convivência e a emoção de conquistar algo além das telas.
A maior procura é pelas figurinhas dos grandes craques, como Cristiano Ronaldo, Lionel Messi e Neymar. A nova coleção oficial da Panini virou um verdadeiro fenômeno entre colecionadores, famílias e fãs de futebol.
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Em Portugal, os envelopes com sete cromos estão sendo vendidos por cerca de 1,50 euro. Mas, segundo a dona de uma papelaria em Carnaxide, a procura está muito acima do normal. “Tem gente levando caixas inteiras, conta. Cada caixa custa cerca de 75,90 euros, o que faz com que os estoques acabem rapidamente. “Compram para os filhos, sobrinhos e vão entregando aos poucos”, explica.
Completar a coleção custa pelo menos 200 euros, mas todo o mundo gasta muito mais porque tem de comprar carteirinhas até completar tudo e a dificuldade para encontrar as figurinhas raras é enorme.

Alguns colecionadores compram caixas completas de figurinhas deixando as lojas sem estoque. Crédito: Divulgação
A febre virou até tema de humor nas redes sociais. Em um vídeo publicado no Instagram, a humorista portuguesa “A Pipoca Mais Doce” brincou dizendo que a caderneta da Copa virou um vicio, e se deu ao trabalho de calcular os gastos chegando à conclusão que “os pacotinhos dariam para custear férias paradisíacas”.
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No Brasil, os preços são semelhantes. Cada pacote com sete figurinhas custa cerca de R$ 7. Segundo estimativas divulgadas pela imprensa brasileira, completar o álbum pode ultrapassar os R$ 1 mil, dependendo da quantidade de figurinhas repetidas.
Álbum sem Neymar
Mas a coleção rapidamente ultrapassou o universo dos colecionadores e chegou às redes sociais cercada de polêmicas. A ausência inicial de Neymar no álbum oficial provocou debates intensos entre torcedores brasileiros. Muitos interpretaram a falta da figurinha como um sinal de que o jogador estaria fora da Copa, o que gerou memes, críticas e discussões entre comentaristas esportivos.
Quando Neymar acabou sendo convocado oficialmente, celebridades e influenciadores reagiram imediatamente. Nomes como Luciano Huck, Ludmilla e Ary Fontoura comemoraram a notícia nas redes sociais.
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Reforço da produção para evitar a falta de figurinhas
A procura pela coleção oficial da Copa atingiu níveis inesperados nas últimas semanas. Em várias cidades portuguesas, álbuns e pacotinhos esgotaram poucos dias após o lançamento. Distribuidores e lojistas afirmam que algumas lojas venderam centenas de caixas em apenas três dias. A própria Panini confirmou que precisou reforçar a produção para atender à demanda.
O cenário ficou tão intenso que fábricas ligadas à produção passaram a operar praticamente sem parar. Boa parte desse sucesso se explica pelo valor afetivo que a coleção da Copa ainda possui. Para muitos torcedores, completar um álbum da Panini faz parte da experiência do Mundial e revive lembranças de outras edições do torneio.
Registro de fraudes e golpes por conta da coleção
Ao mesmo tempo, outra preocupação começou a crescer em Portugal e no Brasil: o aumento dos golpes envolvendo figurinhas. Autoridades e veículos de imprensa já registraram dezenas de denúncias relacionadas a vendas falsas em plataformas online. Muitos compradores pagam por figurinhas especiais ou caixas lacradas e acabam sem receber os produtos. Também as figurinhas consideradas raras começaram a aparecer em grupos privados e sites de revenda por preços muito acima do valor original. Alguns colecionadores tentam vender cartas especiais por centenas de euros, aproveitando a escassez e a alta procura.
Mais simples são os encontros para trocas que se multiplicam entre jovens nas escolas e locais públicos como lojas e shoppings.

Vários shoppings já abriram lojas para a troca de cromos (Portugal) ou figurinhas (Brasil), como esta no Almada Forum. Crédito: Reprodução Instagram
A edição da Copa de 2026 trouxe novidades, como figurinhas metalizadas, cartas limitadas e conteúdos exclusivos das seleções participantes, o que deve ter levado ao aumento do interesse dos colecionadores.
A Panini foi fundada em 1961, quando os irmãos Giuseppe e Benito Panini decidiram unir duas paixões: futebol e colecionismo e vender pequenos pacotes de figurinhas em bancas e papelarias.
A primeira coleção oficial do Campeonato Italiano virou um sucesso imediato e obrigou à impressão de milhões de unidades. Aos poucos a empresa familiar se tornou uma gigante mundial. Hoje, a Panini distribui seus produtos em mais de 120 países.
susana@revistaentrerios.pt

Susana Gaião Mota