Os números ajudam a explicar a dimensão da ascensão de 2ZDinizz. O rapper brasileiro já ultrapassou os 5,5 milhões de ouvintes mensais no Spotify, enquanto o álbum de estreia, PATRONO, lançado em 2024, soma mais de 315 milhões de reproduções. Entre os destaques está a faixa Beatriz, lançada em julho de 2025 com 115 milhões de streams e cujo videoclipe soma cerca de 28 milhões de visualizações no YouTube.

Nascido em Niterói, no Rio de Janeiro, 2ZDinizz cresceu entre o samba e o hip hop e encontrou em nomes como Racionais MC’s, Emicida, Kamau e Quinto Andar referências importantes para sua identidade artística, construída ao longo de 14 anos de carreira. Depois de realizar sua primeira turnê europeia, em fevereiro, o artista retorna a Portugal em setembro com a Patrono Tour Europa. A primeira apresentação será no dia 10, no Time Out Market, em Lisboa, e a segunda, no dia 13, no Hard Club, no Porto. Os bilhetes custam 23 euros. 

Em entrevista à EntreRios, o artista fala sobre o sucesso, a relação com os algoritmos, e a importância de mostrar a vulnerabilidade por meio da música.

2ZDinizz. Crédito: Divulgação

Aos 31 anos, 2ZDinizz é o nome por trás de mais de 315 milhões de reproduções. Crédito: Divulgação

Hoje, quando você escreve, pensa primeiro na palavra, no beat ou no corpo de quem vai ouvir?

Não penso em quem vai ouvir. Isso é uma consequência do meu trabalho e do quanto ele é real e corresponde às emoções do dia a dia. Parto primeiro do ritmo, isso vem muito do samba. A letra acontece naturalmente porque tento transpor aquele sentimento para algo concreto. Então, é sempre o beat, e depois a palavra.

2ZDinizz. Crédito: Caio Ribeiro

Entre o samba e o hip hop, construiu uma identidade própria. Crédito: Caio Ribeiro

Passar dos cinco milhões de ouvintes mensais muda a relação do artista com a própria música. Como não criar pensando apenas nos algoritmos?

É um número incrível, mas não crio pensando no algoritmo. Isso é só metade do caminho. Busco ser real comigo mesmo, e a rua traz esse termômetro, quando você lota uma casa de show, ou olha para a plateia e vê alguém chorando, sorrindo, se declarando, cantando do começo ao fim. Isso, nenhuma estatística consegue medir.

2ZDinizz. Crédito: Divulgação

2ZDinizz agora quer conquistar os palcos portugueses. Crédito: Divulgação

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Qual é a ideia sobre o rap que você tinha quando começou e, hoje, precisou rever?

Muita coisa mudou. Desde a forma com que eu rimo até como a indústria funciona. Quando comecei, achava que precisava ter “cara de mau”, aquela que intimidava as pessoas. Ser uma pessoa que não sofria, dura na queda e sem demonstrar fraqueza. Hoje, penso completamente diferente. A minha música deu certo justamente quando entendi que podia ser humano dentro dela. Não falar só das minhas conquistas, mas também das minhas vulnerabilidades, das minhas dores.

Mas, ao mesmo tempo, a popularização do rap aconteceu principalmente nas redes sociais e veio acompanhada de uma exaltação da imagem, em que parecer é mais importante do que ser. Para mim, isso deixou de ser interessante.

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2ZDinizz. Crédito: Caio Ribeiro

Para ele o palco é agora o próximo capítulo. Crédito: Caio Ribeiro

Um rapper também tem responsabilidade política ou social?

Sim. Mas falar sobre estilo de vida, entretenimento e conquistas é uma forma de responsabilidade social e política do rap. Porque ele vem de um lugar de denúncia, do cotidiano e das batalhas diárias do povo periférico. E esse povo também precisa exaltar a conquista, a diversão e o estilo de vida que lhe convém. Afinal, nem só de luta vive um guerreiro.

2ZDinizz. Crédito: Cauã Torelli

Do estúdio para a estrada é o novo momento do artista. Crédito: Cauã Torelli

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